A Igreja da Misericórdia de Melgaço foi oficialmente inaugurada após a conclusão de uma profunda intervenção de conservação e restauro, apoiada pelo Fundo Rainha D. Leonor (FRDL), da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A cerimónia contou com a presença de Ângela Guerra, administradora da Santa Casa, de Inêz Dentinho, coordenadora do Fundo Rainha D. Leonor, de José Albano Domingues, presidente da Câmara Municipal de Melgaço, entre outras individualidades e representantes institucionais, assinalando um momento de grande relevância para a preservação do património histórico e religioso do Norte do país.
A inauguração correspondeu a uma dupla intervenção: a obra de conservação e restauro do interior e exterior da Igreja, no valor de 121.372,62 euros (candidatura de 2017), e o arranjo da Sacristia, no montante de 13.920,32 euros (candidatura de 2025). No seu conjunto, os trabalhos permitiram salvaguardar um edifício com mais de sete séculos de história, localizado na zona histórica do Castelo e da Muralha de Melgaço.
Durante a intervenção foram resolvidos graves problemas estruturais, nomeadamente infiltrações por capilaridade que colocavam em risco os retábulos. A cobertura foi integralmente renovada, foram aplicadas soluções de ventilação para garantir a saúde dos materiais e procedeu-se ao tratamento, limpeza e fixação dos elementos dourados dos retábulos.
A obra permitiu ainda importantes descobertas patrimoniais. Graças ao apoio do Fundo Rainha D. Leonor, foi possível identificar e restaurar o Compromisso original da Misericórdia de Melgaço (1517), apenas o 12.º exemplar conhecido desta época. O documento esteve em estudo no Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e regressou agora à sua casa de origem, onde se encontra em exposição permanente.
Foram igualmente recuperadas duas bandeiras históricas da Misericórdia, restauradas pela Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, com apoio da Santa Casa, tendo sido anteriormente apresentadas em Lisboa e devolvidas à Misericórdia de Melgaço com grande solenidade.
Com esta intervenção, a Igreja da Misericórdia de Melgaço, sede da Misericórdia desde o século XVI, reforça-se como um marco identitário, histórico e espiritual, não só para a comunidade local, mas também como símbolo do papel contínuo das Misericórdias na preservação do património e da memória coletiva.