No ano em que o voluntariado formal da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) celebra 20 anos, a instituição realizou uma conferência subordinada ao tema “Voluntariado no século XXI: Práticas e Desafios” para partilhar conhecimento e experiências. O encontro realizou-se, esta segunda-feira, 24 de setembro, no Lux Lisboa Hotel Park.
Em discussão estiveram cinco temas: Desafios do Voluntariado da Santa Casa; Rostos do Voluntariado da Santa Casa; Gestão do Voluntariado: Contextos e Práticas, Cultura do Voluntariado: Um Missão Coletiva; e uma Palestra sobre Motivação.
Rob Jackson, uma das maiores referências internacionais na área do voluntariado, destacou que, em 2012, 11,5% dos portugueses com idade superior a 15 anos já fez voluntariado, ou seja, cerca de um milhão de pessoas. “Esta é, claro, uma boa notícia. As pessoas são generosas no apoio às boas causas. Mas este apoio pode estar em risco”, acautelou.
A maior parte das pessoas que não fazem voluntariado respondem que não o fazem pela falta de tempo, assinala Rob Jackson. “Acredito que esta não é a razão pela qual não há mais voluntários, é simplesmente a desculpa mais fácil de se dar”.
Para o especialista em voluntariado a verdadeira resposta é mais complexa: o voluntariado está em competição com tudo o que as pessoas queiram fazer com o seu tempo livre: estar com a família, com os amigos, as viagens e os eventos desportivos.
“A tecnologia modificou o nosso mundo nos últimos 10 a 15 anos de maneira que nunca poderíamos ter imaginado”, lembrou Rob Jackson. As redes sociais estão reformulando o voluntariado também.
“O voluntariado deve ser uma experiência aliciante. Só assim os voluntários escolhem continuar nas organizações, e por mais tempo”, defende o consultor e especialista em voluntariado.
“A Santa Casa comemora 20 anos de voluntariado. Não posso prever como serão os próximos 20 anos, mas sei que, se estivermos abertos a mudanças, todos poderemos tornar esse futuro bom para o voluntariado em Lisboa, em Portugal e em todo o mundo”, concluiu.
Por seu turno, Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa, considerou que “apesar de se celebrar 20 anos de voluntariado formal na Santa Casa, podemos dizer que esta atividade é tão antiga como a própria instituição. Uma Casa que nasce da vontade de dar, de ajudar de ser útil ao próximo”.
“A capacidade de estar ao serviço do outro distingue o voluntário e reflete o espírito da Santa Casa Misericórdia de Lisboa”, frisou o provedor.
Participaram, ainda, Sónia Fernandes (Pista Mágica), Gabriela Sousa (Fundação Serralves), Inês Soares (CML), Luisa Godinho (SCML), Henrique Sim-Sim (Fundação Eugénio de Almeida), João Teixeira (CPV), Mariana Marques (Youth Union of People wiht Iniciative).
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