Santa Casa leva experiência de proximidade ao Fórum Saúde 2026
A necessidade de aproximar as respostas de saúde e de ação social às pessoas esteve no centro do Fórum Saúde 2026, que decorreu esta quinta feira, 8 de outubro, no Auditório dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa.

Sob o tema “Estado Social Local: Desafios e Impacto na Saúde das Populações”, o encontro reuniu representantes da saúde, do poder local e central, academia e setor social para discutir o papel dos territórios na promoção da saúde e no combate às desigualdades.
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa esteve representada no evento pelo Provedor, Paulo Sousa, que participou no painel “A prática das estratégias locais de saúde: Lisboa”, juntamente com Miguel Paiva, Presidente da ULS São José, e Clara Marques Mendes, Secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão. Da Santa Casa esteve também presente o administrador com a área da saúde, André Brandão de Almeida.
Na sua intervenção, Paulo Sousa apresentou a perspetiva da Santa Casa sobre o Estado Social Local e sublinhou que a saúde deve ser entendida para além da resposta dos hospitais e dos centros de saúde. “Onde se decide, de facto, a saúde das pessoas? Não apenas no hospital ou no centro de saúde. Também na casa, na rua, no bairro, e na rede de apoio de cada pessoa”, afirmou.
O Provedor destacou a importância de uma abordagem integrada, assente na proximidade, na articulação entre respostas e numa governação partilhada entre Estado, municípios, Serviço Nacional de Saúde e setor social. “Por Estado Social Local entendemos proximidade, integração e governação partilhada. Nenhuma entidade resolve sozinha”, defendeu.
A experiência da Santa Casa em Lisboa foi apresentada como um exemplo concreto desta integração. Com intervenção simultânea nas áreas social e da saúde, a instituição dispõe de uma rede de respostas que acompanha diferentes fases da vida, desde a infância à velhice, abrangendo áreas como a deficiência, a família e comunidade, as pessoas em situação de sem abrigo e os cuidados de saúde.
Paulo Sousa destacou ainda a importância da proximidade como elemento essencial da intervenção. As quatro unidades de proximidade da Santa Casa abrangem as 24 freguesias de Lisboa, permitindo articular o atendimento social com respostas de apoio domiciliário. “Não esperamos que as pessoas venham até nós. Estamos nos locais, perto de casa”, frisou.
Entre os exemplos apresentados esteve o projeto RADAR, desenvolvido em 2019 e presente nas 24 freguesias de Lisboa, que assenta numa rede comunitária destinada a identificar, registar, avaliar, encaminhar e acompanhar pessoas com 65 ou mais anos. Para o Provedor, “o segredo do RADAR está na rede comunitária e numa plataforma comum. Nenhuma entidade, sozinha, conseguiria este alcance”.
A intervenção abordou igualmente o papel da Santa Casa na área da saúde, onde a instituição assegura respostas de proximidade, cuidados especializados, cuidados hospitalares, continuados e domiciliários. Em 2025, a rede de saúde da Santa Casa contabilizou cerca de 60 mil utentes inscritos, mais de 260 mil consultas e 18 unidades de saúde, envolvendo mais de 1.400 profissionais.
Entre as respostas destacadas esteve o SOL, Saúde Oral em Lisboa, que desde 2019 assegura cuidados de saúde oral gratuitos a crianças e jovens até aos 18 anos que vivem em Lisboa. O projeto atingiu, em março de 2026, as 200 mil consultas e foi apresentado como exemplo de uma resposta que combina universalidade, prevenção, complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde e trabalho em rede.
A saúde mental e a intervenção comunitária foram igualmente abordadas, com referência à Unidade W+, ao trabalho desenvolvido na comunidade e à articulação entre profissionais de saúde e da área social.
Para Paulo Sousa, a experiência da Santa Casa permite retirar cinco princípios para a construção do Estado Social Local, “conhecer antes de responder, trabalhar em rede, integrar saúde e ação social no mesmo percurso, garantir proximidade e assegurar sustentabilidade”.
No encerramento da sua intervenção, o Provedor apresentou quatro propostas para reforçar a articulação das respostas no território, como a criação de ciclos comuns de planeamento, a partilha de indicadores e dados, o reconhecimento das Misericórdias e das IPSS como parceiros de planeamento e modelos de financiamento orientados para resultados.
“A pessoa idosa que tem alta, mas não pode voltar para casa, precisa do SNS, da Segurança Social, da autarquia e de quem a acompanha na sua comunidade”, afirmou Paulo Sousa, defendendo que a resposta passa pela construção de pontes entre as diferentes entidades. “É nas pontes entre as entidades que a resposta chega à pessoa”.
O Fórum Saúde 2026 incluiu ainda apresentações sobre a municipalização da saúde e projetos de proximidade em Lisboa, bem como debates sobre diferentes estratégias locais de saúde e experiências territoriais de várias regiões do país. A sessão de encerramento contou com a intervenção da vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, Ana Simões Silva.