“Reforçar a solidariedade entre gerações para um bem-estar duradouro” é o tema em destaque nas comemorações deste ano do Dia Mundial do Serviço Social, as quais alertam para dois princípios-base: a ligação e a troca entre gerações, com o primeiro a defender a união entre as gerações através da interação, apoio e entreajuda, e com a troca a referir-se ao que novos e velhos dão e recebem uns dos outros.
Na Misericórdia de Lisboa, a solidariedade entre gerações há muito que é uma realidade bem conhecida dos mais de 500 assistentes sociais da instituição, com o Centro de Recursos Intergeracional da Aldeia de Santa Isabel ou o Centro Intergeracional Ferreira Borges a constituírem dois dos muitos equipamentos da Santa Casa a promover a solidariedade, o contacto e a proximidade entre as gerações.
O Dia Mundial do Serviço Social, efeméride que se assinala anualmente desde 2007, representa o compromisso desta profissão e dos seus profissionais, para que o mundo seja a “casa” de todos e onde os cidadãos podem ser parte ativa da comunidade.
Esta é uma celebração de uma profissão que intervém na realidade social há mais de um século e, em Portugal, há mais de 80 anos.

Mais de uma centena de Assistentes Sociais integra a Misericórdia de Lisboa, trabalhando com o objetivo de transformar o mundo numa casa onde todos têm lugar.
Quais os desafios que se avizinham para o Serviço Social?
Numa Europa ensombrada por uma guerra, com o envelhecimento generalizado da população a progredir de forma preocupante e com os vários Estados-Membros da União Europeia a desenvolverem-se a diferentes velocidades, são vários os desafios que se vislumbram no horizonte para as sociedades e, inevitavelmente, para os Assistentes Sociais.
“Continuamos, como há 100 anos, a questionar como é que nesta sociedade globalizada se assegura para todos o reconhecimento da sua dignidade humana e de justiça social, preservando sistemas de proteção social sustentáveis para todos”, analisa Susana Ferreira, assistente social da Direção de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade (DIDIP), considerando ser “vital” encontrar mecanismos de solidariedade entre gerações e países, conjugando ambiente, pessoas e governança.
“Um dos desafios é o ´serviço social verde`, isto é, a abordagem ambiental como quadro de intervenção dos assistentes sociais, face a um futuro que se avizinha de crise ambiental e social global, evidenciando-se a interseção entre desigualdades, vulnerabilidade e injustiça ambiental, num quadro de escassez de recursos”, acrescenta.
“O Assistente Social é um profissional orientado para dar respostas às necessidades humanas, tanto no contexto da família, como nos grupos, na comunidade e em sociedade, que aplica um conhecimento científico – empírico, teórico, metodológico e reflexivo – para a promoção do desenvolvimento integral, relacionando as políticas sociais com os contextos reais e concretos da sociedade atual”.
Susana Ferreira
Assistente Social da DIDIP
A Santa Casa e o Serviço Social
Com 526 anos de existência, a intervenção da Santa Casa na Área Metropolitana de Lisboa há muito que ultrapassou os cuidados sociais e de saúde, com a sua atuação a ser alargada para muitos outros domínios.
Atualmente, a instituição atua de forma integrada e preventiva junto de famílias e comunidades, desde a creche, à educação formal e informal, à inserção social e profissional, passando pelos cuidados de saúde e o acompanhamento no envelhecimento. Nascimento, infância, envelhecimento e morte constituem as várias fases da vida do ser humano que são acompanhadas pela Santa Casa, que continua a privilegiar a humanidade e a proximidade na sua atuação.