Século XX

1911

No início do século XX, a Misericórdia de Lisboa foi desenvolvendo o socorro assistencial, através de:

  • Cuidados prestados a crianças tuteladas e órfãs, orientados para a formação, ensino, higiene e saúde infantil;
  • Aperfeiçoamento dos serviços clínicos e de visitação;
  • Incremento da assistência alimentar;
  • Atribuição de subsídios a diversas instituições públicas e particulares, algumas das quais viriam a integrar-se na Misericórdia de Lisboa, por dificuldades de subsistência.

A República reestruturou a Assistência, através da Lei de 25 de maio de 1911. Este diploma criou a Direcção-Geral de Assistência, que englobava a Provedoria Central de Assistência de Lisboa, responsável pelos estabelecimentos de beneficência, incluindo os Hospitais Civis, a Casa Pia e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Aula da Rainha D. Leonor

1926-1931

Entre 1926 e 1931, foram integradas na Misericórdia de Lisboa diversas instituições:

  • Em 1926, os balneários, serviços dos postos de socorro noturno, serviços de distribuição de subsídios e pensões (da Provedoria de Assistência de Lisboa) e o Instituto de Cegos Branco Rodrigues;
  • Em 1927, os lactários infantis (da Câmara Municipal de Lisboa) e o Sanatório de Sant’Ana, na Parede;
  • Em 1928, as Cozinhas Económicas, Sopas dos Pobres, Semi-Internatos (o Colégio Araújo, o da Travessa da Alameda e o da Rua Artilharia 1), Pensionato da Rua da Rosa (instalado no Palácio Marquês de Minas), Instituto Infantil da Parede e as Escolas Maternais do Alto de Pina e da Ajuda;
  • Em 1931, as creches de Vítor Manuel e a de Nossa Senhora da Conceição (da Associação de Creches-Asilos de Lisboa).

O Estado Novo introduziu reformas significativas. Um dos pontos centrais dizia respeito à criação dos novos centros sociais: o projeto para a assistência na área da cidade de Lisboa considerava a Misericórdia como fonte instrumental e financiadora, fazendo congregar na instituição diversas entidades de assistência e socorro social, tais como os novos Centros Sociais Polivalentes e a Comissão Executiva de Defesa da Família.

1935-1943

Em 1935, a Santa Casa inaugura, na sua sede, o Instituto Médico Central e, em 1943, o Hospital Infantil de S. Roque, com internamento em várias especialidades.

1957-1966

Entre 1957 e 1963, introduziu-se na Misericórdia de Lisboa uma nova ideia de gestão e um maior dinamismo na solução dos problemas. Esta nova orientação traduziu-se no desenvolvimento de acordos de cooperação com muitas instituições de apoio assistencial e no aparecimento de novos serviços como os de Medicina no Trabalho, verdadeiro centro-piloto onde estagiaram médicos e enfermeiros.

O interesse da Misericórdia de Lisboa pelas questões da saúde pública encontraria aplicação na assistência médico-social integrada, uma fórmula característica dos anos 60 que colocava especial foco na medicina preventiva. Foi neste contexto que, em 1965, abriu o Centro de Saúde e Assistência Dr. José Domingos Barreiro, construído em terrenos doados à Misericórdia de Lisboa e que deveria ser modelo de atuação.

O Totobola, criado em 1961, permitiu aumentar as receitas dos jogos sociais. As receitas líquidas eram repartidas, em partes iguais, pela assistência de reabilitação e pelo fomento da educação física e do desporto. Isto possibilitou à Misericórdia criar o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (1966), destinado ao tratamento de acidentados e diminuídos motores.

Boletim de totobola

1974-1991

Depois da Revolução de 25 de abril de 1974, a quebra de receitas provenientes dos jogos, agravada pela descolonização e consequente encerramento das delegações ultramarinas, originou grandes dificuldades financeiras.

Com a criação do Serviço Nacional de Saúde, todos os hospitais centrais, distritais e concelhios passaram para o controlo direto da Secretaria de Estado da Saúde. Inicialmente fora do alcance destas decisões, o Hospital de Sant’Ana e o Centro de Reabilitação de Alcoitão passaram a depender da Direcção-Geral dos Hospitais, pela aplicação do Decreto-Lei nº. 480/77, de 15 de novembro.

No contexto do período revolucionário, muitas instituições de ação social encontraram dificuldades de sobrevivência. Uma vez mais, o Estado optou pela sua integração na Misericórdia de Lisboa: caso dos Bairros Municipais (1975, 1976 e 1977); Casa de Abrigo de Campolide (1976); Creche e Jardim de Infância de Santo António (1978); Parques Infantis de Santa Catarina, São Pedro de Alcântara, Necessidades e Alcântara (1979); Colónia de Férias Infantil de São Julião da Ericeira, Obra Social do Pousal, Internato de Menores do “Alvor”, PRODAC (Associação de Produtividade na Autoconstrução), CASU (Centro de Ação Social Universitário), Orfanato-Escola Santa Isabel (depois designado Aldeia de Santa Isabel), Centro Social da Quinta do Ourives, Centro Social do Bairro das Casas Pré-Fabricadas e Jardim Infantil de Palma e Fonseca (1983).

Em 1978, a Santa Casa valorizou os cuidados de saúde materno-infantis, introduzindo um serviço de Planeamento Familiar.

Em 1979, a Santa Casa criou a sua primeira biblioteca nos serviços centrais da instituição, no Largo Trindade Coelho, que se mantém aberta ao público em geral.

Em 1982, o Hospital de Sant’Ana regressou à dependência direta da Misericórdia de Lisboa, assim como o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, em 1991.

Criados em 1987, os Prémios Nunes Corrêa Verdades de Faria cumprem a vontade expressa em testamento por Mantero Belard.

1994-1998

A Escola Superior de Saúde do Alcoitão (ESSA), antiga Escola de Reabilitação de Alcoitão, seria reconhecida como estabelecimento de Ensino Superior Particular.

No final do século, mais precisamente em 1998, a Misericórdia de Lisboa definiu uma estratégia para o voluntariado, criando uma estrutura própria para dinamizar esta área de atuação da instituição.

O século XX fica ainda marcado pelo lançamento de novos jogos sociais, com o objetivo de captar maiores receitas para a implementação de outras ações. Especial destaque para o Totoloto (1985), a Lotaria Popular (1987), o Joker (1993; foi suspenso em 2017) e a Lotaria Instantânea (1995; mais tarde designada por Raspadinha).