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O fado chega aos lares da Misericórdia de Lisboa

Com transmissão de segunda à sexta-feira, entre as 20h00 e as 21h00, o programa “Fado do Lar”, da Rádio Amália, é um espaço de música e entretenimento que une fado e boas causas. A iniciativa teve início no dia 25 de maio e terá a duração de quatro semanas. A Santa Casa conta com uma participação especial neste programa, marcando presença em seis emissões dedicadas a algumas Estruturas Residenciais Para Idosos (ERPI) da instituição.

Durante uma hora, neste espaço de música conduzido por Ricardo Filipe Matos, será dada a palavra aos responsáveis pelas residências para falarem dos desafios e do trabalho que se faz nas mesmas. Já os idosos, além de uma breve conversa, vão poder escolher alguns temas para serem cantados pelo fadista convidado, e que poderão dedicar aos familiares e amigos que, neste momento, não conseguem visitá-los.

 

Com o coração na voz

Depois de tanto tempo isolados, o programa “Fado do Lar” é um ponto de encontro que promete emocionar e dar alegria aos residentes de vários lares do país. O primeiro programa dedicado às Estruturas Residenciais Para Idosos (ERPI) da Santa Casa será emitido esta quarta-feira, 17 de junho, na Residência Quinta das Flores. Até ao fim do mês de junho, a Rádio Amália é o cenário para a celebração da canção tipicamente portuguesa, o Fado.

Não haverá chouriço e o tradicional caldo verde das casas de fado, mas as vozes de quem canta – que abrangem todo o tipo de idades – não deixarão de impressionar quem ouvir o programa “Fado do Lar”.

As próximas residências da Santa Casa a participar no programa da Rádio Amália são: a Residência Nossa Senhora da Visitação, a Residência S. João de Deus, a Residência Faria Mantero, a Residência de Campolide e o Recolhimento da Encarnação.

Para Julieta Martins, diretora da Unidade de Intervenção com Públicos Vulneráveis, este programa promete, acima de tudo, “trazer ânimo e esperança aos idosos das residências, promovendo momentos de alegria, lazer e novas experiências”.

O programa “Fado do Lar” será transmitido em direto na rádio Amália e em streaming, através do facebook da Rádio Amália. A iniciativa conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa – Fundo de Emergência Social – Cultura.

Veja ou reveja os programas:

Residência Quinta das Flores

Temporada Música em São Roque abre candidaturas

Do júri que vai avaliar as candidaturas fazem parte o Maestro Filipe Carvalheiro, diretor artístico da Temporada, Margarida Montenegro, diretora da Cultura da Santa Casa, e o compositor João Madureira.

O formato da Temporada Música em São Roque 2020 será adaptado às vicissitudes atuais, privilegiando a divulgação em streaming. A Igreja e Museu de São Roque e a Capela do Convento de São Pedro de Alcântara são os espaços escolhidos para a realização dos concertos.

Este acontecimento cultural, que a Misericórdia de Lisboa promove há 32 anos, tem como objetivos tornar a música acessível a todos os públicos e proporcionar a descoberta do património da instituição, tendo como linhas orientadoras o apoio à música e aos músicos portugueses. Apoio este, que, em ano de pandemia, ganha um novo alcance e um formato adaptado às circunstâncias em que vivemos.

Apenas serão aceites candidaturas submetidas on-line, dentro do prazo estabelecido (abrem às 16h00 de 15 de junho, encerrando à mesma hora, no dia 15 de julho) e cuja submissão seja objeto de confirmação pela Santa Casa.

Os resultados finais serão divulgados no site da Santa Casa, até ao dia 31 de julho.

CANDIDATURAS

Temporada Música em São Roque 2020 - Candidaturas

Santa Casa assinala Dia Mundial do Ambiente

O eixo ambiental é um dos pontos estratégicos da sustentabilidade da Misericórdia de Lisboa. Diariamente, a instituição monitoriza o seu desempenho e os impactos ambientais, de maneira a estudar e aplicar medidas que minimizem a sua pegada ecológica, nomeadamente na área da eficiência energética e hídrica e da gestão ambiental.

Um exemplo desse empenho de monitorização e acompanhamento é o seu BI Ambiental. Elaborada pelo Departamento de Qualidade e Inovação da Santa Casa, esta ferramenta permite aos colaboradores acederem, de forma simples e dinâmica, à informação energética, hídrica e ambiental da instituição. Através da mesma, é igualmente possível acompanhar a evolução dos consumos comparativamente ao ano anterior.

O BI Ambiental de 2019 revela que, comparativamente com o período homólogo, a Misericórdia de Lisboa registou uma diminuição no consumo eletricidade (- 3,4%), no consumo de gás (- 7%), no consumo de combustíveis (-19%), na produção de resíduos (12,1%) e ainda no total de emissões de CO2 (- 13%). Já o consumo de água, sofreu um aumento face a 2018 (+1,6%).

Estes e outros dados divulgados neste documento atestam o compromisso da Santa Casa para iniciativas e organizações que promovem o objetivo de contribuir para um desenvolvimento mais sustentável, como o compromisso Lisboa Capital Verde Europeia 2020, assinado pela Misericórdia de Lisboa em janeiro deste ano, o UN Global Compact, ou a Aliança Portuguesa para os ODS.

Jogos Santa Casa reafirmam: “O Desporto tem todo o nosso apoio”

“O desporto tem todo o nosso apoio” dá nome à mais recente campanha institucional dos Jogos Santa Casa, focada no apoio a este que é um dos sectores mais impactado pelas paragens impostas pela pandemia de Covid-19.

Numa altura em que os treinos e as principais competições desportivas estão de regresso, esta campanha aproveita para destacar que os Jogos Santa Casa estiveram sempre ao lado dos seus parceiros desportivos, honrando os compromissos assumidos e mantendo a responsabilidade social que detêm neste setor da sociedade.

“Ser o maior patrocinador do desporto em Portugal é apoiar o talento nacional e os grandes eventos desportivos nacionais. É promover a conciliação do desporto com a vida académica. É ir mais além em cada modalidade patrocinada, procurando elevar as competições nacionais e valorizar e desenvolver o desporto feminino e o desporto adaptado”, refere Maria João Matos, diretora de Comunicação e Marcas da instituição.

“O desporto é reconhecidamente um dos fatores mais importantes para a integração e coesão nacional. Desde cedo procurámos explorar ao máximo, em conjunto com as entidades patrocinadas, não só a dinamização da prática de atividade física, mas sobretudo ações de sensibilização e prevenção junto dos nossos utentes e colaboradores”, acrescenta ainda a responsável.

Museu de São Roque reabre ao público

Aos poucos, museus, monumentos, bibliotecas, arquivos e galerias de arte abrem as suas portas. Devagar, mas com confiança, voltamos à “normalidade”. A reabertura faseada e as medidas preventivas garantem a segurança dos visitantes.

Neste regresso gradual há, no entanto, que considerar as medidas preventivas definidas pela Direção Geral da Saúde (DGS), tais como a utilização obrigatória de máscara, o distanciamento físico, o sistema de marcação prévia (preferencial) e a lotação máxima permitida do espaço, entre outras.

Museu e Igreja de São Roque

Fechado desde meados de março, o Museu de São Roque reabriu esta quinta-feira, 28 de maio, as suas portas com restrições. É obrigatório o uso de máscaras, cumprir o distanciamento físico de dois metros, desinfetar as mãos com uma solução à base de álcool antes de entrar e respeitar as orientações do percurso recomendado. A lotação máxima do espaço é de 30 pessoas. Para evitar tempos de espera, sugere-se a marcação prévia da visita. A Igreja de São Roque encontra-se aberta ao público com as mesmas medidas de prevenção. A lotação máxima do espaço é de 50 pessoas. Deve seguir-se o percurso recomendado e todas as orientações para utilização deste espaço.

Sala do Arquivo Histórico e Biblioteca

Recomenda-se a marcação prévia da visita a este espaço. O número de leitores/investigadores a trabalhar em simultâneo na sala de leitura será reduzido. É obrigatório o uso de máscaras, cumprir o distanciamento físico de dois metros, desinfetar as mãos com a solução à base de álcool antes de entrar. A lotação da sala de leitura está condicionada ao número máximo de três lugares em simultâneo, de acordo com as recomendações da Direção-Geral da Saúde.

Para Margarida Montenegro, diretora da Cultura da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, “a reabertura do Museu de São Roque significa o retomar do contacto físico com o nosso público, já que este contacto nunca esteve verdadeiramente interrompido, uma vez que semanalmente divulgámos propostas de âmbito cultural para o público em geral e para o público infantil, seja através da newsletter CulturaSantaCasaEmCasa, seja pelo site ou Facebook do Museu de São Roque.” De entre as várias sugestões culturais promovidas em tempos de confinamento social, a responsável destaca a exposição virtual São Roque: o culto, a peste e a imagem e a visita virtual ao Museu e à Igreja através da plataforma Google Arts and Projects.

Condições de acesso à sala de leitura

5ª Edição do Santa Casa Challenge, especial Covid-19, já tem vencedores

Promovida pela Casa do Impacto, a mais recente edição do Santa Casa Challenge | Extra Covid-19 foi lançada com o propósito de criar e adaptar soluções digitais inovadoras capazes de responder às necessidades específicas de idosos em isolamento social em instituições ou em domicílio.

À semelhança do sucedido quando do anúncio dos vencedores da 4ª edição deste concurso, a final do Santa Casa Challenge | Extra Covid-19 foi transmitida em direto, esta tarde, 27 de maio, através da página de Facebook da Casa do Impacto.

Ally Smart Check-in e SmartAL foram os projetos vencedores desta edição extraordinária do Santa Casa Challenge. Uma edição dedicada à procura de soluções digitais de combate à pandemia. Além do prémio no valor de 25 mil euros que cada um vai receber, os dois vencedores vão poder ainda desenvolver um projeto-piloto, com a duração máxima de seis meses, adaptado a um equipamento ou serviço da Santa Casa.

Desenvolvida por Thomas Tredinnick, a ideia Ally Smart Check-in, consiste numa solução de monitorização de idosos que usa inteligência artificial, som e movimento para alertar, através de um aplicativo móvel, quando necessitam de assistência.

Já a SmartAL, desenvolvida por Célia Gonçalves e Telma Mota é uma solução desenhada para suportar serviços de Ambient Assisted Living que permite acompanhar, em tempo real, seniores e doentes crónicos, assim como, situações de convalescença ou follow-up pós-hospitalar.

Para Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto esta edição extra do Santa Casa do Challenge surge para se “reagir aos efeitos sociais negativos” da Covid-19. “Parte da nossa missão é também apoiar projetos e empreendedores sociais, fazendo a ponte com desafios reais que organizações como a Santa Casa vivem no terreno, para que possam desenvolver e implementar as suas soluções de uma forma eficaz”, afirma a diretora.

Os 10 finalistas selecionados, entre as 74 candidaturas nacionais e internacionais a concurso, apresentaram os seus projetos a um júri composto por Sérgio Cintra, administrador de ação social da Santa Casa, Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto, Mário Rui André, coordenador da Unidade de Missão Santa Casa, Luís Vallera, diretor de Sistemas e Tecnologias de Informação da Misericórdia de Lisboa e Micaela Seemann Monteiro, Chief Medical Officer for digital transformation na José de Mello Saúde.

O Santa Casa Challenge é um concurso promovido no âmbito da estratégia de investimento da Casa do Impacto, que premeia soluções tecnológicas inovadoras que deem origem a dispositivos, aplicativos, conteúdos digitais, serviços web ou de comunicação, exequíveis do ponto de vista tecnológico.

O regresso às creches

“Olá, Valentina, bom dia! Vamos para dentro, princesa?”. A alegria com que as educadoras da Creche Nossa Senhora da Conceição, da Santa Casa, recebem todas as crianças é das poucas coisas que a pandemia não conseguiu alterar. A adaptação a tempos diferentes obriga encarregados de educação e equipa da creche a cumprirem um conjunto de regras na hora de deixar as crianças.

Do outro lado do vidro os pais acenam com a mão em jeito de adeus. Numa situação normal, o pai da Valentina e a mãe do Leo não ficariam à porta. Agora, a conversa com as educadoras é breve e feita com a distância recomendada pela Direção Geral de Saúde (DGS).

À porta, mas das salas, fica o calçado e os brinquedos favoritos das crianças. Lá dentro, a divisão é feita por áreas de preferência: aproveitam para pintar, para ouvir histórias contadas pela educadora, mas há quem prefira aprender através da abordagem experiencial, uma metodologia aplicável em diversos contextos educativos, que promove o desenvolvimento de competências nas crianças.

Misto de sensações

Uma semana depois da reabertura das creches, muitos foram os pais que preferiram manter os filhos em casa. Nesta creche da Santa Casa, apenas 12 das 63 crianças inscritas na creche disseram presente.

“A partir de 1 junho serão 40 e até setembro já conto ter todas. As crianças vão voltando gradualmente, conforme a decisão que os pais tomarem. Tenho encarregados de educação que disseram que os filhos só regressam em setembro. Os próprios pais também se estão a adaptar a esta realidade”, revela a diretora da creche, Emília Gomes.

Inês Santos sentiu alívio quando recebeu a notícia da reabertura do infantário. “A creche facilita-nos muito a vida”, confidencia. Mãe de uma rapariga e de dois rapazes, de quatro, dois e um anos, interrompeu o trabalho para poder ficar com os filhos. Olha para o período de confinamento como tempos que ajudaram a reforçar os laços familiares.

“Acho que ficámos ainda mais próximos. Correu bem, mas não foi fácil. A certa altura eles já estavam saturados. Mantê-los entretidos durante o confinamento foi o mais difícil”, conta Inês, convicta de que com alguma criatividade é possível manter as crianças ocupadas e felizes durante o isolamento.

Esta mãe não esconde que, por estes dias, na hora de deixar os filhos na creche, sente um pequeno aperto. Tem medo de confundir uma eventual gripe sazonal com a Covid-19. “É normal que, ao saírem à rua e até mesmo por estarem em contexto de escola, os miúdos contraiam uma constipação. O meu medo é confundir as coisas e entrar em pânico”, revela.

Apesar do receio, os procedimentos tomados pela Creche Nossa Senhora da Conceição dão garantias a Inês. Não há dia em que não repare nos “imensos cuidados que todos têm a lidar com os miúdos e no amor das educadoras por eles”.

Já no que diz respeito à redução do número de crianças por sala, para que seja maximizado o distanciamento entre as mesmas, esta é uma medida “impossível”, no entender de Inês Santos. “São crianças, gostam de brincar com os amiguinhos, de tocar. Impedir isso é uma tarefa quase impossível!”, afirma.

“Uma forma diferente de comunicar”

A 16 de março, a pandemia obrigou ao encerramento das creches de todo o país, mas na Creche Nossa Senhora da Conceição o apoio às crianças continuou a ser prestado. Durante os dois meses de confinamento, o objetivo foi levar a creche à casa das crianças, com contactos diários, de modo a incutir alguma normalidade à situação. “As crianças necessitavam de ver a cara e ouvir a voz das educadoras e das auxiliares”, refere Emília Gomes.

As atividades continuaram a ser dinamizadas, à distância, e a chegar a casa das crianças por mail e por vídeo. Uma das educadoras teve a ideia de fazer um jornal, “O nosso Jornal”, com um conjunto de histórias sob o mote “Ler com Colo”.

“Depois de sair o primeiro jornal, achámos a ideia muita gira e decidimos fazer para todas as salas. Este jornal foi o grande impulsionador para todas as famílias saberem o que se passava. Foi uma forma diferente de comunicar”, revela a responsável, grata por tudo o que a equipa da Creche Nossa Senhora da Conceição tem feito: “Temos conseguido dar uma boa resposta aos desafios”.

Regresso das visitas aos lares: “Que saudades que eu tinha, mãe”

Quando Judite desceu no elevador já a filha Ana a aguardava no rés-do-chão na Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) de Santa Joana Princesa, da Santa Casa. “Que saudades que eu tinha, mãe. Saudades suas vou ter sempre”, desabafa Ana, ao mesmo tempo que leva as mãos ao peito. A última vez que se viram foi no início de março, antes do decreto do estado de emergência.

Gerir a distância nem sempre foi fácil. Durante mais de dois meses, os abraços foram dados por videochamada. Por Whatsapp, as auxiliares do lar foram estabelecendo contacto e enviando mensagens aos familiares para garantir que tudo estava bem com os utentes.

“Custou-me muito passar estes dois meses sem estar com a minha mãe. Receber mensagens e vê-la por um ecrã, não chega”, conta Ana.

“Hoje, vem cá alguém?”. Judite faz esta pergunta com uma frequência quase diária. Aos 90 anos, apresenta alguns problemas de ordem cognitiva, que comprometem a memória. As complicações de saúde não parecem colocar em causa os sentimentos. Certo dia, agarrou na mão da diretora da residência, Dina Ramos, e disse-lhe: “tenho saudades”. Dina demorou a perceber que razão levara Judite a proferir uma frase tão diferente do habitual. O contacto com o familiar foi estabelecido logo de seguida. Do outro lado estava a filha, Ana, emocionada, no dia em que completava 66 anos.

Nessa altura, já o país estava em confinamento. Não fosse a pandemia e Judite estaria presente para festejar o aniversário da filha. Na impossibilidade de ir, uma videochamada atenuou a dor da ausência numa data tão especial. A mensagem inesperada de parabéns aconteceu.

“A dona Judite, embora tenha dificuldades em se localizar no tempo e no espaço, teve ali um clique. Sem ninguém lhe dizer nada, ela deu nota de que lhe faltava alguma coisa, de que não estava bem. Era o aniversário da filha e ela sentiu isso”, refere Dina, ao mesmo tempo que aponta para o braço: “arrepio-me sempre que conto este episódio”.

Ainda que sem beijos e abraços, Judite e Ana podem voltar a estar juntas, uma vez por semana, durante um tempo de visita nunca superior a 90 minutos. À entrada para a área de visitas é necessário vestir uma bata cirúrgica descartável, calçar uma proteção para calçado e desinfetar as mãos. Na parede estão orientações da Direção Geral de Saúde (DGS), que têm de ser cumpridas.

Ana contou os dias até poder, finalmente, voltar a ver a mãe. A conversa estende-se pela manhã. O momento é pautado por silêncios, em que o diálogo prossegue apenas com troca de olhares. Ana aproveita para falar da família, dos netos que não puderam vir, da vaidade de Judite e dos “bons cuidados” prestados pelo equipamento. “Durante todo este período, foram incansáveis. Ligavam-me constantemente para dar novidades sobre a minha mãe.

Sempre que saio daqui faço-o com a certeza de que a minha mãe fica bem entregue”, revela.

“Uma vontade muito grande de continuar”

Quando a 11 de maio a DGS anunciou a retoma das visitas nos lares, a diretora da ERPI de Santa Joana Princesa começou por falar com cada um dos residentes e familiares para explicar quais os procedimentos a tomar no momento da visita. Durante todo este período foi percebendo que os utentes sentiam falta de abraços, de afetos dos familiares, ainda que tenham conseguido “dar resposta a todas as necessidades dos utentes”.

Residentes e familiares perceberam que era necessário abandonar rotinas e parar com algumas atividades diárias organizadas pela ERPI. “Deixamos de ter convidados, pessoas que vinham cá fazer atividades conosco. Para incutir alguma normalidade, com as devidas precauções, continuámos a assinalar o aniversário dos utentes, a Páscoa, o Dia do Pai e o Dia da Mãe. Fomos tentando responder àquilo que eles queriam e sentiam necessidade”, revela a responsável.

A diretora orgulha-se de a ERPI ter conseguido, “de um dia para o outro”, dar resposta aos desafios da Covid-19. Foi graças ao esforço de toda a equipa que conseguiram concluir com sucesso a difícil tarefa de explicar aos utentes que, até indicação contrária, “não é permitido sair à rua nem receber visitas”.

“Inicialmente elaborámos o plano de contingência, com apoio de toda a equipa. Depois, claro, tivemos de reajustar rotinas e assegurar que todos os cuidados eram prestados da melhor maneira. Senti uma enorme força de toda a equipa. Estávamos todos juntos pelo objetivo de proteger a nossa residência e os nossos utentes. Isto dá uma vontade muito grande continuar a nossa missão”, realça Dina.

Desde o dia 18 de maio que as Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI’s) da Santa Casa voltaram a abrir as portas aos familiares e amigos dos seus 500 residentes. Algumas já dispõem de novas soluções que transpõem, de forma segura, a distância a que o momento obriga. Na ERPI da Quinta Alegre, uma cortina de plástico com mangas permite abraços.

Alunos da Orquestra Geração recebem tablets

Com esta iniciativa, estes jovens poderão continuar a sua aprendizagem musical, ainda que em pleno contexto de pandemia.

Estes equipamentos destinam-se a crianças e jovens da Equipa de Apoio à Família da Misericórdia de Lisboa, que não têm recursos tecnológicos para acompanhar o ensino da música à distância.

Para António Santinha, diretor da Unidade de Apoio à Autonomização da Santa Casa, esta entrega “pretende garantir que todos os alunos, que mais necessitam de meios tecnológicos, possam ter o acesso necessário para as aulas e ensaios da orquestra”.

Segundo o responsável, desde o início do confinamento que “os professores de cordas e de sopros disponibilizaram-se para continuar as aulas da orquestra em suporte digital. A cada integrante foi, ainda, autorizado levar os instrumentos para casa”, frisando que “cedo se percebeu que os alunos tinham meios diferentes e que esta situação dificultava a aprendizagem e criava desigualdade de oportunidade.

Alunos da orquestra com tablet

O regresso da Orquestra Geração Santa Casa estava marcado para a edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa, com um ensemble gratuito para todos os visitantes do certame, mas devido à pandemia da COVIDCovid-19, todos os concertos agendados foram cancelados, à semelhança do que já tinha acontecido com os concertos e estágios da Páscoa e o espetáculo de final do ano letivo.

Centro de Apoio Social de São Bento reabre portas

Depois de mais de dois meses em casa, cerca de 50 utentes voltaram ao trabalho, à rotina, à terapia e ao convívio no Centro de Apoio Social de São Bento (CASSB), um espaço dedicado à promoção da integração de pessoas em situação de exclusão social e de sem-abrigo em Lisboa, que inclui três ateliers ocupacionais, uma loja de venda de produtos artesanais, um balneário, um refeitório e um espaço de inclusão digital.

Carlos Coelho, 60 anos, nascido na freguesia do Socorro, é um dos utentes dos ateliers ocupacionais do Centro de Apoio Social de São Bento. De segunda à sexta-feira, das 9h00 às 16h30, Carlos trabalha no atelier de cozinha. Rigorosamente equipado com avental, luvas, máscara e touca, prepara o almoço para si e para os colegas.

“Hoje temos sopa de grão com espinafres e frango à mata. Querem almoçar?”, convidou. Confessamos que cheirava muito bem, mas, infelizmente, o nosso compromisso profissional não nos permitiu aceitar.

Carlos assume que sentiu falta da cozinha, dos colegas e dos técnicos. “Foram mais de dois meses. É muito tempo. Já tinha saudades”, diz o sexagenário, lembrando que frequenta o Centro desde 1997. Esta segunda-feira, 18 de maio, regressou a este espaço.

Cozinha do Centro Social de São bento

Não teve uma vida fácil. Foi deixado à sua sorte com apenas 18 meses. “Fui criado pela Santa Casa. Sou filho da Santa Casa”, afirma Carlos Coelho. Mais tarde, entrou na Casa Pia para aprender um ofício. Fez um pouco de tudo. Foi pastor, agricultor, pintor de construção civil e trabalhou na restauração. Um dia foi para a rua. “É mais fácil do que possam pensar”, dá conta.

Em 1997, o destino levou-o de volta à Misericórdia de Lisboa. Veio para o Centro de Apoio Social de São Bento. “Esta casa ensinou-me que qualquer Homem deve ter um trabalho, por mais pequeno que seja. Os ateliers são uma oportunidade, uma ocupação para quem sai da rua. Dão-nos regras, horários, um propósito e autoestima”.

Carlos admite que não consegue imaginar a vida fora do CASSB. “Esta casa é muito importante para mim”.

No atelier de produtos artesanais, João (nome fictício), 40 anos, está a construir uma pequena casa de madeira para ser colocada à venda na loja do Centro. É um dos utentes mais recentes, entrou no CASSB em março deste ano.

João perdeu o trabalho, perdeu o chão, mas encontrou apoio na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Aos poucos vai conseguindo ultrapassar a depressão onde mergulhou. “No Centro, tenho cabeça ocupada, dão-me conselhos, mostram-me o caminho”.

A notícia da reabertura foi recebida com enorme alegria. “Estava em casa há muito tempo. Sentia falta de estar ocupado. O estar ocupado deixa-me em paz”. Por agora, João quer duas coisas: paz de espírito e ajudar a sua companheira que o tem ajudado numa fase muito difícil.

Para Ana Zagallo, diretora do Centro de Apoio Social de São Bento, esta resposta “dedica-se essencialmente a trabalhar as competências dos utentes e a tentar, quando possível, integrá-los no mercado de trabalho. As atividades permitem que estes utentes possam adquirir regras, rotinas, conquistando sentimento de pertença e laços afetivos”.

Todos os dias, quando vinham buscar a alimentação ao Centro, perguntavam pela reabertura do Centro. “Foi muitíssimo importante reabrir, porque estas pessoas têm que estar ocupadas”, salienta a responsável. “A maior parte destas pessoas sofre de algum tipo de problema de saúde mental e/ou físico”, refere ainda.

Há uma relação entre a loja e a realização pessoal dos utentes, avança Ana Zagallo. “A venda dos produtos elaborados nos ateliers, permite que os utentes vejam o seu trabalho reconhecido. A nossa maior satisfação é poder vê-los com a vida estabilizada”, conclui.

 

Centro de Apoio Social de São Bento

À entrada do século XX, na zona de São Bento, junto ao Palácio das Cortes (atual Assembleia da República), a Sociedade Protetora das Cozinhas Económicas encomendara a construção da Cozinha Económica nº 6, tendo sido inaugurada em abril de 1906. Tal como as congéneres, esta cozinha destinava-se a proporcionar refeições acessíveis à população mais carenciada, sobretudo à classe operária.

Em 1928, as cozinhas foram transferidas para a Santa Casa da Misericórdia, sobrevivendo hoje os edifícios de apenas duas, nos Anjos e em São Bento. Foi nesta última que a Santa Casa instalou, em 1997, o Centro de Apoio Social de São Bento. A criação deste equipamento que se instalou em São Bento, dedicado à promoção e apoio à integração de indivíduos em situação de exclusão social e de sem-abrigo em Lisboa. Ultrapassando hoje largamente as funções iniciais da Cozinha Económica n.º 6, inclui três ateliers ocupacionais, uma loja de venda de produtos artesanais e um espaço de inclusão digital, sendo uma referência no coração da cidade.

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas