Santa Casa inaugura exposição que percorre quase um século de história da Mitra
A exposição “Portões que Falam – A Mitra de Lisboa” reúne documentos, fotografias, objetos e testemunhos que retratam a evolução desta resposta social dirigida às populações mais vulneráveis.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa inaugurou, esta terça-feira, a exposição “Portões que Falam – A Mitra de Lisboa”, uma iniciativa da instituição, que convida os visitantes a revisitarem quase um século de história do antigo Albergue da Mitra e a compreender a transformação das respostas sociais em Portugal e na cidade.
Na sessão de inauguração, que contou com a participação do Provedor da Santa Casa, Paulo Sousa e os administradores da instituição, Ângela Guerra, Luís Rego e André Brandão de Almeida, o Provedor destacou a importância de preservar esta memória e de compreender o percurso da sociedade portuguesa na forma como respondeu à pobreza, à exclusão, à doença, à deficiência e à velhice.
“Poucos lugares em Lisboa encerram uma memória social tão intensa como a Mitra”, afirmou o Provedor, sublinhando que, ao longo de quase um século, passaram por aquele espaço “milhares de homens, mulheres e crianças em momentos particularmente difíceis das suas vidas”.
A exposição reúne documentos históricos, fotografias, objetos patrimoniais e testemunhos que ajudam a conhecer as diferentes fases da Mitra, desde a sua criação enquanto espaço de acolhimento e assistência até à sua integração na Misericórdia de Lisboa.
Para Paulo Sousa, conhecer esta história permite compreender a evolução do conceito de proteção social e reconhecer a transformação na forma de olhar para a pessoa humana e para os seus direitos. “Por detrás dos arquivos e dos registos históricos, existiram sempre vidas humanas, com a sua dignidade própria”, salientou.
O Provedor destacou ainda a responsabilidade da Santa Casa na preservação desta herança, afirmando que a exposição “não fala apenas da Mitra. Fala da sociedade que fomos, da sociedade que somos e da sociedade que queremos continuar a construir”.
A inauguração contou também com uma atuação da Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública, num momento musical que marcou a sessão.
A exposição resulta de um trabalho colaborativo que envolveu várias entidades, entre as quais a Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Marvila, a Polícia de Segurança Pública, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, o Instituto Superior de Serviço Social, a Universidade Lusíada, o Agrupamento de Escolas de Marvila, a Câmara Municipal de Cascais, a Quinta do Pisão, a Santa Casa da Misericórdia de Cascais e o Arquivo Ephemera.
“Portões que Falam – A Mitra de Lisboa” está patente ao público até 22 de dezembro de 2026, na Rua do Açúcar, Beco da Mitra, 64, em Lisboa. Pode ser visitada às sextas-feiras, sábados e domingos, entre as 10h00 e as 18h00. A entrada é livre.