Artentik: Plataforma de NFTs da Santa Casa já arrancou

O espólio cultural da Santa Casa reúne diferentes formas artística - dos relicários às relíquias, das esculturas às pinturas, das antiguidades aos artefactos - e vai ser colocado no mercado digital dos NFTs, através da Artentik.

Depois de ser apresentada, em novembro, na Web Summit 2021, a Artentik — plataforma da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para a comercialização de NFTs (tokens não fungíveis) — está disponível desde quarta-feira, 1 de dezembro.

A instituição entra, assim, no mundo da arte digital, com o seu espólio cultural com mais de 500 anos de existência, que reúne um acervo de enorme valor, incluindo a sua coleção de arte sacra, uma das mais importantes da Europa Ocidental exposta em permanência na Igreja e Museu de São Roque. De referir, ainda, que a Santa Casa disponibiliza a plataforma a todas as entidades e instituições nacionais que queiram promover e comercializar arte digital.

O primeiro lançamento, que ocorreu esta quarta-feira, 1 de dezembro, integra um conjunto de seis peças (de um total de 29), distribuído de três formas:

Pintura

Quatro NFTs que fazem parte da coleção de 20 pinturas do pintor proto-barroco português André Reinoso (c.1590-1641) e dos seus colaboradores, que representam a bênção do Papa e a submissão de São Francisco Xavier à Igreja de Roma. Estes quadros foram colocados, em 1619, na Sacristia da Igreja de São Francisco Xavier, três anos antes da canonização oficial de São Francisco Xavier a 12 de março de 1622, e faziam parte de uma imensa “propaganda” religiosa sobre a vida e a obra do grande missionário jesuíta, com o objetivo de acelerar o processo de canonização pela Igreja Católica.

Relicário

Um raro relicário de São Francisco Xavier, que remonta ao século XVIII e mede 15,5cm x 10cm. Trata-se de uma peça produzida por um ourives de Goa, para albergar um pequeno registo do santo padroeiro daquela cidade, e que era usada como elemento de proteção. Tornou-se, na altura, uma expressão artística da cultura goesa.

Colagem

Produzido pela instituição ‘Manicómio, este é um NFT que reflete um ativismo sobre ‘doença mental’. É uma peça onde se vê provocação, centrada na figura do antigo diretor psiquiátrico Júlio de Matos.

Com a plataforma Artentik, a Santa Casa pretende não só potenciar o seu património cultural através de uma audiência global, nomeadamente nos mercados asiático e do Médio Oriente, onde há um crescente interesse pela arte digital de NFTs, em especial no campo da arte sacra e relíquias; mas também dar voz a outras causas sociais muito relevantes, que representam uma sociedade mais inclusiva, lutando pela dignidade e reconhecimento de áreas tão diferentes como a saúde mental, a sustentabilidade ambiental, os direitos dos refugiados, as pessoas com deficiência ou a integração social através do desporto.

Ao mesmo tempo, a Misericórdia de Lisboa reforça a estratégia que tem vindo a ser desenvolvida na diversificação de fontes de receitas para poder continuar a praticar as boas causas sociais, em prol de uma sociedade mais justa e sustentável.

“Em Lisboa, a Santa Casa goza de uma relação calorosa com residentes e visitantes do Museu e da Igreja de São Roque, pelo que vimos uma forma de alargar essa relação a nível global, e às novas gerações, através dos NFTs”, diz Edmundo Martinho, provedor da Misericórdia de Lisboa.

“Temos 500 anos de tesouros inestimáveis que estamos interessados em partilhar com os amantes da arte, antiguidades e história religiosa. Ao criar a nossa própria janela digital, através da Artentik, as pessoas podem ver os nossos bens culturais únicos, adquirir uma réplica digital dos mesmos através dos NFTs, e saber que os lucros serão utilizados para atividades sociais. Esta é uma democratização cultural dos museus, e estamos muito satisfeitos por podermos abraçá-la”, acrescentou.

A Artentik é desenvolvida em Polygon Layer 2 Ethereum blockchain e só serão permitidos pagamentos em criptomoeda.

  • Artentik
  • Edmundo Martinho
  • Museu de São Roque
  • NFTs