logotipo da santa casa da misericórdia de lisboa

Marcha da Santa Casa ultima participação no desfile na Avenida

Desde o final do mês de março que os 53 participantes na marcha “que é de todos” se preparam para a noite mágica de segunda-feira, véspera do feriado de Santo António. É uma noite mágica para todos, por isso, já sentem o nervosismo a aproximar-se.

Nesta quarta-feira, em mais um ensaio matinal, contaram com um incentivo adicional: a presença do administrador da Santa Casa para a área social, Sérgio Cintra, do vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Diogo Moura, e do presidente da EGEAC, Pedro Moreira.

Nas suas intervenções, os responsáveis fizeram questão de aplaudir, mas sobretudo de agradecer o empenho de todos naquela que é a “marcha mais querida de Lisboa”.

Para Diogo Moura, esta participação da Santa Casa é ainda mais significativa, tendo em conta a comemoração dos seus 525 anos: “esta é uma marcha que agrega a intergeracionalidade e transmite à cidade aquilo que são os seus valores e a sua missão. É por aquilo que nos faz sentir e pela emoção que nos traz que se torna tão especial, não só para mim como para todos os lisboetas”.

diogo moura

Já para o administrador da Santa Casa, não há dúvidas: “esta marcha é de todos. É intergeracional. Nós recebemos mensagens de muitas pessoas de várias idades e de vários pontos do país que, depois de assistirem ao cortejo na televisão, nos contactam para agradecerem, por exemplo, a presença do senhor Carlos, que tem 84 anos, e que vai ser, este ano, o marchante com mais experiência a descer a avenida de Liberdade”.

sérgio cintra

Sérgio Cintra desvenda ainda um dos momentos altos da marcha da instituição no próximo dia 12: “Neste ano de comemoração do 525.º aniversário da Santa Casa, sentimos particular orgulho no arco com que vamos desfilar, que representa aquilo que todos os dias a Misericórdia é: sonho, esperança e concretização das Boas Causas”.

Santa Casa vence Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2023

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi distinguida com o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2023, na categoria Sustentabilidade, com o projeto da Residência Sénior Monsanto. O galardão foi atribuído ontem, dia 30 de maio, numa cerimónia que decorreu no Palácio Nacional da Ajuda e que assinalou a 11.ª edição do evento.

Ana Vitória Azevedo, vice-provedora da Santa Casa, subiu ao palco para receber o prémio e destacou o facto de esta distinção surgir numa altura especial para a instituição.

“A Santa Casa faz 525 anos e, portanto, este é um presente fantástico. Este edifício é uma benemerência. 90 por cento do património da Santa Casa resulta de benemerências, de alguém que nos deixa para fazer o bem aos outros. Neste caso foi a Nestlé”, recordou.

entrega do prémio nacional de reabilitação urbana

Crédito: Iberinmo Grupo

Situada em pleno Parque de Monsanto, a Residência Sénior Monsanto teve assinatura do arquiteto António Pedro Mendonça da Silva Gonçalves e começou a ser construída em 2018, aproveitando as instalações da antiga fábrica da Rajá, doadas à Misericórdia pela Nestlé Portugal. Conforme a necessidade de utilização, as novas instalações podem acolher uma Estrutura Residencial Assistida para Pessoas Idosas ou uma Unidade de Cuidados Especializados em Demências.

O edifício está equipado com quartos individuais e duplos, todos com casa de banho privativa e roupeiro, um centro de bem-estar e uma piscina adaptada para os utentes. Foi ainda dotado de um auditório exterior para pessoas com mobilidade reduzida, bem como de todas as infraestruturas de apoio necessárias: cozinha, lavandaria, copas de apoio por piso, áreas de atendimento, vestiários para funcionários e estacionamento exterior. A capacidade total é de cerca de 50 camas.

Dar voz a ações que fazem a diferença na vida dos jovens

São projetos e iniciativas que dão oportunidades, alternativas e melhoram a vida dos jovens e de quem tem dificuldades, desde apoio para encontrar uma casa, uma vocação, um emprego ou até mesmo uma simples bicicleta para se deslocarem. Ou ainda a quem encontrou uma nova vida numa família de acolhimento.

Em nove episódios, constituídos por reportagens sobre quem é ajudado, emitidos a partir da próxima terça-feira (30 de Maio), e entrevistas a quem ajuda todas as quintas-feiras, poderá conhecer alguns dos jovens que encontraram um rumo e uma saída em determinada altura das suas vidas.

“Entre pequenos projetos e grandes instituições num podcast, o resultado são ações que fazem a grande diferença na vida dos jovens”.

Feira do Livro de Lisboa acolhe iniciativa “Momentos do Cuidador”

Prestar cuidados e assistência a outras pessoas, geralmente a um familiar, amigo ou vizinho é um papel que milhares de portugueses já assumiram. São cuidadores a tempo inteiro, nalguns casos deixaram para trás carreiras e futuros, para auxiliar outras pessoas em inúmeras tarefas, desde a alimentação à administração de medicamentos, passando pelos cuidados da higiene ou deslocações.

Foi a pensar nestes casos que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa organizou mais uma ação da iniciativa “Momentos do Cuidador”, na última segunda-feira, 29 de maio, na Feira do Livro de Lisboa, com o objetivo de promover ações de sensibilização junto de quem tem pessoas a seu cargo de forma a melhorar a vida quer de cuidadores, quer das pessoas por eles cuidadas.

Ao longo de toda a tarde foram vários os momentos destinados a “mimar” estas pessoas, com um espaço reservado para massagens e descompressão muscular, realizado por diversos formandos do Centro de Educação, Formação e Certificação da Santa Casa.

Na sessão de abertura, Sérgio Cintra, administrador de Ação Social da Misericórdia de Lisboa, fez questão de salientar o importante papel que os cuidadores têm na “prestação de apoio a pessoas que se encontram numa situação vulnerável”, considerando que os cuidadores são uma “balança” importante para que “as pessoas possam permanecer, com qualidade, o mais tempo possível nas suas casas, retardando a sua institucionalização”.

Durante a sua reflexão, Sérgio Cintra frisou que é necessário alterar o paradigma no perfil do cuidador informal. Atualmente, é predominantemente a mulher que ocupa este papel, sendo que os dados apontam que mais de 80% são do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 45 e os 75 anos e que são as companheiras ou as filhas que prestam estes cuidados.

“Este é um trabalho que nós enquanto sociedade temos que fazer. É necessário convocar todos para esta necessidade e não deixar recair apenas sobre a mulher, com todos os impactos económicos, físicos e psicológicos que isto acarreta”, concluiu o administrador.

Outro dos intervenientes na sessão foi Paula Guimarães, coordenadora do grupo de trabalho dos cuidadores informais do Fórum para a Governação Integrada – Govint, que elogiou a iniciativa da Misericórdia de Lisboa, comentando que “são momentos como estes que podem fazer a diferença entre o estatuto do cuidador informal ser apenas uma resolução legislativa ou ser uma realidade para todos os cuidadores do país”.

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Fundação Aga Khan Portugal, Associação Alzheimer Portugal, Associação nacional de Cuidadores Informais, Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, Federação Portuguesa das Famílias com Doença Mental, Associação Coração Amarelo e DEIB Portugal foram as entidades presentes no evento, numa tarde animada que incluiu, ainda, um momento musical e várias tertúlias.

A mão que cuida nos momentos mais difíceis

Maria tem 63 anos e, até há uns anos, cuidava do pai, doente oncológico, que mais tarde viria a ter um acidente vascular cerebral (AVC) que o “atirou” para uma cama, em casa. Maria que até então sempre trabalhara como modista, viu-se de um dia para o outro, numa situação de vida que nunca imaginou.

“Foi tudo muito rápido. Sentíamos que ele (pai) já não estava muito bem, desde que teve a notícia que tinha cancro, mas o AVC que sofreu deitou-o abaixo e daí até não querer levantar-se, comer e viver foi um pequeno passo”, recorda Maria.

Tal como em diversos casos, Maria encarou o seu novo “trabalho” como uma missão. O pai, já com pouca ou nenhuma autonomia, dependia da filha para as tarefas mais básicas do dia a dia, como banho ou até para ler a correspondência que ia parar lá a casa. Aos poucos, as agulhas e os tecidos foram ficando para segundo plano e o cuidado do pai, viúvo há cinco anos, foram transformando a sua rotina diária.

“Foram tempos difíceis entre conciliar a minha casa, com a minha família e o auxílio ao meu pai. Algo tinha que ficar para trás e neste caso foi o meu trabalho diário. Felizmente tenho uma família que me apoiou e esteve sempre ao meu e ao lado do meu pai, até ao último dia”, conta a modista.

Sobre a ajuda da Santa Casa, Maria não tem dúvidas em afirmar que se não fosse a instituição, ela própria tinha tido um esgotamento. “Quando percebi que não consegui sozinha, recorri ao apoio da Santa Casa. Desde a primeira hora que foram incansáveis comigo. Foram uns anjos”.

Já se conhecem os grandes vencedores dos Prémios Clube da Criatividade de Portugal

Terminou, na passada sexta-feira (26), a 25.ª edição dos Prémios do Clube da Criatividade de Portugal (CCP) com a Gala de Entrega de Prémios que decorreu no Hub Criativo do Beato, no espaço da antiga Fábrica do Pão, em Lisboa, e na qual ficámos a conhecer os vencedores deste ano.

Com a assinatura da marca Jogos Santa Casa, o maior prémio da noite foi entregue ao projeto ABCLGBTQIA+, do canal Fox Life e da ILGA Portugal, criado pelo estúdio in-house da The Walt Disney Company em colaboração com a Stream and Tough Guy.

projeto abclgbtqia+ prémios clube da criatividade

Na ocasião, foi também conhecido o projeto vencedor do “Brief Aberto Jogos Santa Casa”, implementado para incentivar a nova geração de criativos portugueses, e que este ano teve como mote: “sabia que quando aposta nos Jogos Santa Casa está a apoiar uma série de causas?” E os grandes vencedores foram Pedro Almeida e Duarte de Brito e Cunha.

brief aberto jogos santa casa, vencedores prémio clube da criatividade

A marca da Misericórdia de Lisboa apresentou ainda, na Gala deste ano, o seu novo projeto para a procura por novos talentos no mercado de trabalho nacional e lançou o Safari Criativo Jogos Santa Casa, desenhado a pensar num problema com que os jovens se deparam quando terminam a sua formação académica: a entrada no mercado de trabalho. Este projeto visa possibilitar, no mínimo, cinco estágios remunerados a jovens criativos em agências e produtoras, durante três meses, para que possam conhecer as dinâmicas de trabalho e reconhecer a função que mais se adequa ao seu perfil.

Esta 25.ª edição dos Prémios do Clube da Criatividade de Portugal contou com o maior número de sempre de trabalhos a concurso na história do Festival, com 1030 inscrições feitas por 147 empresas. Foram entregues 44 ouros, 84 pratas e 114 bronzes. 

Conheça todos os premiados – 288 KB | PDF 

Santa Casa oferece diversidade cultural na Feira do Livro

A 93.ª Feira do Livro de Lisboa abriu ontem, dia 25 de maio, e este ano conta novamente com um stand da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que promete oferecer uma verdadeira diversidade cultural a quem passa.

Em termos de novidades, Andreia Afonso, do Centro Editorial da Santa Casa, começa por referir o projeto Relicário, do Museu de São Roque, “que começou com uma exposição e depois passou a um caderno de conferências”. Destacam-se ainda o livro Suor Frio e o Prata da Casa, “que não é um produto interno mas um patrocínio da Santa Casa e retrata um bairro de Lisboa na zona de Arroios”.

O stand da Santa Casa está localizado logo na entrada principal da Feira do Livro e ainda surpreende muitos visitantes.

“Muita gente fica admirada por estar aqui a Santa Casa. Mas depois há aqueles visitantes que já nos conhecem e já sabem o que procuram: ou é aquela ponta histórica que está perdida e que falta relacionar, ou são amantes da História de Arte, ou estudantes e investigadores de sociologia e querem perceber como está a demografia da sociedade… As pessoas ficam agradadas com o tipo de informação que encontram nos nossos livros”, relata Andreia Afonso.

Sobre a programação cultural, a técnica do Centro Editorial destaca, por exemplo, a atuação da banda Vertigem, “um grupo jovem, cujo baterista é utente do Lar Branco Rodrigues, é cego e estuda jazz”. Andreia Afonso não tem dúvidas de que “faz todo o sentido estarem presentes, são prata da casa”.

Outro dos destaques da programação vai para a Hora do Conto, “que visa atingir seniores, crianças e adultos com necessidades especiais, multideficiências”.

“Por exemplo, fizemos uma parceria com a Associação Portuguesa de Surdos e em determinadas Horas do Conto vamos ter um intérprete de língua gestual”, refere Andreia, sublinhando que o stand vai receber vários grupos de utentes da Santa Casa.

Provedora na sessão de abertura

A cerimónia de abertura da Feira do Livro juntou, no Auditório Sul do recinto, diversas personalidades. Na sessão participaram Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, Pedro Adão e Silva, ministro da Cultura, e Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ana Jorge, provedora da Santa Casa, marcou presença na primeira fila da plateia.

Após a cerimónia, Ana Jorge e o administrador com o pelouro da Cultura da SCML, João Correia, visitaram o stand da Santa Casa, localizado ao lado do Auditório Sul. A provedora teve ainda oportunidade de assistir ao concerto do Quarteto de cordas Vita Brevis, composto por professores da Orquestra Geração, que interpretaram um reportório do período barroco ao clássico.

Provedora na Feira do Livro

Consulte toda a programação cultural.

Residência Faria Mantero

É no n.º 3 de um pequeno largo no Restelo que habita um edifício da década de 1940, projetado pelo arquiteto Vasco Regaleira, exemplo do revivalismo que caraterizou a arquitetura da época.

Em tempos, foi pertença de Enrique Mantero Belard, um bem-sucedido empresário do século XX, gestor de uma avultada fortuna, construída a pulso nas roças de cacau de São Tomé e Príncipe pelos seus antepassados, e de sua mulher, D. Gertrudes Verdades de Faria.

Mas o edifício tornou-se muito mais do que uma mera referência arquitectónica. Pela sua afinidade com as artes e atenta aos mais desfavorecidos, D. Gertrudes tinha um desejo: que, após a sua morte, ali passasse a funcionar uma ‘casa’, um verdadeiro ‘lar’ para cidadãos que se distinguissem pelo mérito cultural. Enrique Mantero de Belard concretizou o sonho da mulher: “Fortuna, método, generosidade, apreço pelas artes e cultura ou altruísmo foram ingredientes pessoais que o casal teve a sabedoria de conseguir combinar nas doses certas para fazer nascer uma obra humanitária singular a nível nacional. Obra em muito sonhada por ela. Mas no todo executada por ele”. (1)

E assim nasceu, em 1986, a Residência Faria de Mantero, doada, inicialmente, à Fundação Calouste Gulbenkian, que a transmitiu, posteriormente, à Misericórdia de Lisboa, para acolher “pessoas idosas, cultas de mérito e necessitadas”. (2) Por ali já passaram, nos seus últimos anos de vida, figuras como a pintora e ilustradora Maria Keil, a fadista Teresa Tarouca, a escritora Olga Gonçalves, o poeta e ensaísta António Ramos Rosa ou o pintor Barata Moura.

“Esta é uma casa feita de forma personalizada para quem aqui passa. É o que a torna tão especial”, explica Neli Monteiro, diretora da Residência. “Temos poucos utentes, todos ligados à cultura, à escrita e às artes, sendo que alguns deles mantêm as atividades profissionais. É uma ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas) de portas totalmente abertas. As pessoas têm liberdade para sair, para ir ver espetáculos, dar aulas, fazerem os seus passeios”.

A casa principal tem capacidade para cinco utentes, dispõe de um salão com capacidade para acolher eventos diversos (o último foi uma ópera), uma sala de jogo e outra de leitura, sendo que o sítio mais requisitado e visitado é a varanda sobre o jardim.

Residência Faria Mantero

É aí que Teresa Abecassis, pintora, passa a maior parte do seu tempo desde que chegou à residência há oito anos, depois de ter sofrido, em 2004, dois aneurismas que lhe roubaram a memória de curto prazo. Apesar disso, não esqueceu a técnica de pintar, algo que continua a fazer e que mostra, com orgulho: tem mais de 15 aguarelas no seu quarto, que quer expor em breve.

Além da casa principal, a estrutura residencial da Misericórdia de Lisboa ganhou, em 2022, três apartamentos de tipologia T0+1 (que se somam aos dois que já existiam), dotados com zona de estar/dormir, kitchenette (equipada com eletrodomésticos), televisão, telefone, internet e ar-condicionado, conferindo mais autonomia e conforto aos utentes.

“Os apartamentos estão dotados de condições para uma maior autonomia de quem neles habita. Foram pensados para mobilidade condicionada, têm pequenos eletrodomésticos para quem quiser cozinhar para si ou para quando recebem visitas. Tudo funciona em função da casa – refeições e tratamento de roupa, por exemplo –, mas as pessoas adaptam-se às suas necessidades. Até têm animais de estimação”, descreve Neli Monteiro.

É num desses apartamentos que encontramos a D. Helena. Recém-chegada – “estreei a minha casa no dia da coroação do rei Carlos III de Inglaterra”, diz-nos entre risos, como que se a sua chegada fosse, também ela, digna de coroação –, faz questão de nos mostrar duas pinturas, inéditas, feitas “só para mim”. Para cada uma delas, tem uma história: “o Carlos Pereira [autor das obras] só faz trabalhos a preto e branco e eu devo ser a única pessoa que tem coisas dele a cores. Um dia, viu-me a desfazer um casaco de cabedal (porque eu adoro fazer coisas com cabedal). Pediu-me um bocado e fez-me aquele desenho, que tem mais de 50 anos. Já me tinha feito também uma mosca verde no mesmo cabedal, mas esse já não está comigo. Ofereci ao Júlio Cortázar [escritor argentino], em Paris, por ele ter escrito um conto chamado A Mosca Verde”.

Da história benemérita de Enrique Mantero Belard fazem parte também os Prémios Nunes Correa Verdades de Faria instituídos, por vontade expressa no seu testamento, com o objetivo de destacar “os indivíduos que, em Portugal, mais tenham contribuído pelo seu esforço, trabalho ou estudos, para o cuidado e carinho dos idosos desprotegidos, para o progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas e o progresso no tratamento das doenças do coração.” (3)

D. Helena lê, neste ato, uma “profunda declaração de amor” de Enrique Mantero pela sua mulher: “ela morreu com problemas do coração. E ele, para a homenagear, deixou escrito que os prémios deveriam ter o nome dela. Ironia do amor, ele também morreu pelo coração que lhe falhou”.

Mais do que um lugar com história, a Residência Faria Mantero acolhe uma infinidade de histórias, vividas, sentidas e transmitidas por quem lá passa. Talvez fosse, também este, o propósito de Enrique Mantero e Gertrudes Verdades de Faria.

* (as referências 1, 2 e 3 foram retiradas do livro da Coleção Beneméritos, da SCML, dedicado a Enrique Faria Mantero).

“Experiência fantástica”: Uma aula na Escola de Natação para pessoas com cegueira

Catarina chega com antecedência ao Complexo de Piscinas do Jamor. A aula de natação para pessoas cegas/com baixa visão está agendada para as 14 horas, como acontece todos os sábados. Mas meia-hora antes já a colaboradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa sobe as escadas até à entrada principal e não vem sozinha. Com ela traz o seu cão-guia, companheiro inseparável de Catarina e os seus olhos no mundo.

É apenas a segunda vez que participa neste projeto da Escola de Natação Santa Casa, nascido da parceria com a Federação Portuguesa de Natação, com o apoio dos Jogos Santa Casa. Mas a vontade de repetir a experiência da primeira aula supera os constrangimentos para chegar ao Jamor por meios próprios.

“Há potencial, só temos a debilidade de isto não estar perto, por exemplo, de uma estação de metro, mas temos de dar a volta. O projeto tem tudo para funcionar”, diz Catarina.

A boa memória faz-lhe adivinhar o caminho até aos balneários e em poucos minutos já caminhamos com ela e o seu companheiro de quatro patas à beira da piscina, onde encontramos os restantes praticantes, Luísa, Suelene e Paulinho, e as duas treinadoras, Ana Santos e Cátia Fonseca.

À exceção de Catarina, os restantes companheiros são (Luísa e Suelene) ou foram (Paulino) utentes do Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, estabelecimento integrado na Santa Casa que tem como missão promover a reabilitação de pessoas com cegueira adquirida ou baixa visão, visando a sua autonomia e inclusão.

aula de natação

Um mundo diferente

Os quatro nadadores do dia entram na água, numa pista alargada a duas, mas dividida ao meio em termos de comprimento. Chegou a hora de estar atento às indicações das treinadoras, mas, em simultâneo, de descontrair num meio controlado, muito diferente do que o mundo lá fora representa para uma pessoa com cegueira.

“A água permite uma facilidade de descontrair. As pessoas cegas, por natureza, estão sempre alerta. Há uma tensão muscular. Por exemplo, hoje a Ana disse-me ao início que a piscina tinha a corda ao fundo. A partir daquele momento fica definido o espaço, a área de segurança”, refere Catarina, que na pista ficou encostada à corda do lado esquerdo.

“É importante termos as cordas para tocarmos, porque isso dá-nos uma segurança espacial. Há pouco fiquei contente, porque o rapaz do lado veio para o meu lado e eu disse-lhe: ‘Olha, não sou a única que sai fora de rota!”, acrescentou, entre risos.

Do lado oposto da pista está Paulino. Já não frequenta o Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, mas a ligação manteve-se e daí surgiu esta oportunidade. É a quarta vez que vem à piscina e o facto de ser o único homem entre tantas mulheres não o intimida.

“Já me sinto à vontade. Sou cabo-verdiano e lá andava sempre na praia, por isso é normal”, explica, bem-disposto.

No mesmo tom animado está Luísa, que partilha o lado direito da pista com Paulino: “A dificuldade maior para mim é o direcionamento, mas as professoras portam-se muito bem. Quem se pode portar mal é a aluna!”.

Balanço positivo

Os 45 minutos da aula esgotam-se rapidamente e o entusiasmo de Suelene, já fora da água, fala por si.

“Tem sido uma experiência gratificante. Já tinha tido contacto com a água, mas não tinha as técnicas. Vinha com medo quando cheguei, por não conhecer o espaço ou de chocar contra os colegas, porque a minha baixa visão não é recente, mas houve um agravamento e ainda estou a conhecer espaços. Mas agora já estou mais descontraída, as profissionais têm sido impecáveis”, relata ao lado de Ana e Cátia, cujos sorrisos não conseguem esconder.

“Um bem-haja à Santa Casa. Tem sido uma oportunidade fantástica, que de outro modo eu não poderia ter. Estou muito feliz pela experiência”, conclui Suelene.

Esse receio inicial também aconteceu com Catarina quando nadou pela primeira vez e a colaboradora da Santa Casa admite-o, até devido ao desafio de comunicar com tanto ruído à mistura.

“Quando qualquer pessoa, cega ou não, chega a um sítio novo, há o chamado receio inicial. No nosso caso, a capacidade auditiva neste meio fica sempre afetada, porque há muito barulho à volta e temos de ter a noção de distinguir de onde vem o comando. Mas há uma linguagem de toque, um toque para parar ou continuar. Quando há uma maior ligação, podemos reparar que além da voz começa a haver um código de toque”, frisa Catarina.

As treinadoras Ana e Cátia também são relativamente novas nesta função. Isto porque apesar de terem anos de experiência na natação, nunca tinham trabalhado com pessoas cegas/com baixa visão.

“Ao início foi um desafio um bocadinho assustador, mas está a correr muitíssimo bem e é gratificante”, afirma Ana, dizendo ainda que os alunos “têm-se portado lindamente, tem havido uma grande progressão e já conseguem fazer praticamente tudo”.

Por seu lado, Cátia sublinha que este “é um processo de aprendizagem também para as professoras”, que vão “criando estratégias” para responder aos desafios de cada aula.

aula de natação

Um projeto para crescer

Esta vertente da Escola de Natação Santa Casa nasceu da intenção de aproveitar ao máximo os patrocínios existentes, tornando-os úteis, e retirar deles uma lógica de responsabilidade social. Estabelecido o projeto da Escola de Natação Santa Casa em 2019, nasceu este ano o projeto-piloto para pessoas cegas/com baixa visão e o objetivo passa por divulgá-lo, incentivar à sua replicação por parte de outras entidades e, quiçá, expandi-lo num futuro próximo.

Maria da Cunha, subdiretora da Direção de Comunicação e Marcas da Santa Casa, aborda a importância deste tipo de iniciativas.

“Queremos, com estes projetos de promoção do desporto adaptado, demonstrar que o desporto deve ser entendido como uma importante ferramenta na inclusão e integração social da população com necessidades especiais. O objetivo para o qual continuamos a contribuir é que as pessoas com deficiência possam ter uma vida ativa ou mais normal possível. Todos sabemos que a prática de desporto pela população melhora a saúde, aumenta o grau de autonomia, reforça a autoestima e aumenta a capacidade de relacionamento com os outros. É com este espírito e visão que desafiámos, este ano, a Federação de Natação, a alargar o projeto das Aulas de Adaptação ao Meio Aquático, da Escola de Natação Santa Casa, iniciado em 2019, a um novo público-alvo, desta feita, utentes e colaboradores cegos e com baixa visão”, começa por dizer.

A responsável da Santa Casa lembra que este projeto “contempla, para já, 8 vagas e o objetivo passa por divulgá-lo, incentivar à sua replicação por parte de outras entidades e, desta forma, ajudar a Federação Portuguesa de Natação a promover o desporto adaptado”.

“O projeto está a ser um sucesso em termos de adesão, temos já um universo total de 30 utentes de equipamentos e colaboradores a frequentar as aulas de natação e cinco utentes e colaboradores a participar nas aulas de natação adaptada. O feedback que temos, por parte dos utentes, é fantástico. Estamos muito satisfeitos e orgulhosos com a concretização desta nova vertente para a natação para cegos e pessoas com baixa visão. É, de facto, um projeto diferenciador”, resume Maria da Cunha.

Por seu lado, Isabel Pargana, diretora do Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, elogia o projeto em duas perspetivas.

“Primeiro a vivência do real, do contexto natural. Faz todo o sentido que tenham esta perspetiva de que há vida para além da cegueira. Não têm de ficar agarrados à sua condição, podem continuar a ter atividades sociais lúdicas, recreativas… Outra perspetiva, que é ótima: a possibilidade de porem em prática um conjunto de competências que ali desenvolvem e transferi-las para o mundo real”, sublinha.

Já Pedro Brandão, responsável da Federação Portuguesa de Natação e coordenador do projeto, explica que a ideia tem vindo a evoluir e pode ser replicada.

“Estamos numa fase de aprendizagem. Por isso, de momento estamos a trabalhar só com adultos. A ideia é em breve capacitar os professores para poderem trabalhar com idades a partir dos cinco ou seis anos. Desta forma, logo que consolidado o projeto no núcleo do Jamor, estaremos em condições, juntamente com os Jogos Santa Casa, de replicar o modelo para outras piscinas, alargando e diversificando a base de trabalho, e aproximando-nos mais dos centros de ensino das crianças e das respetivas zonas de habitação”, termina.

Centro de Desenvolvimento Comunitário é motor do Bairro dos Lóios

A funcionar deste o início dos anos 80, o Centro de Desenvolvimento Comunitário do Bairro dos Lóios, em Marvila, é uma das entidades deste género mais antigas na cidade e continua a crescer. Atuando junto de uma população com várias faixas etárias, o Centro tem contribuído para a coesão e desenvolvimento do bairro.

“Funcionamos de uma forma intergeracional, é essa a premissa”, sublinha Maria João Teixeira, diretora do Centro de Desenvolvimento Comunitário, que aponta a “resposta de proximidade com todas as gerações” como um fator fundamental.

“Como o Centro funciona na base da relação com as pessoas, tem acrescentado muito à comunidade e formado gerações diferentes, deixando uma marca inevitável. E dou um exemplo muito prático: se perguntarem aqui no bairro onde é a Santa Casa, vão ouvir que é isto, que é o Centro. Estamos na proximidade com uma resposta de qualidade e multidisciplinar”, explica a diretora.

O trabalho do Centro de Desenvolvimento Comunitário do Bairro dos Lóios apresenta diversas respostas sociais e atividades dirigidas à população, como centro de dia, animação educativa, espaço de inclusão digital, expressão de movimento, boccia, caminhadas, coro, meditação ou ginástica.

“É uma resposta de ADN comunitário”, resume Maria João Teixeira.

Festival animou o bairro

No passado sábado, dia 20 de maio, decorreu o Festival CulturLóios e o Centro de Desenvolvimento Comunitário, entre outras entidades, não deixou de marcar presença. Este festival nasceu em 2017 com o claro objetivo de construir uma comunidade de pessoas mais felizes, confiantes e empáticas. O dia foi repleto de animação para toda a família e estimulou o convívio entre todos, saudando a diversidade e autenticidade existentes no bairro.

Entre as atividades praticadas estiveram uma caminhada histórica, capoeira, artesanato, dança ou desfile de moda, e não faltaram também um espaço criança, outro de restauração e, claro, muita música.

O Festival CulturLóios tem, de resto, já prometido o regresso no próximo ano, a 18 de maio.

Foto: Movimento de Escola Fotográfica

Santa Casa distinguida pela Associação Portuguesa de Contact Centers

Contact Center do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi duplamente premiado na conferência anual da Associação Portuguesa de Contact Centers, um evento que visa reconhecer e premiar quem mais se distinguiu ao longo do ano nesta área.

Assim, e na senda dos prémios que já vem conquistando desde 2009 (só não venceu em 2020), o Contact Center do Departamento de Jogos venceu o 1.º prémio na categoria geral de “Contact Centers com menos de 100 agentes” e também o 1.º prémio na área de “Serviços e Comércio”.

Estas distinções simbolizam o reconhecimento do trabalho diário realizado por todo o Departamento de Jogos da Santa Casa.

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Projetos cofinanciados por fundos europeus e nacionais

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas