logotipo da santa casa da misericórdia de lisboa

Já se conhecem os grandes vencedores dos Prémios Clube da Criatividade de Portugal

Terminou, na passada sexta-feira (26), a 25.ª edição dos Prémios do Clube da Criatividade de Portugal (CCP) com a Gala de Entrega de Prémios que decorreu no Hub Criativo do Beato, no espaço da antiga Fábrica do Pão, em Lisboa, e na qual ficámos a conhecer os vencedores deste ano.

Com a assinatura da marca Jogos Santa Casa, o maior prémio da noite foi entregue ao projeto ABCLGBTQIA+, do canal Fox Life e da ILGA Portugal, criado pelo estúdio in-house da The Walt Disney Company em colaboração com a Stream and Tough Guy.

projeto abclgbtqia+ prémios clube da criatividade

Na ocasião, foi também conhecido o projeto vencedor do “Brief Aberto Jogos Santa Casa”, implementado para incentivar a nova geração de criativos portugueses, e que este ano teve como mote: “sabia que quando aposta nos Jogos Santa Casa está a apoiar uma série de causas?” E os grandes vencedores foram Pedro Almeida e Duarte de Brito e Cunha.

brief aberto jogos santa casa, vencedores prémio clube da criatividade

A marca da Misericórdia de Lisboa apresentou ainda, na Gala deste ano, o seu novo projeto para a procura por novos talentos no mercado de trabalho nacional e lançou o Safari Criativo Jogos Santa Casa, desenhado a pensar num problema com que os jovens se deparam quando terminam a sua formação académica: a entrada no mercado de trabalho. Este projeto visa possibilitar, no mínimo, cinco estágios remunerados a jovens criativos em agências e produtoras, durante três meses, para que possam conhecer as dinâmicas de trabalho e reconhecer a função que mais se adequa ao seu perfil.

Esta 25.ª edição dos Prémios do Clube da Criatividade de Portugal contou com o maior número de sempre de trabalhos a concurso na história do Festival, com 1030 inscrições feitas por 147 empresas. Foram entregues 44 ouros, 84 pratas e 114 bronzes. 

Conheça todos os premiados – 288 KB | PDF 

Santa Casa oferece diversidade cultural na Feira do Livro

A 93.ª Feira do Livro de Lisboa abriu ontem, dia 25 de maio, e este ano conta novamente com um stand da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que promete oferecer uma verdadeira diversidade cultural a quem passa.

Em termos de novidades, Andreia Afonso, do Centro Editorial da Santa Casa, começa por referir o projeto Relicário, do Museu de São Roque, “que começou com uma exposição e depois passou a um caderno de conferências”. Destacam-se ainda o livro Suor Frio e o Prata da Casa, “que não é um produto interno mas um patrocínio da Santa Casa e retrata um bairro de Lisboa na zona de Arroios”.

O stand da Santa Casa está localizado logo na entrada principal da Feira do Livro e ainda surpreende muitos visitantes.

“Muita gente fica admirada por estar aqui a Santa Casa. Mas depois há aqueles visitantes que já nos conhecem e já sabem o que procuram: ou é aquela ponta histórica que está perdida e que falta relacionar, ou são amantes da História de Arte, ou estudantes e investigadores de sociologia e querem perceber como está a demografia da sociedade… As pessoas ficam agradadas com o tipo de informação que encontram nos nossos livros”, relata Andreia Afonso.

Sobre a programação cultural, a técnica do Centro Editorial destaca, por exemplo, a atuação da banda Vertigem, “um grupo jovem, cujo baterista é utente do Lar Branco Rodrigues, é cego e estuda jazz”. Andreia Afonso não tem dúvidas de que “faz todo o sentido estarem presentes, são prata da casa”.

Outro dos destaques da programação vai para a Hora do Conto, “que visa atingir seniores, crianças e adultos com necessidades especiais, multideficiências”.

“Por exemplo, fizemos uma parceria com a Associação Portuguesa de Surdos e em determinadas Horas do Conto vamos ter um intérprete de língua gestual”, refere Andreia, sublinhando que o stand vai receber vários grupos de utentes da Santa Casa.

Provedora na sessão de abertura

A cerimónia de abertura da Feira do Livro juntou, no Auditório Sul do recinto, diversas personalidades. Na sessão participaram Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, Pedro Adão e Silva, ministro da Cultura, e Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ana Jorge, provedora da Santa Casa, marcou presença na primeira fila da plateia.

Após a cerimónia, Ana Jorge e o administrador com o pelouro da Cultura da SCML, João Correia, visitaram o stand da Santa Casa, localizado ao lado do Auditório Sul. A provedora teve ainda oportunidade de assistir ao concerto do Quarteto de cordas Vita Brevis, composto por professores da Orquestra Geração, que interpretaram um reportório do período barroco ao clássico.

Provedora na Feira do Livro

Consulte toda a programação cultural.

Residência Faria Mantero

É no n.º 3 de um pequeno largo no Restelo que habita um edifício da década de 1940, projetado pelo arquiteto Vasco Regaleira, exemplo do revivalismo que caraterizou a arquitetura da época.

Em tempos, foi pertença de Enrique Mantero Belard, um bem-sucedido empresário do século XX, gestor de uma avultada fortuna, construída a pulso nas roças de cacau de São Tomé e Príncipe pelos seus antepassados, e de sua mulher, D. Gertrudes Verdades de Faria.

Mas o edifício tornou-se muito mais do que uma mera referência arquitectónica. Pela sua afinidade com as artes e atenta aos mais desfavorecidos, D. Gertrudes tinha um desejo: que, após a sua morte, ali passasse a funcionar uma ‘casa’, um verdadeiro ‘lar’ para cidadãos que se distinguissem pelo mérito cultural. Enrique Mantero de Belard concretizou o sonho da mulher: “Fortuna, método, generosidade, apreço pelas artes e cultura ou altruísmo foram ingredientes pessoais que o casal teve a sabedoria de conseguir combinar nas doses certas para fazer nascer uma obra humanitária singular a nível nacional. Obra em muito sonhada por ela. Mas no todo executada por ele”. (1)

E assim nasceu, em 1986, a Residência Faria de Mantero, doada, inicialmente, à Fundação Calouste Gulbenkian, que a transmitiu, posteriormente, à Misericórdia de Lisboa, para acolher “pessoas idosas, cultas de mérito e necessitadas”. (2) Por ali já passaram, nos seus últimos anos de vida, figuras como a pintora e ilustradora Maria Keil, a fadista Teresa Tarouca, a escritora Olga Gonçalves, o poeta e ensaísta António Ramos Rosa ou o pintor Barata Moura.

“Esta é uma casa feita de forma personalizada para quem aqui passa. É o que a torna tão especial”, explica Neli Monteiro, diretora da Residência. “Temos poucos utentes, todos ligados à cultura, à escrita e às artes, sendo que alguns deles mantêm as atividades profissionais. É uma ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas) de portas totalmente abertas. As pessoas têm liberdade para sair, para ir ver espetáculos, dar aulas, fazerem os seus passeios”.

A casa principal tem capacidade para cinco utentes, dispõe de um salão com capacidade para acolher eventos diversos (o último foi uma ópera), uma sala de jogo e outra de leitura, sendo que o sítio mais requisitado e visitado é a varanda sobre o jardim.

Residência Faria Mantero

É aí que Teresa Abecassis, pintora, passa a maior parte do seu tempo desde que chegou à residência há oito anos, depois de ter sofrido, em 2004, dois aneurismas que lhe roubaram a memória de curto prazo. Apesar disso, não esqueceu a técnica de pintar, algo que continua a fazer e que mostra, com orgulho: tem mais de 15 aguarelas no seu quarto, que quer expor em breve.

Além da casa principal, a estrutura residencial da Misericórdia de Lisboa ganhou, em 2022, três apartamentos de tipologia T0+1 (que se somam aos dois que já existiam), dotados com zona de estar/dormir, kitchenette (equipada com eletrodomésticos), televisão, telefone, internet e ar-condicionado, conferindo mais autonomia e conforto aos utentes.

“Os apartamentos estão dotados de condições para uma maior autonomia de quem neles habita. Foram pensados para mobilidade condicionada, têm pequenos eletrodomésticos para quem quiser cozinhar para si ou para quando recebem visitas. Tudo funciona em função da casa – refeições e tratamento de roupa, por exemplo –, mas as pessoas adaptam-se às suas necessidades. Até têm animais de estimação”, descreve Neli Monteiro.

É num desses apartamentos que encontramos a D. Helena. Recém-chegada – “estreei a minha casa no dia da coroação do rei Carlos III de Inglaterra”, diz-nos entre risos, como que se a sua chegada fosse, também ela, digna de coroação –, faz questão de nos mostrar duas pinturas, inéditas, feitas “só para mim”. Para cada uma delas, tem uma história: “o Carlos Pereira [autor das obras] só faz trabalhos a preto e branco e eu devo ser a única pessoa que tem coisas dele a cores. Um dia, viu-me a desfazer um casaco de cabedal (porque eu adoro fazer coisas com cabedal). Pediu-me um bocado e fez-me aquele desenho, que tem mais de 50 anos. Já me tinha feito também uma mosca verde no mesmo cabedal, mas esse já não está comigo. Ofereci ao Júlio Cortázar [escritor argentino], em Paris, por ele ter escrito um conto chamado A Mosca Verde”.

Da história benemérita de Enrique Mantero Belard fazem parte também os Prémios Nunes Correa Verdades de Faria instituídos, por vontade expressa no seu testamento, com o objetivo de destacar “os indivíduos que, em Portugal, mais tenham contribuído pelo seu esforço, trabalho ou estudos, para o cuidado e carinho dos idosos desprotegidos, para o progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas e o progresso no tratamento das doenças do coração.” (3)

D. Helena lê, neste ato, uma “profunda declaração de amor” de Enrique Mantero pela sua mulher: “ela morreu com problemas do coração. E ele, para a homenagear, deixou escrito que os prémios deveriam ter o nome dela. Ironia do amor, ele também morreu pelo coração que lhe falhou”.

Mais do que um lugar com história, a Residência Faria Mantero acolhe uma infinidade de histórias, vividas, sentidas e transmitidas por quem lá passa. Talvez fosse, também este, o propósito de Enrique Mantero e Gertrudes Verdades de Faria.

* (as referências 1, 2 e 3 foram retiradas do livro da Coleção Beneméritos, da SCML, dedicado a Enrique Faria Mantero).

“Experiência fantástica”: Uma aula na Escola de Natação para pessoas com cegueira

Catarina chega com antecedência ao Complexo de Piscinas do Jamor. A aula de natação para pessoas cegas/com baixa visão está agendada para as 14 horas, como acontece todos os sábados. Mas meia-hora antes já a colaboradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa sobe as escadas até à entrada principal e não vem sozinha. Com ela traz o seu cão-guia, companheiro inseparável de Catarina e os seus olhos no mundo.

É apenas a segunda vez que participa neste projeto da Escola de Natação Santa Casa, nascido da parceria com a Federação Portuguesa de Natação, com o apoio dos Jogos Santa Casa. Mas a vontade de repetir a experiência da primeira aula supera os constrangimentos para chegar ao Jamor por meios próprios.

“Há potencial, só temos a debilidade de isto não estar perto, por exemplo, de uma estação de metro, mas temos de dar a volta. O projeto tem tudo para funcionar”, diz Catarina.

A boa memória faz-lhe adivinhar o caminho até aos balneários e em poucos minutos já caminhamos com ela e o seu companheiro de quatro patas à beira da piscina, onde encontramos os restantes praticantes, Luísa, Suelene e Paulinho, e as duas treinadoras, Ana Santos e Cátia Fonseca.

À exceção de Catarina, os restantes companheiros são (Luísa e Suelene) ou foram (Paulino) utentes do Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, estabelecimento integrado na Santa Casa que tem como missão promover a reabilitação de pessoas com cegueira adquirida ou baixa visão, visando a sua autonomia e inclusão.

aula de natação

Um mundo diferente

Os quatro nadadores do dia entram na água, numa pista alargada a duas, mas dividida ao meio em termos de comprimento. Chegou a hora de estar atento às indicações das treinadoras, mas, em simultâneo, de descontrair num meio controlado, muito diferente do que o mundo lá fora representa para uma pessoa com cegueira.

“A água permite uma facilidade de descontrair. As pessoas cegas, por natureza, estão sempre alerta. Há uma tensão muscular. Por exemplo, hoje a Ana disse-me ao início que a piscina tinha a corda ao fundo. A partir daquele momento fica definido o espaço, a área de segurança”, refere Catarina, que na pista ficou encostada à corda do lado esquerdo.

“É importante termos as cordas para tocarmos, porque isso dá-nos uma segurança espacial. Há pouco fiquei contente, porque o rapaz do lado veio para o meu lado e eu disse-lhe: ‘Olha, não sou a única que sai fora de rota!”, acrescentou, entre risos.

Do lado oposto da pista está Paulino. Já não frequenta o Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, mas a ligação manteve-se e daí surgiu esta oportunidade. É a quarta vez que vem à piscina e o facto de ser o único homem entre tantas mulheres não o intimida.

“Já me sinto à vontade. Sou cabo-verdiano e lá andava sempre na praia, por isso é normal”, explica, bem-disposto.

No mesmo tom animado está Luísa, que partilha o lado direito da pista com Paulino: “A dificuldade maior para mim é o direcionamento, mas as professoras portam-se muito bem. Quem se pode portar mal é a aluna!”.

Balanço positivo

Os 45 minutos da aula esgotam-se rapidamente e o entusiasmo de Suelene, já fora da água, fala por si.

“Tem sido uma experiência gratificante. Já tinha tido contacto com a água, mas não tinha as técnicas. Vinha com medo quando cheguei, por não conhecer o espaço ou de chocar contra os colegas, porque a minha baixa visão não é recente, mas houve um agravamento e ainda estou a conhecer espaços. Mas agora já estou mais descontraída, as profissionais têm sido impecáveis”, relata ao lado de Ana e Cátia, cujos sorrisos não conseguem esconder.

“Um bem-haja à Santa Casa. Tem sido uma oportunidade fantástica, que de outro modo eu não poderia ter. Estou muito feliz pela experiência”, conclui Suelene.

Esse receio inicial também aconteceu com Catarina quando nadou pela primeira vez e a colaboradora da Santa Casa admite-o, até devido ao desafio de comunicar com tanto ruído à mistura.

“Quando qualquer pessoa, cega ou não, chega a um sítio novo, há o chamado receio inicial. No nosso caso, a capacidade auditiva neste meio fica sempre afetada, porque há muito barulho à volta e temos de ter a noção de distinguir de onde vem o comando. Mas há uma linguagem de toque, um toque para parar ou continuar. Quando há uma maior ligação, podemos reparar que além da voz começa a haver um código de toque”, frisa Catarina.

As treinadoras Ana e Cátia também são relativamente novas nesta função. Isto porque apesar de terem anos de experiência na natação, nunca tinham trabalhado com pessoas cegas/com baixa visão.

“Ao início foi um desafio um bocadinho assustador, mas está a correr muitíssimo bem e é gratificante”, afirma Ana, dizendo ainda que os alunos “têm-se portado lindamente, tem havido uma grande progressão e já conseguem fazer praticamente tudo”.

Por seu lado, Cátia sublinha que este “é um processo de aprendizagem também para as professoras”, que vão “criando estratégias” para responder aos desafios de cada aula.

aula de natação

Um projeto para crescer

Esta vertente da Escola de Natação Santa Casa nasceu da intenção de aproveitar ao máximo os patrocínios existentes, tornando-os úteis, e retirar deles uma lógica de responsabilidade social. Estabelecido o projeto da Escola de Natação Santa Casa em 2019, nasceu este ano o projeto-piloto para pessoas cegas/com baixa visão e o objetivo passa por divulgá-lo, incentivar à sua replicação por parte de outras entidades e, quiçá, expandi-lo num futuro próximo.

Maria da Cunha, subdiretora da Direção de Comunicação e Marcas da Santa Casa, aborda a importância deste tipo de iniciativas.

“Queremos, com estes projetos de promoção do desporto adaptado, demonstrar que o desporto deve ser entendido como uma importante ferramenta na inclusão e integração social da população com necessidades especiais. O objetivo para o qual continuamos a contribuir é que as pessoas com deficiência possam ter uma vida ativa ou mais normal possível. Todos sabemos que a prática de desporto pela população melhora a saúde, aumenta o grau de autonomia, reforça a autoestima e aumenta a capacidade de relacionamento com os outros. É com este espírito e visão que desafiámos, este ano, a Federação de Natação, a alargar o projeto das Aulas de Adaptação ao Meio Aquático, da Escola de Natação Santa Casa, iniciado em 2019, a um novo público-alvo, desta feita, utentes e colaboradores cegos e com baixa visão”, começa por dizer.

A responsável da Santa Casa lembra que este projeto “contempla, para já, 8 vagas e o objetivo passa por divulgá-lo, incentivar à sua replicação por parte de outras entidades e, desta forma, ajudar a Federação Portuguesa de Natação a promover o desporto adaptado”.

“O projeto está a ser um sucesso em termos de adesão, temos já um universo total de 30 utentes de equipamentos e colaboradores a frequentar as aulas de natação e cinco utentes e colaboradores a participar nas aulas de natação adaptada. O feedback que temos, por parte dos utentes, é fantástico. Estamos muito satisfeitos e orgulhosos com a concretização desta nova vertente para a natação para cegos e pessoas com baixa visão. É, de facto, um projeto diferenciador”, resume Maria da Cunha.

Por seu lado, Isabel Pargana, diretora do Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, elogia o projeto em duas perspetivas.

“Primeiro a vivência do real, do contexto natural. Faz todo o sentido que tenham esta perspetiva de que há vida para além da cegueira. Não têm de ficar agarrados à sua condição, podem continuar a ter atividades sociais lúdicas, recreativas… Outra perspetiva, que é ótima: a possibilidade de porem em prática um conjunto de competências que ali desenvolvem e transferi-las para o mundo real”, sublinha.

Já Pedro Brandão, responsável da Federação Portuguesa de Natação e coordenador do projeto, explica que a ideia tem vindo a evoluir e pode ser replicada.

“Estamos numa fase de aprendizagem. Por isso, de momento estamos a trabalhar só com adultos. A ideia é em breve capacitar os professores para poderem trabalhar com idades a partir dos cinco ou seis anos. Desta forma, logo que consolidado o projeto no núcleo do Jamor, estaremos em condições, juntamente com os Jogos Santa Casa, de replicar o modelo para outras piscinas, alargando e diversificando a base de trabalho, e aproximando-nos mais dos centros de ensino das crianças e das respetivas zonas de habitação”, termina.

Centro de Desenvolvimento Comunitário é motor do Bairro dos Lóios

A funcionar deste o início dos anos 80, o Centro de Desenvolvimento Comunitário do Bairro dos Lóios, em Marvila, é uma das entidades deste género mais antigas na cidade e continua a crescer. Atuando junto de uma população com várias faixas etárias, o Centro tem contribuído para a coesão e desenvolvimento do bairro.

“Funcionamos de uma forma intergeracional, é essa a premissa”, sublinha Maria João Teixeira, diretora do Centro de Desenvolvimento Comunitário, que aponta a “resposta de proximidade com todas as gerações” como um fator fundamental.

“Como o Centro funciona na base da relação com as pessoas, tem acrescentado muito à comunidade e formado gerações diferentes, deixando uma marca inevitável. E dou um exemplo muito prático: se perguntarem aqui no bairro onde é a Santa Casa, vão ouvir que é isto, que é o Centro. Estamos na proximidade com uma resposta de qualidade e multidisciplinar”, explica a diretora.

O trabalho do Centro de Desenvolvimento Comunitário do Bairro dos Lóios apresenta diversas respostas sociais e atividades dirigidas à população, como centro de dia, animação educativa, espaço de inclusão digital, expressão de movimento, boccia, caminhadas, coro, meditação ou ginástica.

“É uma resposta de ADN comunitário”, resume Maria João Teixeira.

Festival animou o bairro

No passado sábado, dia 20 de maio, decorreu o Festival CulturLóios e o Centro de Desenvolvimento Comunitário, entre outras entidades, não deixou de marcar presença. Este festival nasceu em 2017 com o claro objetivo de construir uma comunidade de pessoas mais felizes, confiantes e empáticas. O dia foi repleto de animação para toda a família e estimulou o convívio entre todos, saudando a diversidade e autenticidade existentes no bairro.

Entre as atividades praticadas estiveram uma caminhada histórica, capoeira, artesanato, dança ou desfile de moda, e não faltaram também um espaço criança, outro de restauração e, claro, muita música.

O Festival CulturLóios tem, de resto, já prometido o regresso no próximo ano, a 18 de maio.

Foto: Movimento de Escola Fotográfica

Santa Casa distinguida pela Associação Portuguesa de Contact Centers

Contact Center do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi duplamente premiado na conferência anual da Associação Portuguesa de Contact Centers, um evento que visa reconhecer e premiar quem mais se distinguiu ao longo do ano nesta área.

Assim, e na senda dos prémios que já vem conquistando desde 2009 (só não venceu em 2020), o Contact Center do Departamento de Jogos venceu o 1.º prémio na categoria geral de “Contact Centers com menos de 100 agentes” e também o 1.º prémio na área de “Serviços e Comércio”.

Estas distinções simbolizam o reconhecimento do trabalho diário realizado por todo o Departamento de Jogos da Santa Casa.

Exposição “Oito relíquias, Oito santos e muitas coisinhas” abre ao público na Galeria de Exposições Temporárias do Museu de São Roque

A inauguração da exposição decorreu ontem, véspera do Dia Internacional dos Museus, na Igreja de São Roque, numa cerimónia que contou a presença da provedora da Santa Casa, Ana Jorge, da secretária de Estado da Cultura, Isabel Cordeiro, além de outros convidados.

Oito relíquias, Oito santos e muitas coisinhas insere-se no projeto reliquiarum, coordenado pelo Professor António Camões Camões Gouveia a partir da coleção de relíquias do Museu de São Roque, uma das mais importantes do género em toda a Europa, e cujo objetivo principal é estudar e compreender o universo das relíquias nas suas múltiplas aceções e abordagens.

Como explicou, na ocasião, Teresa Morna, diretora do Museu de São Roque, trata-se de “um projeto multidisciplinar, que ultrapassa o elemento físico da relíquia e do relicário com o intuito de chegar ao seu conteúdo imaterial de índole social e cultural. É um estudo antropológico e artístico dos relicários e da sua importância ao longo de várias épocas”.

Para a provedora da Misericórdia de Lisboa, esta exposição e este projeto inserem-se naquele que é um dos principais propósitos da instituição: “A Santa Casa, além da sua atuação na área da ação social e na proteção dos mais desfavorecidos, desenvolve a sua atividade também na área da cultura, permitindo que esta chegue a todas as pessoas de uma forma equitativa. Esse é um orgulho da instituição e da sua missão, no papel que desempenha para a preservação da cultura e do património português”. Ana Jorge adiantou que, atualmente, estão a ser desenvolvidas ações impulsionadoras nesta área, “não só relativas ao Museu de São Roque, mas a vários outros aspetos culturais, nomeadamente sobre a cultura portuguesa”, referindo-se à abertura da Casa da Ásia, com a coleção de Francisco Capelo, “que virá ao encontro daquilo que é a presença de Portugal no mundo e na arte asiática”.

Provedora na apresentação da exposição

Também a secretária de Estado da Cultura fez questão de valorizar o “riquíssimo património que a Santa Casa tem vindo a saber reunir, estudar e comunicar há mais de cinco séculos. A sabedoria na conservação, estudo e valorização desse património, que esteia toda a nossa atividade nos museus, está bem patente na Igreja de São Roque”. Isabel Cordeiro enalteceu o projeto reliquiarum, tendo em conta que “nos proporciona, num sentido lato, observar e alcançar a devoção humana na sua praxis devocional. Daí que o estudo das relíquias, na abordagem interdisciplinar que a matéria pode exigir, a sua conservação e restauro enquanto bens de considerável profusão e de enorme fragilidade, mas também a sua divulgação enquanto património que se inscreve simultaneamente no físico e no metafísico, mereçam a maior importância”.

apresentação da exposição

O projeto reliquiarum terá um portal próprio, onde serão disponibilizados os dados adquiridos, com a identificação e tipologia das relíquias, o santo de devoção e suas características, referentes não só às que pertencem à coleção de São Roque, mas também às que integram o acervo de outras misericórdias, dioceses, paróquias, museus municipais e nacionais.

Por ocasião da cerimónia, foi também apresentado o novo site do Museu de São Roque, que estará disponível brevemente numa formatação mais apelativa e acessível a todos, incluindo a pessoas com deficiência. O espaço online pretende vir a disponibilizar todas as peças que integram os acervos museológicos da Santa Casa, que ascendem a mais de cinco mil.

galeria da exposição

Conventos de Lisboa abrem portas para receber visitas gratuitas

Lisboa é pontuada por edifícios que outrora foram casas de comunidades religiosas e que hoje cumprem propósitos bem diferentes. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa, o Quo Vadis – Turismo do Patriarcado de Lisboa e o Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa desafiaram várias instituições a abrir as portas de edifícios que, originalmente, foram conventos.

A sessão de abertura decorre no dia 24 de maio, às 18h00, na Sala de Extrações da Lotaria Nacional, instalada num dos antigos claustros da Casa Professa de São Roque, e, no dia 25 de maio, no Museu da Marioneta, antigo Convento das Bernardas, terá lugar, a partir das 15h00, a conversa “Conventos e habitação. A maioria das atividades terá lugar entre 26 e 27 de maio, com variadíssimos conventos de portas abertas e também visitas guiadas e percursos pedestres.

Em quatro dias, são 32 os antigos conventos que vão abrir as portas para receber quem os queira conhecer, participar numa das visitas guiadas, percorrer um dos vários itinerários ou apenas entrar para ver o seu interior.

Esta iniciativa, dirigida a toda a população, dedica-se à divulgação do património e da história dos conventos de Lisboa e conta com a colaboração de voluntários para acolher os visitantes e prestar informações sobre a memória de cada lugar.

O programa, os itinerários e a informação histórica e cultural sobre cada convento estão disponíveis, aqui.

A família que dá o “colo” quando não existe outra

Foi na Colónia Balnear de São Julião, na Ericeira, equipamento sob a gestão da Misericórdia de Lisboa, que decorreu no passado domingo, o II Encontro de Famílias de Acolhimento. Ao todo, foram mais de 80 famílias que não faltaram “à chamada”, para um dia inteiro de confraternização, amizade, muitas brincadeiras e jogos para os mais pequenos.

O espaço decorado a rigor para receber miúdos e graúdos, com balões, almofadas gigantes, molduras festivas e um mural para as famílias escreverem frases que caracterizam a sua experiência, enquanto família de acolhimento. Atrás do edifício principal da colónia, uma caça ao tesouro e um jogo de futebol improvisado, faziam ecoar gargalhadas e palavras de incentivo pelo vale que se estende entre a colónia e a praia de São Julião.

O casal Sofia e Tiago e os seus filhos de 4 e 6 anos foram uma das famílias que não quis faltar ao encontro. Desde 2021 que “dão colo” a João (nome fictício) de 4 anos. O facto de saberem que o menino só ficará com eles até a família de origem estar pronta para o ter de volta não os dissuade. “É um desafio, mas a vontade de poder fazer a diferença na vida desta criança é maior que qualquer entrave que possa existir”, afirma Sofia. “Nós achamos que estamos aqui só para dar, mas também recebemos muito.”

Uma aventura que começou quando Sofia estava no trânsito, o autocarro ao seu lado tinha a publicidade da campanha sobre o programa de acolhimento familiar LX Acolhe, da Santa Casa. Para o casal, que já tinha ponderado em ter mais um bebé, o “sim” foi imediato e os filhos de ambos, quase com a mesma idade do João, estiveram envolvidos na decisão desde o primeiro momento. “Nós explicámos desde o início aos nossos filhos quem era o João. Eles perceberam a importância que iríamos ter na vida desta criança, mas, por outro lado, ficaram ansiosos porque perceberam que existem crianças que não estão com os seus pais, mas acabaram por receber o João super bem”, conta Sofia.

Casal a tirar foto

Neste dia dedicado a celebrar o amor e a família, todos os participantes do encontro foram chamados a participar. Enquanto que os mais pequenos se deliciavam com as inúmeras atividades que a equipa da direção de Infância e Juventude da Santa Casa tinham preparado para eles, os pais, avós e irmãos mais velhos eram desafiados a conhecerem-se melhor, a partilhar experiências e a participar na sessão de esclarecimento sobre os desafios e barreiras do que é ser uma família de acolhimento.

Ana Pais, de 35 anos, é uma família de acolhimento que quebra com os estereótipos da sociedade relativamente ao que é esperado. Solteira e com uma vontade enorme de fazer a diferença na vida de alguém, candidatou-se como família monoparental a acolher uma jovem de 14 anos. Fruto da sua atividade profissional, onde lidou de perto com crianças e jovens em risco, desde o primeiro momento, que sentiu vontade de dar um pouco de si a quem mais precisa.

“Sou só eu na vida dela neste momento, mas temos que construir alicerces para ela conseguir crescer e ter um futuro feliz”, frisa a jovem, salientando que “estes jovens e crianças só precisam de uma família e de alguém que lhes transmita e dê amor, um lar e um espaço para desenvolverem o melhor que podem ser”.

senhora a tirar foto

Acolher uma criança é devolver-lhe a infância

Estas famílias ficam responsáveis “por satisfazer todas as necessidades prementes da criança, sejam elas emocionais, físicas, de saúde, de educação ou de transmissão de valores, sempre numa lógica em contexto familiar, pois a família biológica continua, na maioria das vezes, a ter um papel a desempenhar”, refere Isabel Pastor, diretora da Unidade de Adoção, Apadrinhamento Civil e Acolhimento Familiar da Misericórdia de Lisboa.

Ser família de acolhimento é para quem quer muito, mas ainda existem alguns “estigmas que devem ser explicados”. “Fala-se em família, mas família é todo o ambiente, mais do que propriamente um conjunto de pessoas. Podem ser família de acolhimento uma só pessoa, casais, pessoas que convivem com outras pessoas no seu lar, que não tem de ser necessariamente na fórmula de casal, sendo que é necessário ter no mínimo 25 anos, mas sem um limite etário estabelecido, porque isso depende da energia e da capacidade de cada um”, reforça a Isabel Pastor.

Quando as famílias decidem avançar para o processo de acolhimento familiar, sucede-se a formação inicial, a avaliação psicológica dos candidatos e a fase de visitas técnicas à habitação e envolvimento do núcleo familiar. Uma vez selecionados os candidatos, estes entram na bolsa das famílias de acolhimento e a Misericórdia de Lisboa faz a respetiva ligação com as crianças, geralmente sinalizadas pelas instituições onde se encontram ou pelas quais são acompanhadas.

Senhora a falar para famílias

“O acolhimento familiar é um processo temporário, é uma medida de promoção e proteção. Na maioria dos casos nos processos de acolhimento familiar existe uma relação temporária entre a família e a criança ou jovem, com o fim de procurar posteriormente uma solução permanente, seja, como na maioria dos casos, a reintegração na família de origem, ou, se isso não for possível, a integração numa família permanente, pela via da adoção”, explica a responsável.

Neste momento, existe perto de uma centena de famílias escolhidas para acolhimento familiar, algumas delas monoparentais, sendo que 120 crianças já beneficiariam desta medida de acolhimento familiar, em vez de uma institucionalização precoce.

Quer ser família de acolhimento? Quem pode concorrer? O que deve ter em conta na hora de apresentar candidatura? Estas e outras respostas estão disponíveis na área “Acolhimento Familiar“.

Play Video about menina a andar de baloiço

“Ser enfermeiro é uma filosofia de vida”

David Sabroso soube aos 5 anos de idade que queria ser enfermeiro ‘quando fosse grande’. “Não, não é um cliché. Quando tinha essa idade, passei por um problema de saúde grave e o hospital foi a minha segunda casa durante algum tempo. Comigo estiveram sempre os enfermeiros de serviço, algo que me marcou muito. Desde então que, para o meu futuro profissional, não me imaginei a fazer outra coisa”.

Já Ana Franco revela que só aos 24 anos é que tomou a decisão de tirar o curso de Enfermagem. “A minha mãe é enfermeira, mas eu nunca pensei enveredar por esse caminho. Andei muito pelas Artes (fiz o curso de dança no Conservatório), na Economia e Gestão, mas nunca ser enfermeira. Hoje, olho para trás e não me imagino a fazer mais nada”.

Ambos os profissionais estão na Santa Casa há mais de uma década – David conta com 12 anos e Ana vai já nos 19. “Nos primeiros quatro anos do meu percurso profissional, passei pelo serviço de Pneumologia no hospital Pulido Valente e pelos cuidados intensivos do hospital da Cruz Vermelha e de Santa Maria. Cheguei à Santa Casa em 2004 e integrei o Polo de Apoio Domiciliário, passando, mais tarde, para o projeto ADI – Apoio Domiciliário Integrado. Paralelamente, prestei apoio em lares de idosos, área pela qual me apaixonei e na qual fui ficando”, conta a enfermeira.

David, por seu turno, começou nos lares de idosos, no âmbito de um protocolo firmado, na altura, entre as Instituições Particulares de Solidariedade Social e a Misericórdia de Lisboa. Passou por outras unidades ao longo dos anos até chegar, em junho de 2020 (início da pandemia da covid-19), ao Polo de Cuidados de Saúde no Domicílio Oriental, onde se mantém.

O público sénior é, para Ana e David, aquele que mais gostam de cuidar. “É na geriatria que me sinto particularmente bem”, confessa Ana. “É uma população de que gosto muito e que deveria ser mais valorizada. São pessoas que têm outro tipo de exigências, porque vão ficando mais debilitadas, com morbilidades que vão aparecendo. Aliás, a grande maioria delas entra nos nossos lares sempre por motivos de saúde”.

E explica: “Felizmente, as pessoas vão ficando mais tempo em casa [antes de precisarem de recorrer às ERPI – Estruturas Residenciais Para Idosos], o que é um ótimo sinal, pois significa que têm condições – tanto do ponto de vista social como do da saúde – para continuarem nas suas residências. E, aqui, a Santa Casa desempenha um papel de crucial importância, uma vez que consegue providenciar apoio em várias vertentes para que tal aconteça. O combate à solidão, por exemplo, é feito com a ajuda de voluntários da instituição”.

Ana Franco insiste na desvalorização de que a população idosa é vítima: “Esquecemo-nos facilmente que estas pessoas já foram chefes de família, já dirigiram uma empresa, educaram os seus filhos… foram muito importantes para a sociedade e contribuíram muito durante as suas vidas. Agora, parece que são olhadas apenas como alguém a quem tem de se mudar a fralda ou empurrar a cadeira de rodas… E elas são muito mais que isso. Têm histórias riquíssimas para nos contar… Reitero: gosto dos mais velhos pelos contributos que nos dão e pelos contributos que nos deixam”.

David assina por baixo das palavras da colega. Para ele, este sentimento pelos mais velhos “é transversal a quase todos os enfermeiros. A experiência que têm na sua bagagem, que depois nos transmitem, enriquece-nos e motiva-nos para fazermos o nosso trabalho. Para mim, é muito gratificante trabalhar com estas pessoas, pois tento pôr-me um bocadinho no lugar delas. É algo, aliás, por que pauto o meu trabalho todos os dias: imaginar como é que gostaria de ser tratado daqui a uns anos”.

Ana Franco

Ana Franco

“Ser enfermeiro é uma forma de estar na vida”

Nos muitos anos de profissão que já levam, Ana e David viveram algumas ocasiões difíceis e o início da pandemia da covid-19 foi uma delas. Estiveram sempre a trabalhar, em contacto diário com pessoas infetadas, o que os fez recear por si e pelos seus em alguns momentos.

Mas as dificuldades sentem-se das mais variadas formas no dia-a-dia. A maior delas prende-se com o lado emocional que tem de ser gerido, apesar de “fazer parte do ofício”, como diz a enfermeira Ana. “Os nossos utentes são a nossa segunda família, estamos com eles todos os dias, lidamos com eles todos os dias, com os seus problemas, com a sua vida, com a sua família. E, apesar de ali estarmos enquanto profissionais, somos todos humanos e criamos laços com as pessoas. Sabemos que estão já numa fase final da sua vida mas, ainda assim, quando partem, é sempre doloroso e acaba por nos afetar”.

David concorda: “Alturas houve em que senti que muitos cidadãos não valorizavam o nosso trabalho, apenas quando necessitavam de nós. Mas, hoje – e a pandemia muito contribuiu para isso –, as circunstâncias são diferentes, parece que houve um ponto de viragem. Há um reconhecimento muito grande pelo nosso trabalho e pelo papel importantíssimo que desempenhamos na sociedade. Sinto-me muito valorizado pelas pessoas de quem cuido. Às vezes, nem precisam de comunicar verbalmente. Basta um toque e eu percebo o que me querem transmitir. E isso enche-me o coração”.

“Sinto-me sempre enfermeira”, diz Ana a rir. “Para mim, ser enfermeira é uma forma de estar na vida. Dou-lhe um exemplo: estou no ginásio a observar alguém a fazer exercício e a pensar que amanhã esse alguém vai estar cheio de dores de costas. Ou, outro exemplo: há dias fui jantar fora e assisti a uma jovem alcoolizada a precisar de assistência médica. Chamei o INEM e não saí do pé dela enquanto a ambulância não chegou”.

Histórias de e para a vida

Numa área que lida com a delicadeza da vida humana, é quase impossível não haver histórias marcantes, positivas e negativas, que estes profissionais da saúde transportam consigo. “Estaríamos aqui muitas horas só a contar histórias”, diz-nos David sem disfarçar o orgulho e o sorriso. “Mas, para mim, há um episódio que recordarei para sempre. Ocorreu quando trabalhava ainda na unidade de saúde do bairro do Armador. Estava quase a terminar o meu turno quando fui alertado por uns vizinhos relativamente a uma senhora que estava a sentir-se mal. Pensei que não seria nada de grave ou extraordinário, talvez uma má disposição. Mas quando chego à rua, deparo-me com uma senhora em paragem [cardiorrespiratória]. Acionei de imediato o INEM e fiz as manobras de reanimação durante vários minutos até chegar a ambulância que transportou, entretanto, a senhora para o hospital. E eu apenas pude ficar a desejar que tudo corresse pelo melhor. Não tive mais notícias sobre o sucedido até que, passados dois ou três meses, a tal senhora apareceu na unidade de saúde com o neto ao colo, para me agradecer ‘o facto de o poder ver crescer’… Isto porque lhe contaram que tinha sido eu a fazer as manobras de reanimação que a salvaram. Ela fez questão de ir ao meu encontro para agradecer o facto de ter sobrevivido… Nunca mais na vida esquecerei esta situação. Fui para casa de coração cheio. E ainda hoje, sempre que me vê, a senhora cumprimenta-me e agradece-me”, conta, emocionado.

Já Ana confessa-nos que as situações mais marcantes e relevantes da sua vida profissional, sobretudo com os idosos e nas ERPI, “têm mais que ver com o lado da saúde mental. Talvez venha daí a minha opção por me especializar nesta área. Comecei a perceber, em determinada altura, que este tipo de questões é transversal a qualquer serviço de saúde, não estão confinadas aos hospitais psiquiátricos, sendo também transversais a qualquer fase da vida”. E explica: “Tal fez com que eu começasse a trabalhar em mim própria a capacidade de lidar com pessoas ‘especialmente difíceis’ e com quem acabo por desenvolver uma relação de maior proximidade porque elas sabem que eu as entendo. É um trabalho de inteligência emocional que tenho vindo a desenvolver comigo própria para conseguir lidar com estas diferenças e de que muito me orgulho”. A enfermeira aproveita para deixar uma mensagem: “Trabalhar na área da saúde mental é muito desafiante e é preciso simplificar a questão e assumir a necessidade de procurar ajuda quando necessário. É preciso aligeirar e simplificar este assunto. Todos nós, em determinada altura da nossa vida, temos perturbações do foro mental ou uma crise de ansiedade, ou uma atitude mais depressiva”.

David Sabroso

David Sabroso

O orgulho de trabalhar na Santa Casa

Ana e David não comemoram, de forma particular, o dia dedicado ao Enfermeiro. O 12 de maio assinala uma efeméride importante [aniversário de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna], sem dúvida, mas, para eles, o dia do Enfermeiro é todos os dias. “É como o Dia da Mãe”, comparam.

Mas há algo que comemoram muitas vezes, até porque o sentem como privilégio: o facto de poderem desempenhar a sua missão numa instituição como a Misericórdia de Lisboa. “Trabalhar nesta Casa realiza-nos imensamente, no sentido em que conseguimos prestar cuidados aos utentes de uma forma holística. Sobretudo, por exemplo, no apoio domiciliário, o ato de irmos tratar de uma ferida a alguém não é, na maior parte das vezes, o mais importante. Mais importante que isso é perceber porque é que aquele alguém tem uma ferida: estará a alimentar-se bem? Estará bem posicionada? Talvez necessite de uma intervenção mais social, que passe por ter alguém que a ajude na alimentação ou nos seus cuidados de higiene. O nosso trabalho não se faz apenas com curativos ou injetáveis, com a preparação de terapêutica ou com a administração de fármacos.

É aqui que nós somos diferenciadores. Conseguimos ser enfermeiros de ligação na medida em que falamos com o [departamento de ação] social e alguém vai fazer a higiene da pessoa, tratar da alimentação ou limpar a casa; falamos com o voluntariado e alguém vai fazer companhia ao utente e acompanhá-lo nas consultas médicas; falamos com a polícia de proximidade e consegue-se um acompanhamento para o utente ir às compras ou levantar a reforma. E isto é que configura uma prestação de cuidados de forma completa, holística e abrangente, como aprendemos na faculdade. Seria, aliás, ingrato e frustrante se só pudéssemos ir a casa das pessoas ‘fazer o penso’. Por isso, trabalhar nesta instituição, que detém esta enorme infraestrutura em termos materiais e humanos, é um real privilégio e verdadeiramente gratificante”.

No Dia Internacional do Enfermeiro, a Santa Casa agradece a todas as Ana e a todos os David pela entrega, disponibilidade, resiliência e carinho que colocam na sua missão de cuidar dos que mais precisam.

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

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