Século XVII

1618

Cem anos após a fundação e pressionada por mudanças políticas, sociais e económicas, decorrentes da perda da independência do Reino (1581), a Misericórdia de Lisboa sentiu a necessidade de reformar o Compromisso originário. Pretendia também que a sua orgânica se adaptasse às novas realidades, publicando, por isso, um novo Compromisso em 1618.

1657

Com maiores responsabilidades cresciam as dificuldades financeiras. Criar as crianças expostas, deixadas ao cuidado da Misericórdia, continuava a ser uma das principais preocupações da Irmandade. Mas a Câmara de Lisboa, que devia financiar esta ação, atrasava-se frequentemente nos pagamentos. A Coroa interveio então a favor da Misericórdia, determinando que o Município cumprisse as suas obrigações. Pouco depois, em 1657, instituiu-se a “Meza dos Engeitados” ou dos “Santos Inocentes”.

"Retrato de um bebé" a óleo

1668

Para aumentar o apoio às crianças expostas da Misericórdia, durante o período das guerras da independência, de 1640 a 1668, atribuíram-se privilégios às famílias das amas que os acolhiam: durante o tempo da criação, os seus maridos ficavam isentos da milícia, um privilégio que depois se estendeu também aos filhos das amas.

Na época, os chamados “presos da Misericórdia”, ou seja, detidos que eram sustentados pela instituição, beneficiavam de maior celeridade no despacho dos seus requerimentos e eram enviados para o degredo, “soltos” (desacorrentados), sem deixarem fiança. Com a Restauração, estes privilégios foram novamente confirmados.

Bandeira processional de 1784 da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa,