Século XVIII

1750

Ao longo do século XVIII, permaneceram sem solução duas grandes questões: o sustento dos expostos e o financiamento da instituição. Na segunda metade deste século agravou-se, em particular, o processo de receção e criação dos expostos, o que se explicava pelo crescimento do número de crianças enjeitadas e pela dificuldade de contratar amas residentes em Lisboa ou perto da capital. A mortalidade infantil cresceu e o Governo do Marquês de Pombal levou a cabo a reforma do processo da criação, entrega e educação dos expostos, determinando novas regras. A regulamentação Pombalina aumentou, na prática, a intervenção do Estado na vida da Irmandade e na própria administração da Misericórdia.

Sinal de exposto com uma meia de criança

1768

Novos subsídios foram concedidos para a criação dos expostos. Esta política protetora da Misericórdia de Lisboa culminaria na doação, à Instituição, da Igreja e da Casa Professa de S. Roque, em 1768. Este edifício pertencera à Companhia de Jesus e, ainda hoje, alberga a sede da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Aí, após o terramoto de 1755, foram instalados, convenientemente, os expostos e as órfãs do Recolhimento.

Igreja casa professa de S. Roque

1783

As dificuldades financeiras levariam a Mesa da Misericórdia e os Hospitais Reais de Enfermos e Expostos a solicitar à Rainha D. Maria I que concedesse a permissão de instituir uma lotaria anual, “para acorrer com os lucros della às urgentes necessidades dos ditos dous Hospitaes” (Decreto de 18 de novembro de 1783). Parte dos lucros das lotarias beneficiavam também outras instituições pias e científicas.