Século XXI
2001
A viragem do milénio trouxe novos desafios à Santa Casa. Para responder-lhes, a instituição apostou em áreas como a reabilitação urbana para rentabilizar o seu vasto património, ou a promoção do envelhecimento ativo através de uma política de intergeracionalidade transversal a todas as suas áreas de atuação, auxiliando um grande número de idosos que são utentes da instituição, ao mesmo tempo que envolve os jovens nessas respostas.
A necessidade de modernizar os processos de funcionamento e metodologias de intervenção, para acompanhar as novas realidades sociais e combater os efeitos nefastos que delas advinham, esteve na base da elaboração dos novos Estatutos da Misericórdia de Lisboa, aprovados pelo Decreto-Lei nº. 235/2008, de 3 de dezembro.
2004
O ano fica marcado pelo nascimento da nova marca e identidade comercial do departamento de jogos da Santa Casa, sob a designação de “Jogos Santa Casa”. Além deste facto, e com vista a aumentar as receitas dos jogos sociais bem como a distribuição aos seus beneficiários, o Departamento de Jogos da Santa Casa lançou, em conjunto com outros países, o seu jogo mais excêntrico: o Euromilhões.
2008
São aprovados os novos estatutos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde estão clarificados o quadro legal de ação e os principais objetivos e missões da entidade, com especial incidência nas áreas da ação social, saúde, educação, cultura e da promoção do bem-estar e qualidade de vida da população de Lisboa.
2012
Continuando a sua aposta e estratégia na área da saúde, a instituição inaugura, em 2012, a Unidade de Saúde Maria José Nogueira Pinto, vocacionada para cuidados continuados e paliativos.
Com o objetivo de reconhecer quem, apesar da muita idade, ainda é ativo e participativo na sociedade portuguesa, a Associação Portuguesa de Psicogerontologia instituiu, em colaboração com a Misericórdia de Lisboa e a Fundação Montepio, o Prémio Dr.ª Maria Raquel Ribeiro, que distingue seniores com 80 e mais anos, que constituem uma mais-valia para Portugal.
2013
Em 2013, e pela primeira vez na sua história, a SCML começou a investir diretamente na investigação científica e médica de excelência, através da criação das maiores bolsas para projetos em Neurociências desenvolvidos em Portugal. Nascem, assim, os Prémios Santa Casa Neurociências que representam um investimento anual de 400 mil euros, divididos entre dois prémios: Prémio Melo e Castro e Prémio Mantero Belard.
2015
Com o objetivo de ajudar as demais Misericórdias do país a promover causas sociais prioritárias e inovadoras, a recuperar património histórico tantas vezes relegado para segundo plano, a Santa Casa e a União das Misericórdias de Portugal juntaram-se, em 2015, para lançar o Fundo Rainha Dona Leonor.
É lançado, a 9 de setembro, o PLACARD, o primeiro jogo de apostas desportivas à cota de base territorial.
2016
Com interesses e propósitos comuns, a Santa Casa tornou-se parceira da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS). Esta parceria visou garantir o financiamento da continuidade das atividades da FRESS, a realização de projetos de conservação e restauro em património da Santa Casa, a integração de jovens formandos em contexto de trabalho e em cursos da FRESS, bem como o apoio ao desenvolvimento de projetos de caráter inovador, entre outros.
É lançado o M1LHÃO (cujo primeiro sorteio ocorreu dia 30 de setembro) e a aplicação móvel (app) Jogos Santa Casa.
2017
Reforçando a sua aposta na Investigação e Desenvolvimento, foi criado o Prémio João Lobo Antunes, no valor de 40 mil euros. Destinado a licenciados em medicina em regime de internato médico, visa estimular a cultura científica e a investigação clínica na área das neurociências, sem esquecer o princípio de João Lobo Antunes relativo à humanização do ato médico – “os seus pacientes e as suas histórias”.
2018
Com vista à promoção de soluções inovadoras na resolução de problemas e necessidades sociais e ambientais, de acordo com os valores promovidos pela instituição, para a construção de uma sociedade mais solidária e sustentável, a Santa Casa lançou, no dia 1 de outubro de 2018, a Casa do Impacto.
A Casa do Impacto pretende agregar, no mesmo espaço físico, todas as entidades do ecossistema do empreendedorismo social e da inovação social, desde os empreendedores às instituições do terceiro setor, universidades, empresas, programas de aceleração, investidores, filantropos e autarquias, para, deste modo, contribuir para que todos os atores possam trabalhar juntos na criação de projetos com impacto social.
2019
Em fevereiro, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa, as juntas de freguesia da cidade, a Polícia de Segurança Pública e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo deram início ao programa pioneiro “Lisboa, Cidade de Todas as Idades”. O programa tem como missão providenciar uma resposta integrada à população 65+, no âmbito da longevidade, promovendo ações de cidadania participativa com vista a maiores índices de autonomia e independência. Destaca-se particularmente a intervenção da Santa Casa e demais parceiros no Projeto RADAR que, em pouco menos de um ano, georreferenciou cerca de 30 mil idosos, residente nas 24 freguesias da cidade de Lisboa, com o objetivo de perceber em que condições viviam, quais as suas necessidades e que respostas precisavam para terem uma vida autónoma e confortável.
Em agosto desse ano, foi inaugurado o SOL – Saúde Oral em Lisboa, um serviço de odontopediatria, o primeiro especializado de medicina dentária pediátrica da Santa Casa, gratuito e destinado a todas as crianças residentes ou a estudar em Lisboa, dos 0 aos 18 anos (não inclusive).
O ano terminou com o lançamento, em novembro, dos Prémios Santa Casa Longevidade, que vieram reforçar o compromisso da instituição com o programa “Lisboa, Cidade de Todas as Idades”. Estes prémios atribuem, de dois em dois anos, um total de 300 mil euros aos projetos de investigação científica que melhor reponderem a cada um dos eixos estratégicos do programa: eixo da vida ativa, eixo da vida autónoma e eixo da vida apoiada.
2020
Em 2020, trabalhar por boas causas fez ainda mais sentido. Em plena crise de saúde pública, a Santa Casa reforçou a sua ação nas mais diversas áreas de atuação para poder continuar a apoiar quem mais precisa. A pandemia de Covid-19 elevou as fragilidades de alguns setores e provocou um aumento do número de pessoas em situação vulnerável, o que fez com que mais cidadãos procurassem auxílio junto da Misericórdia de Lisboa.
Numa altura em que todos tinham de estar em casa, a Misericórdia de Lisboa foi a casa de milhares de portugueses, aumentando as respostas na linha da frente. Durante a pandemia, continuou a ser um auxílio para cerca de 1700 pessoas, na sua maioria idosos em isolamento social. Auxiliares de geriatria e de apoio comunitário continuaram no terreno, para dar resposta às necessidades dos utentes que beneficiam deste serviço. As unidades de saúde mantiveram-se abertas ao público, com médicos e enfermeiros a garantirem cuidados de saúde. Nas residências permanentes e assistidas, os utentes contaram com todo o apoio durante o primeiro confinamento, decretado em março de 2020.
A população +65 anos foi em tudo condicionada pela Covid-19, com a pandemia a fazer aumentar o número de idosos em situação de isolamento. Para combater este flagelo, a Santa Casa reforçou a sua ação no terreno através do Projeto Radar, para poder escutar e cuidar dos problemas da população sénior da capital.
E porque foi necessário também dar resposta às necessidades dos lares, a Santa Casa criou, em parceria com o ABC-Algarve Biomedical Center, a Linha COVID Lares, que disponibiliza apoio 24 horas por dia, sete dias por semana, num projeto desenvolvido com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Mas a Covid-19 também se fez sentir na estabilidade emocional dos portugueses, que, de um momento para o outro, viram as suas vidas condicionadas e o futuro comprometido. A Casa do Impacto, o hub de empreendedorismo social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, lançou o acalma.online, como resposta aos efeitos da pandemia na saúde mental. A plataforma de apoio psicológico online e gratuito foi um suporte fundamental para as centenas de pessoas que usufruíram deste auxílio.
Também o setor da cultura ficou em “estado de emergência” com a Covid-19, razão pela qual a Santa Casa uniu esforços com mais três entidades para criarem o Fundo de Solidariedade Com a Cultura, medida concebida para apoiar os profissionais do setor cultural, cuja subsistência tenha ficado em causa devido à perda de rendimentos provocada pela pandemia.
No último trimestre do ano, a Misericórdia de Lisboa reforçou a sua ação na área da saúde. A Clínica de Chelas foi doada à instituição e a aquisição do Hospital da Cruz Vermelha foi formalizada.
Apesar de a pandemia ter afetado as receitas das vendas dos Jogos Sociais do Estado, com uma quebra na ordem dos 40% face a 2019, a Santa Casa deu início, em 2020, à expansão da rede de mediadores dos Jogos Santa Casa em diferentes áreas do país (continente e ilhas). Este reforço, concluído em 2021, acrescentou mais 1500 novas mediações, num robusto contributo para a sustentabilidade, revitalização e estabilização da economia social do país.
2021
Ainda em plena pandemia, 2021 verificou-se como um ano de retoma a vários níveis, sendo necessário acrescentar às respostas tradicionais da Santa Casa novas formas de atuar, inovadoras e até disruptivas. Como tal, foi um ano em que a instituição se empenhou em projetos dirigidos aos públicos mais vulneráveis, tendo como prioridade a intervenção nas áreas da longevidade, pobreza, empregabilidade das pessoas com deficiência e dos cuidados continuados integrados.
No dia 1 de maio, coincidindo com o Dia do Trabalhador, a Santa Casa lançou a Valor T – Agência de empregabilidade dedicada a pessoas com deficiência, que nasceu com o objetivo de ajudar, apoiar e suportar pessoas com deficiência na construção de carreiras profissionais estáveis e adequadas às capacidades de cada uma, contribuindo para a transformação das suas vidas através da empregabilidade.
2022
Após dois anos plenos de grandes incertezas provocadas pela pandemia de Covid-19, o ano de 2022 assumia-se como auspicioso e desafiante. Perante uma “nova realidade” e um mundo “virado do avesso”, a Santa Casa adaptou-se e continuou a sua jornada com mais de cinco séculos “Por Boas Causas”, devolvendo às pessoas uma normalidade tranquilizadora e um compromisso renovado de apoiar quem mais necessita.
Num ano marcado pelo início da guerra na Ucrânia e com o enorme fluxo de refugiados, a instituição disponibilizou-se, desde a primeira hora, a criar condições de integração destas pessoas na sociedade portuguesa.
Tendo como pano de fundo o evento da Jornada Mundial da Juventude 2023, a instituição e a Renascença estabelecem uma parceria para refletir sobre os maiores problemas e desafios sentidos por este público. Ainda neste âmbito, lançam em conjunto o Grande Prémio Jornalismo Jovem.
Foi, também, um ano em que a instituição estendeu a sua intervenção em matéria de infância e juventude para fora da cidade de Lisboa. Depois de Vila Franca de Xira, Amadora e Mafra, foi a vez de Oeiras receber uma resposta da Misericórdia de Lisboa centrada na promoção dos direitos e proteção das crianças e jovens.
Já no final do ano, a instituição aumentou a sua capacidade de resposta na área da primeira infância com a inauguração da creche do Desagravo. Também o Centro de Acolhimento Infantil do Bairro da Boavista foi reaberto, após obras de reabilitação.