A Biblioteca da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa lançou a segunda edição de 2025 do seu Boletim Bibliográfico, no qual destaca as mais recentes novidades nas suas estantes. Direito, Serviço Social ou Sociologia são alguns dos assuntos das obras em destaque, que estão à disposição para consulta local, empréstimo domiciliário ou empréstimo interbibliotecas.
Aberta ao público, a Biblioteca da Misericórdia de Lisboa tem como objetivo facultar aos utilizadores o acesso a recursos bibliográficos e outra informação documental, necessários ao estudo e investigação de temáticas relacionadas com a atividade desenvolvida pela Santa Casa.
Visite-a nas instalações da Instituição, no Largo Trindade Coelho, em Lisboa, ou contacte através do telefone 213 235 753 ou do email biblioteca@scml.pt.
Uma missa solene a que Gioachino Rossini apelidou de “pequena”, mas que é conhecida no mundo da música como sendo majestosa, é uma das muitas surpresas que a Misericórdia de Lisboa irá “oferecer” no âmbito das comemorações que assinalam os cinco séculos da morte da fundadora da Santa Casa. O concerto não se repetirá em Lisboa, seguindo depois para as Caldas da Rainha.
Petit messe solennelle, obra composta em 1863 por Gioachino Rossini, é uma das criações mais tardias deste compositor. Encomendada pelo conde Alexis Pillet-Will, que a dedicou à sua esposa, a obra estreou a 14 de março de 1864 e, desde o primeiro momento, que dividiu opiniões, com Verdi – um dos maiores compositores de todos os tempos – a sugerir que Rossini abandonasse a música sacra para regressar às suas composições habituais, como o conhecido “Barbeiro de Sevilha”.
Escrita em Passy, onde Rossini passou os últimos anos da sua vida, a obra destaca-se pela rara orquestração para vozes, dois pianos e harmónio, uma combinação inspirada na tradição napolitana do século XVIII.
Três anos mais tarde, numa segunda versão orquestrada por Rossini, a obra incluiu a ária para soprano “O salutaris hostia”, com texto de Tomás de Aquino. Esta versão foi considerada por muitos como tendo sido mais bem conseguida, ainda que o autor continuasse a preferir a primeira.
Não perca esta oportunidade única e assista a Petit messe solennelle, uma obra que irradia otimismo e transmite uma visão luminosa e bem-humorada do mundo.
Ficha Técnica:
Petit messe solennelle Dia 11, às 19h30, na Igreja de São Roque
Soprano: Rita Marques Meio-soprano: Natália Brito Tenor: Marco Alves dos Santos Baixo: Carlos Pedro Santos Harmónio: Nuno Margarido Lopes Piano e Direção Musical: João Paulo Santos
Coro do Teatro Nacional de São Carlos Maestro Titular: Giampaolo Vessella
O mês de outubro foi dedicado à sensibilização para a paralisia cerebral e o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian (CRPCCG), equipamento gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, assinalou o final deste período com uma tarde muito especial na passada sexta-feira, dia 31.
À entrada do espaço foi inaugurado o mural que tinha sido iniciado no Dia Mundial da Paralisia Cerebral, a 6 de outubro, e que contou com a ajuda de utentes, familiares e técnicos do CRPCCG. A inauguração mereceu a presença de Paulo Sousa, Provedor da Misericórdia de Lisboa, e de André Brandão de Almeida, administrador da Instituição com o pelouro da Saúde.
Depois, e já no interior, abrigados da chuva, foi tempo de cantar ao som da App Sound, banda da Associação do Porto de Paralisia Cerebral, que entusiasmou a sala e foi secundada pelo Coro CRPCCG no final da sua atuação. No final da festa foram também entregues ao Centro três novas carrinhas para transporte de utentes desta unidade.
Para Paulo Sousa, o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian “é uma prioridade” da Santa Casa, pelo que está a ser preparado um “processo de reabilitação profundo, que vai iniciar-se logo que estejam reunidas as condições”.
“Não quisemos deixar passar este dia sem este ato simbólico: colocar hoje à disposição do Centro três novas carrinhas de transporte de utentes. Era um tema que se arrastava há muitos anos. É apenas um gesto simbólico, mas queria que o registassem como o princípio de um processo que vamos desenvolver”, finalizou o Provedor.
A mostra, que chega agora a Lisboa após uma passagem marcante pelo Porto, onde foi visitada por mais de 20 mil pessoas, propõe uma revisitação ao percurso político e humano de Francisco Sá Carneiro, figura central da história democrática portuguesa.
Através de documentos, imagens e diversos objetos, a exposição convida o público a refletir sobre os valores da liberdade, da ética e da participação cívica. Um dos núcleos centrais é o espólio guardado pela sua secretária pessoal, Conceição Monteiro, revelado agora pela primeira vez ao público.
A cerimónia de inauguração contou com a participação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do Provedor da Santa Casa, Paulo Sousa, do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, e de José Pacheco Pereira.
“É com enorme honra que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa acolhe, neste espaço histórico da Mitra, esta exposição de tão elevado significado cívico e histórico”, afirmou o Provedor durante a sua intervenção. “A Santa Casa, com os seus mais de cinco séculos de história, tem sido, por vocação e missão, um pilar de solidariedade e justiça social. É profundamente coerente que a Mitra acolha uma iniciativa que conjuga a história, a ética e a cidadania”, acrescentou.
O Provedor sublinhou ainda o papel da Mitra enquanto centro de cultura, inovação e eventos de interesse público, destacando a colaboração com a Associação Cultural Ephemera.
“Ao cedermos este espaço à Ephemera, reconhecemos e apoiamos o seu trabalho notável na salvaguarda e divulgação de acervos que são património inestimável da nossa identidade coletiva”, frisou Paulo Sousa.
A concluir, o provedor evocou também o legado de Francisco Sá Carneiro, “indissociável dos valores que a Santa Casa sempre procurou defender: a dignidade da pessoa humana, a defesa dos mais vulneráveis e a construção de uma sociedade mais justa. A luta pela Democracia, na qual Sá Carneiro foi um protagonista fulcral, é também a luta pelo quadro de liberdades e direitos que permite à Misericórdia, e a todas as instituições sociais, exercerem a sua missão em pleno”.
Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou o legado deixado por Francisco Sá Carneiro, considerando-o como uma “figura meteórica”, que tinha a capacidade de antecipar acontecimentos.
“Ele foi uma realidade, uma realidade única e irrepetível. Mais ninguém viveu, em tão pouco tempo, tanto na criação da democracia portuguesa”, defendeu o chefe de Estado.
Já Luís Montenegro destacou o papel incontornável que Sá Carneiro teve na “defesa da democracia portuguesa”. O primeiro-ministro referiu ainda que se inspira “muito nos valores fundadores da intervenção política de Sá Carneiro”, no seu legado e nos seus valores.
Também discursando na inauguração da exposição, o curador e responsável pela Arquivo Ephemera, José Pacheco Pereira, realçou o papel do antigo primeiro-ministro na construção da democracia.
“Conhecer a sua obra é vital para os dias de hoje. Esta exposição é rigorosa no plano histórico, assenta em múltiplos documentos, muitos assinados e manuscritos por Sá Carneiro”, sublinhando que é “impossível contar a história de Portugal no pós 25 de abril, sem referir o nome de Francisco Sá Carneiro”.
A vice-provedor da Misericórdia de Lisboa, Rita Prates, os administradores da instituição, André Brandão de Almeida e Luís Rego, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, os presidentes da Câmara Municipal de Lisboa e do Porto, Carlos Moedas e Rui Moreira, o cardeal Américo Aguiar e a secretária pessoal de Francisco Sá Carneiro, Conceição Monteiro, também estiveram presentes na inauguração.
A exposição pode ser visitada até 31 de janeiro, com entrada gratuita, de terça a sexta-feira, das 14 às 18 horas, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.
Quando Tiago acordou naquele dia de junho, nunca imaginou que a sua vida estaria prestes a mudar por completo. Com 38 anos, e com uma vida dentro dos padrões normais, o futuro “tinha tudo para ser risonho”. Horas depois, um Acidente Vascular Cerebral interrompeu-lhe o quotidiano e redefiniu-lhe o futuro. Hoje, quatro meses depois, Tiago está internado no CMRA, equipamento de saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde recupera, passo a passo, a autonomia que o AVC lhe retirou.
“Lembro-me de acordar e não conseguir mexer parte do corpo. Nem falar. Era como se alguém tivesse desligado metade de mim”, recorda. “No início, pensei que nunca mais ia andar ou trabalhar. Aqui, em Alcoitão, ensinaram-me que o impossível demora apenas mais tempo”.
O caso de Tiago ilustra bem o impacto que o AVC tem, mesmo em pessoas jovens. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, mas a maioria dos casos podem ser prevenidos com estilos de vida saudáveis.
Internado desde agosto, Tiago iniciou o seu programa de reabilitação intensiva logo após a entrada no centro. No CMRA encontrou uma equipa multidisciplinar que integra médicos, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais e enfermeiros especializados em reabilitação.
“O Tiago chegou com défices significativos, mas com uma enorme motivação para recuperar”, explica Ana Falcão, enfermeira na ala do CMRA de AVD – Atividades de Vida Diárias. “A força de vontade é um fator determinante no sucesso da reabilitação. Desde o início que o Tiago se mostrou empenhado e colaborante, e isso faz toda a diferença”.
O plano terapêutico é adaptado a cada utente. As sessões diárias incluem exercícios de reeducação motora, treino de marcha, terapias da fala e ocupacionais, e atividades que simulam tarefas do dia a dia, com o objetivo de devolver a autonomia e reintegrar os utentes nas suas vidas sociais e profissionais, quando estes ainda trabalham.
“Cada pequena conquista é motivo de celebração. Desde conseguir levantar o braço até apertar os sapatos”, acrescenta a enfermeira. “É um processo exigente, mas compensador”.
Para Tiago, um dos maiores desafios tem sido recuperar a fala. “Nos primeiros dias eu pensava, mas as palavras não saíam. Era frustrante”.
O trabalho com a terapeuta da fala, Carolina Palma, tem sido fundamental nesse processo. “A reabilitação da comunicação é um dos aspetos mais sensíveis após um AVC”, explica a terapeuta. “Não se trata apenas de recuperar a linguagem. É devolver à pessoa a capacidade de expressar emoções, de se fazer ouvir”, explica.
Tiago reconhece esse progresso: “Agora já consigo manter uma pequena conversa. Falo devagar, mas falo”.
No CMRA, Tiago encontrou não apenas técnicos especializados, mas também uma comunidade. “Aqui sentimos que ninguém está sozinho. Há dias em que é difícil, mas basta olhar para o lado e ver alguém que já está mais à frente no processo para acreditar que também vamos conseguir”, diz.
As rotinas diárias das sessões de fisioterapia e terapia ocupacional criam laços fortes entre utentes e profissionais. “O laço que criamos com os médicos é muito importante”, destaca o jovem, frisando que “toda a equipa nos trata com respeito e carinho. Não somos apenas doentes, somos pessoas com histórias, e eles ajudam-nos a acreditar que ainda há muito para viver”.
Aos poucos, Tiago recupera a mobilidade e a confiança. Já consegue levantar-se, fazer pequenas tarefas e recupera lentamente a mobilidade na parte esquerda do corpo, a que foi mais fustigada com o AVC. “Cada passo é uma vitória. Sei que o caminho é longo, mas não estou sozinho”, afirma.
O objetivo é que, após a alta, continue a reabilitação em regime ambulatório e possa, gradualmente, retomar a vida pessoal e familiar. “Quero voltar a jogar Playstation mas, por agora, quero apenas conseguir estar bem e ter a minha família perto de mim”.
Para a equipa do CMRA, histórias como a de Tiago são o melhor reflexo da missão da instituição, de conseguirem reabilitar e de transformar os infortúnios em novas vidas. E é esse o espírito que se celebra neste Dia Mundial do AVC.
AVC — Reconhecer, Agir e Prevenir
O Acidente Vascular Cerebral ocorre quando o fornecimento de sangue ao cérebro é interrompido, causando a morte de células cerebrais. Pode resultar de uma obstrução de um vaso sanguíneo (AVC isquémico) ou da rutura de uma artéria cerebral (AVC hemorrágico).
Entre os principais fatores de risco encontram-se a hipertensão arterial, o colesterol elevado, a diabetes, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, o sedentarismo associado a uma alimentação desequilibrada, a obesidade, o stress prolongado e o histórico familiar de AVC.A
prevenção passa, sobretudo, pela adoção de um estilo de vida saudável. Manter uma rotina regular de atividade física, ter uma alimentação equilibrada e pobre em sal e gorduras saturadas, controlar a tensão arterial e o colesterol através de check-ups regulares e seguir as recomendações médicas, são medidas essenciais. É também importante evitar o consumo de tabaco e álcool e garantir um descanso adequado.
Reconhecer rapidamente os sinais de um AVC pode salvar vidas. A face pode ficar assimétrica de forma súbita, a força pode faltar num braço, numa perna ou provocar perda de equilíbrio, a fala pode ficar estranha ou incompreensível, pode surgir falta de visão súbita num ou em ambos os olhos. Uma forte dor de cabeça, intensa e diferente do habitual pode também ser um sinal de alerta.
A sessão de abertura contará com intervenções do Enf. Diretor Rodrigo Ramos (CMRA), da Enf.ª Ana Falcão (CMRA/APER) e do Enf. Lino Oliveira, representante do Colégio da Especialidade de Reabilitação da Ordem dos Enfermeiros.
Ao longo do dia, três mesas temáticas darão palco a testemunhos de profissionais de diferentes unidades do país, abordando temas como:
A continuidade de cuidados na lesão vertebro medular;
A reintegração domiciliária e adaptação de espaços;
A capacitação de cuidadores informais;
A reabilitação respiratória em ambulatório;
A gestão de alterações neurocomportamentais em TCE;
O processo de descanulação da traqueostomia.
Durante o período da tarde, três workshops simultâneos permitirão aprofundar práticas em atividades de vida diária, inclusão e treino dos músculos respiratórios, com a participação de especialistas do CMRA, do Instituto Nacional para a Reabilitação e da ULSC – DCMRRC.
O seminário encerra com um debate sobre os desafios da profissão nos centros especializados, moderado pela Enf.ª Ana Monteiro (CMRA), e com a presença de representantes de várias unidades de saúde e ensino. A apresentação do grupo Alldança, orientado por Ana Falcão, marcará o encerramento do encontro.
A organização está a cargo da equipa do CMRA, com o apoio dos centros de reabilitação do Norte, Centro e Sul, e pretende reforçar a partilha de conhecimento e a valorização da intervenção especializada em enfermagem de reabilitação.
O Placard, marca dos Jogos Santa Casa, comemora 10 anos e lançou uma campanha para assinalar a data. Com o lema “Há 10 anos tudo ganhou outra emoção, esta campanha multicanal pretende destacar a forma como as emoções do desporto são vividas através deste que foi o primeiro jogo de apostas desportivas à cota legal em Portugal.
A campanha assenta na base de que apostar presencialmente envolve uma dinâmica impossível de atingir quando se aposta sozinho online, valorizando a dimensão da interação humana, a socialização a ela inerente e o diálogo com os mediadores, para além da óbvia partilha de emoções e palpites sobre os diferentes eventos desportivos, com todas as superstições e tradições que isto acarreta.
A campanha do 10.º aniversário do Placard estará no ar até 13 de novembro. Ouça dois spots de rádio:
O Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) assinalou o Dia Mundial da Terapia Ocupacional, comemorado esta segunda-feira, 27 de outubro, com várias atividades dedicadas ao tema da efeméride deste ano: “A Terapia Ocupacional em Ação”.
Assim, profissionais da área, utentes e familiares/cuidadores juntaram-se num dia de animação e partilha de experiências em torno da terapia ocupacional neste equipamento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Tudo começou pela manhã com uma exposição fotográfica sobre o tema, a que se seguiu uma demonstração de minigolfe no campo de jogos do CMRA.
Já da parte da tarde, a Sala Multiusos acolheu o evento “Ponto de Encontro: A Ocupação na Perspetiva Multidisciplinar”, numa abordagem mais teórica sobre a Terapia Ocupacional e as suas aplicações.
ESSAlcoitão também assinalou a data
A Escola Superior de Saúde do Alcoitão também não deixou passar ao lado o Dia Mundial da Terapia Ocupacional, até porque esta é uma das licenciaturas que aquele estabelecimento da Misericórdia de Lisboa oferece. Desta forma, os alunos a frequentar este curso estiveram esta manhã no Centro de Apoio Social do Pisão, onde desenvolveram com os utentes uma série de atividades: estimulação cognitiva, estimulação sensorial, jogos tradicionais portugueses, música e movimento.
O encontro, que reuniu investigadores, especialistas em mobilidade e representantes institucionais, serviu para refletir sobre a criação de cidades mais verdes, inclusivas e amigas das pessoas mais velhas.
A sessão de abertura contou com as intervenções do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paulo Sousa, da vice-reitora do Iscte, Helena Carreiras, da representante do ISTAR – Centro de Investigação em Ciências da Informação, Tecnologias e Arquitetura do Iscte, Catarina Ferreira da Silva, da diretora do CIS-Iscte (Centro de Investigação e Intervenção Social), Margarida Vaz Garrido, e da coordenadora do projeto GreenCity4Aging, Sibila Marques.
Na sua intervenção, o provedor começou por salientar o valor simbólico da colaboração com o Iscte, lembrando que “para uma instituição com mais de cinco séculos de história, [como a Santa Casa] este tipo de iniciativas é uma fonte de renovação, pois traz novas ideias, novas perspetivas e um novo impulso para a forma como atuamos e concebemos soluções ao serviço das comunidades. É igualmente uma honra integrar um projeto financiado pela FCT [Fundação para a Ciência e Tecnologia], que posiciona a Santa Casa no campo da investigação científica, numa área de enorme importância como é a longevidade e a criação de cidades sustentáveis.”
Paulo Sousa destacou ainda que o projeto GreenCity4Aging “constitui uma ferramenta valiosa para enfrentar os desafios do envelhecimento populacional e das transformações urbanas”, acrescentando que “os dados e resultados produzidos são um contributo essencial para decisões estratégicas em matéria de mobilidade, infraestruturas e serviços de proximidade para os cidadãos seniores.”
Já Helena Carreiras sublinhou que o GreenCity4aging “é de grande importância estratégica” para a instituição, destacando o alinhamento com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis).
A vice-reitora destacou que as cidades verdes não são um luxo, mas “infraestruturas de saúde pública essenciais para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”, e concluiu apelando à defesa dos valores de “inclusão, igualdade e diversidade”, pilares que, segundo referiu, “projetos como este ajudam a proteger.”
Participantes na conferência GreenCity4Aging no Iscte
Da esquerda para a direita, Margarida Vaz Garrido, Helena Carreiras, Paulo Sousa e Catarina Ferreira da Silva. De pé, Sibila Marques
Mesas-redondas e resultados do projeto
Durante a manhã, realizaram-se duas mesas-redondas. A primeira, “Growing Older, Living Greener: A Gerontological Perspective”, contou com intervenções de Moritz Hess (Hochschule Niederrhein), Teresa Marat-Mendes (Iscte) e Ana Louro (IGOT), moderada por Sibila Marques, professora auxiliar no Iscte e investigadora principal do projeto.
A segunda, sob o tema “New Forms of Mobility: Cycling Infrastructure & Behaviour Change”, integrou contribuições de Willem Snel (Mott MacDonald), Bruno Maia (EMEL), Rosa Félix (IST) e André Samora-Arvela (Iscte).
Na parte da tarde, Sibila Marques apresentou uma síntese dos resultados do projeto e Filomena Gerardo, da Santa Casa, explicou o processo de envolvimento dos participantes.
Seguiu-se a mesa-redonda “Equidade em Movimento: Participação Pública e Cidades Amigas das Pessoas Idosas”, com participações de Pedro Homem Gouveia (Polis Network), Pedro Navel (Câmara Municipal de Lisboa), Mário Alves (Estrada Viva) e Elisabete Arsénio (LNEC), moderada por Sara Eloy, co-investigadora principal do projeto.
O GreenCity4Aging encerrou o seu ciclo de atividades com uma reflexão alargada sobre o papel das cidades verdes como catalisadoras de inclusão, mobilidade sustentável e envelhecimento ativo, um desafio que, como se sublinhou no workshop, exige cooperação contínua entre ciência, políticas públicas e instituições sociais.
Promovido pela Santa Casa e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o GreenCity4Aging é um projeto que cruza ciência, urbanismo e envelhecimento ativo, procurando soluções sustentáveis para melhorar a qualidade de vida das populações mais velhas nas cidades.
Num dia inteiramente dedicado aos cuidadores, a Sala de Extrações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa acolheu na quarta-feira, 22 de outubro, o encontro “Cuidador Informal – Um Olhar de Futuro”, o qual serviu para reflexão e reconhecimento sobre a função que estas pessoas desempenham diariamente.
Numa oportunidade de partilhar conhecimento e boas práticas na área, foram muitos os cuidadores que estiveram presentes, para além de especialistas no assunto, numa iniciativa organizada pela Direção de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade da Santa Casa e que contou na abertura com a intervenção de Rita Prates, Vice-Provedora da Instituição.
“Estas pessoas fazem, muitas vezes em silêncio, um trabalho extraordinário todos os dias”, lembrou a Vice-Provedora, acrescentando que “cuidar é um ato de amor, mas também de coragem, de resistência e, muitas vezes, de sacrifício”, salientando ainda o “papel essencial para a sociedade” dos cuidadores informais.
A manhã continuou em torno do tema “As várias perspetivas do cuidar”, antes da pausa que serviu para os participantes tomarem contacto com o mural da gratidão, disponível para quem quisesse agradecer publicamente por algum ato generoso, ou conhecer soluções e projetos como o Projeto RADAR. Ainda na parte da manhã decorreu uma mesa redonda sobre “Boas práticas no cuidar”.
Na parte da tarde os trabalhos recomeçaram após a atuação do Coro ROCK, que animou a Sala de Extrações com diversos temas conhecidos de todos. Foi então tempo de dar a palavra aos cuidadores, com os testemunhos impressionantes de Helena Costa e Felisberta Veiga, ambas cuidadoras informais e participantes no grupo de autoajuda do Centro de Educação, Formação e Certificação da Misericórdia de Lisboa.
Além dos difíceis desafios diários ao cuidar da mãe, de 80 anos, Helena falou sobre a sua participação no grupo de autoajuda, “quase uma droga viciante” e um polo de verdadeira partilha de experiências. “Somos todos diferentes, mas somos todos iguais”, resumiu.
Por seu lado, Felisberta, que cuida do marido há já quatro anos, contou como lida com o desgaste no dia a dia: “As coisas não são fáceis, mas faço o meu melhor, dentro do que vai sendo possível”.
A jornada terminou com a intervenção de Carla Ribeirinho, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, que deu a sua visão não apenas como investigadora sobre este tema, mas também, ela própria, como cuidadora informal, e com o agradecimento de Etelvina Ferreira, diretora da Direção do Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade, pela presença de todos, encerrando um dia muito proveitoso.