logotipo da santa casa da misericórdia de lisboa

Dar voz a ações que fazem a diferença na vida dos jovens

São projetos e iniciativas que dão oportunidades, alternativas e melhoram a vida dos jovens e de quem tem dificuldades, desde apoio para encontrar uma casa, uma vocação, um emprego ou até mesmo uma simples bicicleta para se deslocarem. Ou ainda a quem encontrou uma nova vida numa família de acolhimento.

Em nove episódios, constituídos por reportagens sobre quem é ajudado, emitidos a partir da próxima terça-feira (30 de Maio), e entrevistas a quem ajuda todas as quintas-feiras, poderá conhecer alguns dos jovens que encontraram um rumo e uma saída em determinada altura das suas vidas.

“Entre pequenos projetos e grandes instituições num podcast, o resultado são ações que fazem a grande diferença na vida dos jovens”.

Feira do Livro de Lisboa acolhe iniciativa “Momentos do Cuidador”

Prestar cuidados e assistência a outras pessoas, geralmente a um familiar, amigo ou vizinho é um papel que milhares de portugueses já assumiram. São cuidadores a tempo inteiro, nalguns casos deixaram para trás carreiras e futuros, para auxiliar outras pessoas em inúmeras tarefas, desde a alimentação à administração de medicamentos, passando pelos cuidados da higiene ou deslocações.

Foi a pensar nestes casos que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa organizou mais uma ação da iniciativa “Momentos do Cuidador”, na última segunda-feira, 29 de maio, na Feira do Livro de Lisboa, com o objetivo de promover ações de sensibilização junto de quem tem pessoas a seu cargo de forma a melhorar a vida quer de cuidadores, quer das pessoas por eles cuidadas.

Ao longo de toda a tarde foram vários os momentos destinados a “mimar” estas pessoas, com um espaço reservado para massagens e descompressão muscular, realizado por diversos formandos do Centro de Educação, Formação e Certificação da Santa Casa.

Na sessão de abertura, Sérgio Cintra, administrador de Ação Social da Misericórdia de Lisboa, fez questão de salientar o importante papel que os cuidadores têm na “prestação de apoio a pessoas que se encontram numa situação vulnerável”, considerando que os cuidadores são uma “balança” importante para que “as pessoas possam permanecer, com qualidade, o mais tempo possível nas suas casas, retardando a sua institucionalização”.

Durante a sua reflexão, Sérgio Cintra frisou que é necessário alterar o paradigma no perfil do cuidador informal. Atualmente, é predominantemente a mulher que ocupa este papel, sendo que os dados apontam que mais de 80% são do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 45 e os 75 anos e que são as companheiras ou as filhas que prestam estes cuidados.

“Este é um trabalho que nós enquanto sociedade temos que fazer. É necessário convocar todos para esta necessidade e não deixar recair apenas sobre a mulher, com todos os impactos económicos, físicos e psicológicos que isto acarreta”, concluiu o administrador.

Outro dos intervenientes na sessão foi Paula Guimarães, coordenadora do grupo de trabalho dos cuidadores informais do Fórum para a Governação Integrada – Govint, que elogiou a iniciativa da Misericórdia de Lisboa, comentando que “são momentos como estes que podem fazer a diferença entre o estatuto do cuidador informal ser apenas uma resolução legislativa ou ser uma realidade para todos os cuidadores do país”.

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Fundação Aga Khan Portugal, Associação Alzheimer Portugal, Associação nacional de Cuidadores Informais, Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, Federação Portuguesa das Famílias com Doença Mental, Associação Coração Amarelo e DEIB Portugal foram as entidades presentes no evento, numa tarde animada que incluiu, ainda, um momento musical e várias tertúlias.

A mão que cuida nos momentos mais difíceis

Maria tem 63 anos e, até há uns anos, cuidava do pai, doente oncológico, que mais tarde viria a ter um acidente vascular cerebral (AVC) que o “atirou” para uma cama, em casa. Maria que até então sempre trabalhara como modista, viu-se de um dia para o outro, numa situação de vida que nunca imaginou.

“Foi tudo muito rápido. Sentíamos que ele (pai) já não estava muito bem, desde que teve a notícia que tinha cancro, mas o AVC que sofreu deitou-o abaixo e daí até não querer levantar-se, comer e viver foi um pequeno passo”, recorda Maria.

Tal como em diversos casos, Maria encarou o seu novo “trabalho” como uma missão. O pai, já com pouca ou nenhuma autonomia, dependia da filha para as tarefas mais básicas do dia a dia, como banho ou até para ler a correspondência que ia parar lá a casa. Aos poucos, as agulhas e os tecidos foram ficando para segundo plano e o cuidado do pai, viúvo há cinco anos, foram transformando a sua rotina diária.

“Foram tempos difíceis entre conciliar a minha casa, com a minha família e o auxílio ao meu pai. Algo tinha que ficar para trás e neste caso foi o meu trabalho diário. Felizmente tenho uma família que me apoiou e esteve sempre ao meu e ao lado do meu pai, até ao último dia”, conta a modista.

Sobre a ajuda da Santa Casa, Maria não tem dúvidas em afirmar que se não fosse a instituição, ela própria tinha tido um esgotamento. “Quando percebi que não consegui sozinha, recorri ao apoio da Santa Casa. Desde a primeira hora que foram incansáveis comigo. Foram uns anjos”.

“Experiência fantástica”: Uma aula na Escola de Natação para pessoas com cegueira

Catarina chega com antecedência ao Complexo de Piscinas do Jamor. A aula de natação para pessoas cegas/com baixa visão está agendada para as 14 horas, como acontece todos os sábados. Mas meia-hora antes já a colaboradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa sobe as escadas até à entrada principal e não vem sozinha. Com ela traz o seu cão-guia, companheiro inseparável de Catarina e os seus olhos no mundo.

É apenas a segunda vez que participa neste projeto da Escola de Natação Santa Casa, nascido da parceria com a Federação Portuguesa de Natação, com o apoio dos Jogos Santa Casa. Mas a vontade de repetir a experiência da primeira aula supera os constrangimentos para chegar ao Jamor por meios próprios.

“Há potencial, só temos a debilidade de isto não estar perto, por exemplo, de uma estação de metro, mas temos de dar a volta. O projeto tem tudo para funcionar”, diz Catarina.

A boa memória faz-lhe adivinhar o caminho até aos balneários e em poucos minutos já caminhamos com ela e o seu companheiro de quatro patas à beira da piscina, onde encontramos os restantes praticantes, Luísa, Suelene e Paulinho, e as duas treinadoras, Ana Santos e Cátia Fonseca.

À exceção de Catarina, os restantes companheiros são (Luísa e Suelene) ou foram (Paulino) utentes do Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, estabelecimento integrado na Santa Casa que tem como missão promover a reabilitação de pessoas com cegueira adquirida ou baixa visão, visando a sua autonomia e inclusão.

aula de natação

Um mundo diferente

Os quatro nadadores do dia entram na água, numa pista alargada a duas, mas dividida ao meio em termos de comprimento. Chegou a hora de estar atento às indicações das treinadoras, mas, em simultâneo, de descontrair num meio controlado, muito diferente do que o mundo lá fora representa para uma pessoa com cegueira.

“A água permite uma facilidade de descontrair. As pessoas cegas, por natureza, estão sempre alerta. Há uma tensão muscular. Por exemplo, hoje a Ana disse-me ao início que a piscina tinha a corda ao fundo. A partir daquele momento fica definido o espaço, a área de segurança”, refere Catarina, que na pista ficou encostada à corda do lado esquerdo.

“É importante termos as cordas para tocarmos, porque isso dá-nos uma segurança espacial. Há pouco fiquei contente, porque o rapaz do lado veio para o meu lado e eu disse-lhe: ‘Olha, não sou a única que sai fora de rota!”, acrescentou, entre risos.

Do lado oposto da pista está Paulino. Já não frequenta o Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, mas a ligação manteve-se e daí surgiu esta oportunidade. É a quarta vez que vem à piscina e o facto de ser o único homem entre tantas mulheres não o intimida.

“Já me sinto à vontade. Sou cabo-verdiano e lá andava sempre na praia, por isso é normal”, explica, bem-disposto.

No mesmo tom animado está Luísa, que partilha o lado direito da pista com Paulino: “A dificuldade maior para mim é o direcionamento, mas as professoras portam-se muito bem. Quem se pode portar mal é a aluna!”.

Balanço positivo

Os 45 minutos da aula esgotam-se rapidamente e o entusiasmo de Suelene, já fora da água, fala por si.

“Tem sido uma experiência gratificante. Já tinha tido contacto com a água, mas não tinha as técnicas. Vinha com medo quando cheguei, por não conhecer o espaço ou de chocar contra os colegas, porque a minha baixa visão não é recente, mas houve um agravamento e ainda estou a conhecer espaços. Mas agora já estou mais descontraída, as profissionais têm sido impecáveis”, relata ao lado de Ana e Cátia, cujos sorrisos não conseguem esconder.

“Um bem-haja à Santa Casa. Tem sido uma oportunidade fantástica, que de outro modo eu não poderia ter. Estou muito feliz pela experiência”, conclui Suelene.

Esse receio inicial também aconteceu com Catarina quando nadou pela primeira vez e a colaboradora da Santa Casa admite-o, até devido ao desafio de comunicar com tanto ruído à mistura.

“Quando qualquer pessoa, cega ou não, chega a um sítio novo, há o chamado receio inicial. No nosso caso, a capacidade auditiva neste meio fica sempre afetada, porque há muito barulho à volta e temos de ter a noção de distinguir de onde vem o comando. Mas há uma linguagem de toque, um toque para parar ou continuar. Quando há uma maior ligação, podemos reparar que além da voz começa a haver um código de toque”, frisa Catarina.

As treinadoras Ana e Cátia também são relativamente novas nesta função. Isto porque apesar de terem anos de experiência na natação, nunca tinham trabalhado com pessoas cegas/com baixa visão.

“Ao início foi um desafio um bocadinho assustador, mas está a correr muitíssimo bem e é gratificante”, afirma Ana, dizendo ainda que os alunos “têm-se portado lindamente, tem havido uma grande progressão e já conseguem fazer praticamente tudo”.

Por seu lado, Cátia sublinha que este “é um processo de aprendizagem também para as professoras”, que vão “criando estratégias” para responder aos desafios de cada aula.

aula de natação

Um projeto para crescer

Esta vertente da Escola de Natação Santa Casa nasceu da intenção de aproveitar ao máximo os patrocínios existentes, tornando-os úteis, e retirar deles uma lógica de responsabilidade social. Estabelecido o projeto da Escola de Natação Santa Casa em 2019, nasceu este ano o projeto-piloto para pessoas cegas/com baixa visão e o objetivo passa por divulgá-lo, incentivar à sua replicação por parte de outras entidades e, quiçá, expandi-lo num futuro próximo.

Maria da Cunha, subdiretora da Direção de Comunicação e Marcas da Santa Casa, aborda a importância deste tipo de iniciativas.

“Queremos, com estes projetos de promoção do desporto adaptado, demonstrar que o desporto deve ser entendido como uma importante ferramenta na inclusão e integração social da população com necessidades especiais. O objetivo para o qual continuamos a contribuir é que as pessoas com deficiência possam ter uma vida ativa ou mais normal possível. Todos sabemos que a prática de desporto pela população melhora a saúde, aumenta o grau de autonomia, reforça a autoestima e aumenta a capacidade de relacionamento com os outros. É com este espírito e visão que desafiámos, este ano, a Federação de Natação, a alargar o projeto das Aulas de Adaptação ao Meio Aquático, da Escola de Natação Santa Casa, iniciado em 2019, a um novo público-alvo, desta feita, utentes e colaboradores cegos e com baixa visão”, começa por dizer.

A responsável da Santa Casa lembra que este projeto “contempla, para já, 8 vagas e o objetivo passa por divulgá-lo, incentivar à sua replicação por parte de outras entidades e, desta forma, ajudar a Federação Portuguesa de Natação a promover o desporto adaptado”.

“O projeto está a ser um sucesso em termos de adesão, temos já um universo total de 30 utentes de equipamentos e colaboradores a frequentar as aulas de natação e cinco utentes e colaboradores a participar nas aulas de natação adaptada. O feedback que temos, por parte dos utentes, é fantástico. Estamos muito satisfeitos e orgulhosos com a concretização desta nova vertente para a natação para cegos e pessoas com baixa visão. É, de facto, um projeto diferenciador”, resume Maria da Cunha.

Por seu lado, Isabel Pargana, diretora do Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, elogia o projeto em duas perspetivas.

“Primeiro a vivência do real, do contexto natural. Faz todo o sentido que tenham esta perspetiva de que há vida para além da cegueira. Não têm de ficar agarrados à sua condição, podem continuar a ter atividades sociais lúdicas, recreativas… Outra perspetiva, que é ótima: a possibilidade de porem em prática um conjunto de competências que ali desenvolvem e transferi-las para o mundo real”, sublinha.

Já Pedro Brandão, responsável da Federação Portuguesa de Natação e coordenador do projeto, explica que a ideia tem vindo a evoluir e pode ser replicada.

“Estamos numa fase de aprendizagem. Por isso, de momento estamos a trabalhar só com adultos. A ideia é em breve capacitar os professores para poderem trabalhar com idades a partir dos cinco ou seis anos. Desta forma, logo que consolidado o projeto no núcleo do Jamor, estaremos em condições, juntamente com os Jogos Santa Casa, de replicar o modelo para outras piscinas, alargando e diversificando a base de trabalho, e aproximando-nos mais dos centros de ensino das crianças e das respetivas zonas de habitação”, termina.

Acolher como missão, amar como vocação

Centro de Desenvolvimento Comunitário é motor do Bairro dos Lóios

A funcionar deste o início dos anos 80, o Centro de Desenvolvimento Comunitário do Bairro dos Lóios, em Marvila, é uma das entidades deste género mais antigas na cidade e continua a crescer. Atuando junto de uma população com várias faixas etárias, o Centro tem contribuído para a coesão e desenvolvimento do bairro.

“Funcionamos de uma forma intergeracional, é essa a premissa”, sublinha Maria João Teixeira, diretora do Centro de Desenvolvimento Comunitário, que aponta a “resposta de proximidade com todas as gerações” como um fator fundamental.

“Como o Centro funciona na base da relação com as pessoas, tem acrescentado muito à comunidade e formado gerações diferentes, deixando uma marca inevitável. E dou um exemplo muito prático: se perguntarem aqui no bairro onde é a Santa Casa, vão ouvir que é isto, que é o Centro. Estamos na proximidade com uma resposta de qualidade e multidisciplinar”, explica a diretora.

O trabalho do Centro de Desenvolvimento Comunitário do Bairro dos Lóios apresenta diversas respostas sociais e atividades dirigidas à população, como centro de dia, animação educativa, espaço de inclusão digital, expressão de movimento, boccia, caminhadas, coro, meditação ou ginástica.

“É uma resposta de ADN comunitário”, resume Maria João Teixeira.

Festival animou o bairro

No passado sábado, dia 20 de maio, decorreu o Festival CulturLóios e o Centro de Desenvolvimento Comunitário, entre outras entidades, não deixou de marcar presença. Este festival nasceu em 2017 com o claro objetivo de construir uma comunidade de pessoas mais felizes, confiantes e empáticas. O dia foi repleto de animação para toda a família e estimulou o convívio entre todos, saudando a diversidade e autenticidade existentes no bairro.

Entre as atividades praticadas estiveram uma caminhada histórica, capoeira, artesanato, dança ou desfile de moda, e não faltaram também um espaço criança, outro de restauração e, claro, muita música.

O Festival CulturLóios tem, de resto, já prometido o regresso no próximo ano, a 18 de maio.

Foto: Movimento de Escola Fotográfica

A família que dá o “colo” quando não existe outra

Foi na Colónia Balnear de São Julião, na Ericeira, equipamento sob a gestão da Misericórdia de Lisboa, que decorreu no passado domingo, o II Encontro de Famílias de Acolhimento. Ao todo, foram mais de 80 famílias que não faltaram “à chamada”, para um dia inteiro de confraternização, amizade, muitas brincadeiras e jogos para os mais pequenos.

O espaço decorado a rigor para receber miúdos e graúdos, com balões, almofadas gigantes, molduras festivas e um mural para as famílias escreverem frases que caracterizam a sua experiência, enquanto família de acolhimento. Atrás do edifício principal da colónia, uma caça ao tesouro e um jogo de futebol improvisado, faziam ecoar gargalhadas e palavras de incentivo pelo vale que se estende entre a colónia e a praia de São Julião.

O casal Sofia e Tiago e os seus filhos de 4 e 6 anos foram uma das famílias que não quis faltar ao encontro. Desde 2021 que “dão colo” a João (nome fictício) de 4 anos. O facto de saberem que o menino só ficará com eles até a família de origem estar pronta para o ter de volta não os dissuade. “É um desafio, mas a vontade de poder fazer a diferença na vida desta criança é maior que qualquer entrave que possa existir”, afirma Sofia. “Nós achamos que estamos aqui só para dar, mas também recebemos muito.”

Uma aventura que começou quando Sofia estava no trânsito, o autocarro ao seu lado tinha a publicidade da campanha sobre o programa de acolhimento familiar LX Acolhe, da Santa Casa. Para o casal, que já tinha ponderado em ter mais um bebé, o “sim” foi imediato e os filhos de ambos, quase com a mesma idade do João, estiveram envolvidos na decisão desde o primeiro momento. “Nós explicámos desde o início aos nossos filhos quem era o João. Eles perceberam a importância que iríamos ter na vida desta criança, mas, por outro lado, ficaram ansiosos porque perceberam que existem crianças que não estão com os seus pais, mas acabaram por receber o João super bem”, conta Sofia.

Casal a tirar foto

Neste dia dedicado a celebrar o amor e a família, todos os participantes do encontro foram chamados a participar. Enquanto que os mais pequenos se deliciavam com as inúmeras atividades que a equipa da direção de Infância e Juventude da Santa Casa tinham preparado para eles, os pais, avós e irmãos mais velhos eram desafiados a conhecerem-se melhor, a partilhar experiências e a participar na sessão de esclarecimento sobre os desafios e barreiras do que é ser uma família de acolhimento.

Ana Pais, de 35 anos, é uma família de acolhimento que quebra com os estereótipos da sociedade relativamente ao que é esperado. Solteira e com uma vontade enorme de fazer a diferença na vida de alguém, candidatou-se como família monoparental a acolher uma jovem de 14 anos. Fruto da sua atividade profissional, onde lidou de perto com crianças e jovens em risco, desde o primeiro momento, que sentiu vontade de dar um pouco de si a quem mais precisa.

“Sou só eu na vida dela neste momento, mas temos que construir alicerces para ela conseguir crescer e ter um futuro feliz”, frisa a jovem, salientando que “estes jovens e crianças só precisam de uma família e de alguém que lhes transmita e dê amor, um lar e um espaço para desenvolverem o melhor que podem ser”.

senhora a tirar foto

Acolher uma criança é devolver-lhe a infância

Estas famílias ficam responsáveis “por satisfazer todas as necessidades prementes da criança, sejam elas emocionais, físicas, de saúde, de educação ou de transmissão de valores, sempre numa lógica em contexto familiar, pois a família biológica continua, na maioria das vezes, a ter um papel a desempenhar”, refere Isabel Pastor, diretora da Unidade de Adoção, Apadrinhamento Civil e Acolhimento Familiar da Misericórdia de Lisboa.

Ser família de acolhimento é para quem quer muito, mas ainda existem alguns “estigmas que devem ser explicados”. “Fala-se em família, mas família é todo o ambiente, mais do que propriamente um conjunto de pessoas. Podem ser família de acolhimento uma só pessoa, casais, pessoas que convivem com outras pessoas no seu lar, que não tem de ser necessariamente na fórmula de casal, sendo que é necessário ter no mínimo 25 anos, mas sem um limite etário estabelecido, porque isso depende da energia e da capacidade de cada um”, reforça a Isabel Pastor.

Quando as famílias decidem avançar para o processo de acolhimento familiar, sucede-se a formação inicial, a avaliação psicológica dos candidatos e a fase de visitas técnicas à habitação e envolvimento do núcleo familiar. Uma vez selecionados os candidatos, estes entram na bolsa das famílias de acolhimento e a Misericórdia de Lisboa faz a respetiva ligação com as crianças, geralmente sinalizadas pelas instituições onde se encontram ou pelas quais são acompanhadas.

Senhora a falar para famílias

“O acolhimento familiar é um processo temporário, é uma medida de promoção e proteção. Na maioria dos casos nos processos de acolhimento familiar existe uma relação temporária entre a família e a criança ou jovem, com o fim de procurar posteriormente uma solução permanente, seja, como na maioria dos casos, a reintegração na família de origem, ou, se isso não for possível, a integração numa família permanente, pela via da adoção”, explica a responsável.

Neste momento, existe perto de uma centena de famílias escolhidas para acolhimento familiar, algumas delas monoparentais, sendo que 120 crianças já beneficiariam desta medida de acolhimento familiar, em vez de uma institucionalização precoce.

Quer ser família de acolhimento? Quem pode concorrer? O que deve ter em conta na hora de apresentar candidatura? Estas e outras respostas estão disponíveis na área “Acolhimento Familiar“.

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Valor T: dois anos a encontrar talento na diferença

As vidas de Pedro Teixeira e Madalena Rossa mudaram por completo quando decidiram inscrever-se na Valor T. Hoje têm um emprego numa área que gostam e contam a sua experiência neste processo, desde o registo até ao presente.

Por seu lado, Vanda Nunes, diretora da Valor T, faz um balanço muito positivo destes dois anos de atividade e projeta o futuro próximo.

Play Video about Frame do vídeo

Valor T: dois anos a encontrar talento na diferença

Do trauma à estabilidade familiar: a resposta nos maus tratos infantis

Os dias são sempre agitados na Casa de Acolhimento Santa Teresinha. Atualmente, esta unidade da Santa Casa acolhe 15 crianças e jovens entre os quatro e os 14 anos, numa espécie de minissociedade na qual se criam rotinas e, sobretudo, laços.

“Não são irmãos e não se pode dizer que tenham uma relação de irmãos, mas acaba por ser semelhante. Os mais velhos ajudam muito os mais novos e, às vezes, até em questões mais profundas”, explica a psicóloga Susana Câmara, que trabalha na Casa desde 2019.

Ali chegam crianças e jovens vindos de situações de maus tratos, muitas vezes resultantes de negligência da família, e a primeira resposta a ser dada pelos profissionais que os acolhem passa por oferecer-lhes segurança.

“O acolhimento é quase como um trauma adicional, mesmo para a família. Nos primeiros tempos tem de existir previsibilidade e rotinas, porque isso vai dar segurança à criança. Tem de haver um racional comum a todos, de regras que eles conhecem, saberem quem vai estar de turno, quem são os adultos que os esperam, para aos poucos irem baixando as defesas e começarem a sentir-se seguros”, relata Susana.

Naturalmente há regras a cumprir e a adaptação de cada um exige paciência, como detalha Sofia Lima, educadora da Casa de Acolhimento Santa Teresinha.

“Tem de haver regras numa casa destas e algumas acabam por não respeitar a individualidade de cada uma das crianças ou jovens. Dou um exemplo: um deles pratica um desporto e chega às 20 horas. Há de vir cheio de fome para sentar-se à mesa, mas não pode, porque a regra do grupo é tomar banho antes. Uma das grandes dificuldades que temos é poder adequar as regras a cada jovem, de forma que não choque diretamente com o grupo em si. É um grande desafio”.

Na maioria dos casos, as situações são trabalhadas de forma a reintegrar as crianças e jovens na família, o que demora, em média, cerca de um ano. No entanto, apesar de mudarem de casa, as crianças estão sempre em contacto com os familiares.

“À partida é sempre esse o objetivo, até por respeito à criança e aos seus vínculos. A questão dos maus tratos vem muitas vezes de uma incapacidade de cuidar, porque não se foi cuidado nem se aprendeu uma ligação de afetos e segurança. Temos de contrariar esse ciclo que passou de geração em geração. Não atuamos só com a criança, mas também com a família. Inicialmente a família está sempre aqui, faz parte das nossas rotinas. Ajudam a dar banho, a preparar a mochila, nos trabalhos de casa e, às vezes, juntam-se a nós numa refeição. Ao longo desta rotina é que se vão trabalhando as pequenas coisas”, diz a psicóloga.

Titulo h3

Os dias são sempre agitados na Casa de Acolhimento Santa Teresinha. Atualmente, esta unidade da Santa Casa acolhe 15 crianças e jovens entre os quatro e os 14 anos, numa espécie de minissociedade na qual se criam rotinas e, sobretudo, laços.

“Não são irmãos e não se pode dizer que tenham uma relação de irmãos, mas acaba por ser semelhante. Os mais velhos ajudam muito os mais novos e, às vezes, até em questões mais profundas”, explica a psicóloga Susana Câmara, que trabalha na Casa desde 2019.

Ali chegam crianças e jovens vindos de situações de maus tratos, muitas vezes resultantes de negligência da família, e a primeira resposta a ser dada pelos profissionais que os acolhem passa por oferecer-lhes segurança.

“O acolhimento é quase como um trauma adicional, mesmo para a família. Nos primeiros tempos tem de existir previsibilidade e rotinas, porque isso vai dar segurança à criança. Tem de haver um racional comum a todos, de regras que eles conhecem, saberem quem vai estar de turno, quem são os adultos que os esperam, para aos poucos irem baixando as defesas e começarem a sentir-se seguros”, relata Susana.

Naturalmente há regras a cumprir e a adaptação de cada um exige paciência, como detalha Sofia Lima, educadora da Casa de Acolhimento Santa Teresinha.

“Tem de haver regras numa casa destas e algumas acabam por não respeitar a individualidade de cada uma das crianças ou jovens. Dou um exemplo: um deles pratica um desporto e chega às 20 horas. Há de vir cheio de fome para sentar-se à mesa, mas não pode, porque a regra do grupo é tomar banho antes. Uma das grandes dificuldades que temos é poder adequar as regras a cada jovem, de forma que não choque diretamente com o grupo em si. É um grande desafio”.

Na maioria dos casos, as situações são trabalhadas de forma a reintegrar as crianças e jovens na família, o que demora, em média, cerca de um ano. No entanto, apesar de mudarem de casa, as crianças estão sempre em contacto com os familiares.

“À partida é sempre esse o objetivo, até por respeito à criança e aos seus vínculos. A questão dos maus tratos vem muitas vezes de uma incapacidade de cuidar, porque não se foi cuidado nem se aprendeu uma ligação de afetos e segurança. Temos de contrariar esse ciclo que passou de geração em geração. Não atuamos só com a criança, mas também com a família. Inicialmente a família está sempre aqui, faz parte das nossas rotinas. Ajudam a dar banho, a preparar a mochila, nos trabalhos de casa e, às vezes, juntam-se a nós numa refeição. Ao longo desta rotina é que se vão trabalhando as pequenas coisas”, diz a psicóloga.

Provedora na apresentação da exposição

Palácio Paiva de Andrade

Integrado numa pequena rua no Bairro Alto, em Lisboa, o Palácio Paiva de Andrade, agora conhecido como Centro Social de São Boaventura, tomando por empréstimo o nome da rua onde se encontra, guarda dentro das suas paredes uma história de dor e amor ao próximo.

Em memória da filha precocemente falecida aos 22 anos, vítima de tuberculose, a sua mãe, Carolina Picaluga Paiva de Andrade determinou em testamento a criação de um instituto de ensino destinado a acolher 22 alunas oriundas de famílias carenciadas. O palácio, outrora palco de animados serões musicais onde se ouvia o piano tocado pela filha Luísa e onde o pai, Jacinto Paiva de Andrade, apresentava a sua coleção de arte aos convidados, figuras influentes da história da cidade, é agora uma referência no apoio à comunidade em Lisboa.

A morte intempestiva da jovem Luísa calou para sempre as gargalhadas no palacete e décadas mais tarde deu voz a um mito onde a paixão e o assombramento voltam a habitar o espaço. É sobre ela que paira uma neblina mística, que envolve o seu quarto, intocado por vontade testamentária desde a sua morte.

Quarto da menina

Carolina Augusta Picaluga Paiva de Andrade morre em 1912 e no seu testamento deixa a Santa Casa como herdeira do seu património, principalmente como executora dos seus desejos. As vontades de Carolina não eram apenas as suas, mas também do falecido marido Jacinto, unidos na intenção de perpetuar o nome da filha. Segundo a vontade de Carolina, deveria ser resguardado o quarto da casa do Instituto onde faleceu Luísa e colocar junto do seu leito algumas flores.

Quando a instituição recebeu o Instituto Luísa Paiva de Andrade, deu continuidade ao projeto da fundadora e, no cumprimento do seu desejo referido, manteve o quarto interdito até ao final da década de 80, quando problemas estruturais no espaço obrigaram à abertura da divisão. Na altura da reabertura do quarto, os relatos foram de estupefação ao constatar que um espaço esquecido no último piso do edifício, fechado à chave, permanecia mobilado como há cem anos e cheio de memórias pessoais de uma rapariga que nele tinha morrido em circunstâncias trágicas.

Centro São Boaventura

Reza a lenda que a jovem Luísa se terá enamorado por um jardineiro da casa. Esta paixão terá sido contrariada pelos seus pais, que a encerraram no quarto e é neste período de confinamento que a jovem se vê infetada pelo vírus da tuberculose, que lhe leva a vida. Os pais, angustiados pelo remorso de terem contribuído para a infelicidade da filha, decidiram imortalizar o seu nome através da criação do instituto com o seu nome e posteriormente com a preservação do seu quarto intacto por anos.

Nos dias de hoje, e continuado o legado da benemérita, a Santa Casa reestruturou o espaço, respeitando a vontade de Carolina em manter o “quarto da menina” fechado, e colocou aí um centro intergeracional que dá resposta a centenas de jovens e idosos. No Centro Social de São Boaventura há respostas para várias faixas etárias. Há lugar para os mais velhos e os mais novos, sem haver barreiras a limitar os espaços de uns e de outros ou atividades em que a idade seja critério de exclusão.

São Boaventura

No piso inferior do palácio, agora funciona uma ludoteca e um espaço de inclusão digital com computadores e uma impressora à disposição, com vista privilegiada para o jardim da casa. Já no piso superior existe um centro social, que fomenta um cruzamento de gerações espontâneo, onde em algumas ocasiões se encontram netos e avós, num convívio familiar e coeso. Existem várias iniciativas conjuntas, como passeios e oficinas ou projetos desenvolvidos com outras entidades e instituições.

O centro social está aberto de segunda a sexta-feira e é frequentado por dezenas de pessoas, muitas das quais almoçam e lancham no espaço. Para os que precisam, há também balneários para tomar banho, serviço de lavandaria e uma carrinha que faz o transporte de regresso a casa.

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas