Nascida em Adão Lobo, no concelho do Cadaval, em 1925, Raquel Ribeiro deixou um legado profundo na construção das políticas sociais, na defesa dos mais vulneráveis e na dignificação da profissão de assistente social.
Licenciada em 1948 pelo Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa, iniciou funções no ano seguinte no Instituto de Assistência à Família, dando início a uma carreira longa e marcante na administração pública. Entre 1957 e 1971, desempenhou um papel determinante na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde foi Chefe do Serviço Social, contribuindo para a modernização e organização das respostas sociais da instituição. A sua ação estendeu‑se depois à direção de organismos nacionais, como o Instituto da Família e Ação Social e o Centro Regional de Segurança Social de Lisboa, a que presidiu entre 1981 e 1988.
Para além da carreira técnica e dirigente, Maria Raquel Ribeiro destacou‑se pela intervenção cívica e associativa. Foi uma das fundadoras da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), em 1990, e teve um papel relevante na criação e dinamização da Comissão Portuguesa do Conselho Internacional do Serviço Social, a que presidiu em 1969. Durante uma década, foi também dirigente do Sindicato Nacional dos Profissionais de Serviço Social, defendendo a valorização da profissão e a formação contínua dos seus profissionais.
Mesmo após a aposentação, colaborou sempre em iniciativas ligadas ao envelhecimento ativo e à proteção social, reconhecimento que levou à criação, em 2012, do Prémio Envelhecimento Ativo Dra. Maria Raquel Ribeiro, promovido pela Santa Casa, Associação Portuguesa de Psicogerontologia e Fundação Montepio. O prémio homenageia anualmente pessoas idosas que continuam a contribuir para a sociedade, perpetuando os valores que marcaram a sua vida: dignidade, participação e combate à invisibilidade dos mais velhos.
A memória de Maria Raquel Ribeiro está também presente na Residência Raquel Ribeiro, unidade da Misericórdia de Lisboa, situada em Monsanto e dedicada ao acolhimento temporário de pessoas adultas com mobilidade condicionada que necessitam de reabilitação, convalescença ou apoio em situações de “altas sociais”.
Instalada num edifício reabilitado (a antiga fábrica de gelados Rajá, doada pela Nestlé em 2014), a residência ocupa um espaço de cerca de 4000 m² e integra várias respostas no mesmo local: descanso do cuidador, acolhimento de curta duração, reabilitação, convalescença e apoio social. O modelo, inovador e intergeracional, assenta numa equipa multidisciplinar e em planos individuais de intervenção.
No dia em que se celebra o seu nascimento, a Santa Casa recorda Maria Raquel Ribeiro como uma grande inspiradora da ação social, sublinhando a atualidade do seu pensamento e a força do seu exemplo. A sua vida permanece como referência para todos os que trabalham diariamente na construção de uma sociedade mais justa, solidária e humana.