logotipo da santa casa da misericórdia de lisboa

RADAR continua a identificar pessoas vulneráveis e a combater o isolamento social dos mais velhos

É mais um dia de trabalho de rua para as mediadoras de proximidade do Projeto RADAR. Hoje vão percorrer algumas artérias da freguesia de São Domingos de Benfica, juntamente com uma responsável da Junta local e um agente da Polícia de Segurança Pública. Todos juntos fazem parte deste projeto, criado em 2019, que tenta identificar e acompanhar pessoas com mais de 65 anos em situação vulnerável na cidade de Lisboa, combatendo o isolamento social e a solidão não desejada.

Na lista de tarefas que cada mediadora leva consigo está o mapa da cobertura prevista no dia de hoje e nele tanto surgem moradas ainda não abrangidas pela teia do RADAR, como nomes de pessoas já inscritas na plataforma, sem esquecer os estabelecimentos comerciais/associativos que funcionam – ou podem vir a funcionar – como radares comunitários.

Catarina Mendes, uma das mediadoras, apresenta-se à entrada da porta de um casal idoso, ambos para lá dos 90 anos: “Somos do Projeto RADAR, da Santa Casa, Junta de Freguesia, PSP, Câmara Municipal de Lisboa e serviços de saúde, e estamos a fazer o registo de todos os moradores com estas idades para ficarem na nossa plataforma, no caso de precisarem de algum apoio”.

Os olhares iniciais de desconfiança desvanecem-se e o morador idoso aceita inscrever-se, respondendo a um pequeno inquérito sobre as suas condições de vida, apoio de familiares, questões de saúde… Esta abertura só é possível, muitas vezes, pela tranquilizadora presença da PSP.

“Sem a nossa presença as pessoas ficam mais receosas e algumas até fecham logo a porta. Até porque é essa a nossa recomendação quando falamos com eles: na dúvida, não abram a porta para não serem alvos de burlas ou outras coisas. Neste caso basta verem-nos e ficam mais descansados”, resume o agente Luís Pereira.

O trabalho continua: tocar à campainha, subir escadarias, muitas vezes em prédios antigos sem elevador, e conquistar a confiança das pessoas, oferecendo a possibilidade de ajuda de todo o tipo, desde a entrega de refeições, acompanhamento em consultas ou a simples presença de um voluntário para fazer companhia.

Todavia, do outro lado há, por vezes, momentos de resistência. Frases como “Até estou com receio de me quererem fazer tão bem!” ou “O que ganha a Santa Casa com isto?” são compreendidas pelos mediadores de proximidade, que tentam, no entanto, dar a volta à situação recorrendo à calma, transparência e simpatia.

Segue-se uma farmácia, esta já em sincronia com o projeto. Funciona como radar comunitário, reportando eventuais situações que cheguem ao conhecimento de quem está ao balcão. Hoje, felizmente, não há situações graves a reportar, mas são transmitidas informações úteis aos mediadores, particularmente sobre uma idosa inscrita na plataforma que não tem atendido o telefone. Afinal está bem e até aparece no momento certo para confraternizar com a equipa.

Um ano decisivo

2026 será um ano crítico para o Projeto RADAR. Este foi o ano definido desde o início para o término do projeto, sendo que será feita uma avaliação com todas as entidades envolvidas e dali poderão sair novidades para o futuro.

“O protocolo termina este ano e vamos avaliar o projeto nas suas diferentes dimensões, muito em particular, na dimensão da parceria colaborativa, porque só assim o RADAR faz sentido e tem viabilidade. Nenhuma das organizações que o compõem pode, por si só, garantir a sua operação. Só a Misericórdia, só a Câmara, só a PSP, só a Gebalis, só as Juntas de Freguesia, só as unidades de saúde, por si, não conseguiam pôr este projeto de pé”, aponta Mário Rui André, diretor da Unidade de Missão Santa Casa “Lisboa, Cidade Com Vida para Todas as Idades”.

As 32 entidades envolvidas no projeto definirão o futuro, no qual Mário Rui André vê o RADAR a ser expandido a outras populações vulneráveis, além dos 65+. Para tal, é fundamental construir uma consciência coletiva, porque “o RADAR não consegue chegar a todo o lado”.

“Sem cidadãos atentos e despertos para esta problemática não será possível. Essa cidadania ativa é, talvez, o último grande desafio que o Projeto RADAR deve ter e o mais difícil a médio e longo prazo. O nosso sonho é que um dia qualquer cidadão de Lisboa, de qualquer idade, saiba o que é o Projeto RADAR e como pode dar o seu contributo”, explica.

Resultados positivos

Com a “consciência de que ainda há muito para fazer”, Mário Rui André lembra que a plataforma do RADAR tem já 45 mil pessoas inscritas e que “os objetivos foram atingidos”.

“Tornámos o projeto num instrumento da cidade, assente na parceria colaborativa. A plataforma é uma realidade e permite partilhar informação e recursos, tendo hoje 365 utilizadores/pontos focais. Criámos uma rede de cerca de 5 mil radares comunitários, que são os nossos olhos e ouvidos na cidade. Criámos uma linha de contacto que telefona regularmente às pessoas inscritas. Foi criado o voluntariado RADAR, que garante já 35% dessas mesmas chamadas…”, enumera o diretor.

Ao encontro da vulnerabilidade

Com mais umas Jornadas RADAR e o 1.º Encontro Lisboa Com Vida no horizonte, o projeto ainda tem muito para dar este ano, até porque a cidade tem evoluído e os problemas sociais evoluem com ela, o que obriga as 32 entidades envolvidas a adaptarem-se. Nomeadamente, a Santa Casa.

“A própria Misericórdia começa a ter consciência de que o RADAR pode ser um instrumento proativo de intervenção social. Ou seja, não ficar à espera que as pessoas venham aos serviços, mas que a própria dinâmica da cidade e dos parceiros vá ao encontro da vulnerabilidade na cidade. O que, no fundo, sempre foi apanágio da Santa Casa! É esse o seu desígnio. Se virmos a história e tentarmos perceber onde é que a Misericórdia fez a diferença, foi nisso mesmo: estar lá! Estar onde estão os mais vulneráveis, sejam eles quem forem”, conclui Mário Rui André.

Saiba mais sobre o Projeto RADAR.

Projeto RADAR distinguido como Boa Prática Europeia pelo Interreg Europe

Na avaliação do especialista Erik Gløersen, o RADAR distingue-se pela abordagem multinível no combate à vulnerabilidade, isolamento e solidão das pessoas mais velhas. O perito sublinha a articulação entre instituições — 31 organizações ligadas por uma plataforma digital comum —, a mobilização de associações e comércio local como “olhos e ouvidos” da comunidade e o envolvimento direto de cidadãos para criar uma cultura de proximidade e solidariedade.

Os números também refletem a dimensão e impacto do projeto: mais de 40 mil pessoas seniores e de 5.700 radares comunitários já integram a rede. Todos os meses são realizadas cerca de 2.000 chamadas e visitas porta a porta, além de quase 100 ações de rua, assegurando acompanhamento regular e prevenção de riscos.

Coordenado por entidades públicas, o RADAR reforça a confiança, a sustentabilidade e a responsabilidade social do trabalho desenvolvido. Atualmente, o Governo prepara a expansão do modelo através do RADAR Social, alargando a sua implementação a todo o território nacional. Para outros contextos europeus, o RADAR surge como um exemplo inspirador e transferível de como enfrentar o isolamento sénior, promover a coesão social e construir comunidades mais solidárias.

Consulte a ficha do projeto e a opinião do perito aqui (https://www.interregeurope.eu/good-practices/radar-project).

Farmácia Linaida: o RADAR de proximidade que faz a diferença

Segundo Joana, “é sobretudo a população mais envelhecida que sentimos mais sozinha”. O bairro de Campo de Ourique, com uma realidade social heterogénea, revela contrastes: há clientes que, tendo condições económicas, recorrem a cuidadores particulares e a serviços pagos; mas há também uma franja significativa de idosos que vivem sozinhos, em casas onde a intimidade é guardada com reserva. Nesses casos, a aproximação exige sensibilidade e cuidado, procurando abrir espaço para o diálogo e, sempre que necessário, encaminhar para o Projeto RADAR.

Já houve situações em que o alerta chegou de forma inesperada. Vasco recorda um episódio: uma senhora ligou para a farmácia, dizendo que não tinha dinheiro para a medicação e profundamente aflita. O funcionário que atendeu a chamada percebeu de imediato a gravidade do caso, o que levou à referenciação para o RADAR. “Sentimos que a pessoa ficou agradecida. Isto já foi há mais de dois anos, mas ficou-nos na memória”, recorda.

Desde 2019, a Farmácia Linaida integra o projeto. Vasco admite que, no início, não compreenderam plenamente a sua importância. “Quando nos foi apresentado, não valorizámos tanto. Só mais tarde, com a prática e o contacto direto com a equipa do RADAR, percebemos o enorme impacto deste trabalho.”

Para Joana, o desafio é também manter vivas as ações de rua, realizadas em parceria com a unidade móvel. Testes de tensão arterial, medições de glicemia, avaliações nutricionais ou simplesmente a partilha de informação sobre suplementos alimentares funcionam como portas de entrada para conversar com idosos que, de outra forma, não se aproximariam. E Vasco acrescenta: “Apesar do esforço que implica para a equipa, acreditamos que faz todo o sentido libertar alguém da farmácia para estar presente nestas ações. No fundo, somos uma farmácia de bairro e temos de estar preocupados com o bem-estar da nossa comunidade”, sublinha.

diretora técnica da farmácia linaida a dar uma entrevista sobre o radar.

Ângela, mediadora do RADAR na freguesia, reforça esta visão: “A presença da farmácia é fundamental. Os utentes confiam no seu farmacêutico, aproximam-se com naturalidade, e muitas vezes é aí que se dá o primeiro contacto com o projeto. Para nós, esta colaboração é uma mais-valia enorme.”

A confiança é, de resto, um pilar essencial. Vasco lembra um estudo que apontava o farmacêutico como uma das profissões em que os portugueses mais acreditam, a par de bombeiros e pilotos de avião. “E essa credibilidade é decisiva para o RADAR chegar a mais pessoas.”

Apesar do caminho já percorrido, tanto a equipa da farmácia como os mediadores reconhecem que há ainda desafios pela frente: a escassez de recursos, a dificuldade em mobilizar outras farmácias para determinadas acções, como os rastreios, ou a necessidade de alargar o projeto para fora de Lisboa. Mas a convicção é clara: quanto mais agentes locais se envolverem, maior será o impacto.

No final, Joana deixa uma mensagem simples e firme: “Connosco podem sempre contar. Estaremos sempre disponíveis para ‘ir’.”

Hoje, Campo de Ourique conta com 266 radares ativos. E cada gesto de proximidade, cada conversa ao balcão ou na rua, continua a ser uma oportunidade de fazer a diferença na vida de quem mais precisa.

duas senhoras posam no interior da farmácia linaida, radar de campo de ourique.

O RADAR da Estrela: Quando a solidão é escutada

Quase ninguém, excepto o RADAR. No projeto da Santa Casa que se vê e se sente, há pessoas e gestos que ligam corações solitários a uma rede de cuidado e humanidade.

Andreia Rodrigues é responsável pela farmácia Infante Santo e conhece bem estes silêncios. Como o de uma senhora que, desde a pandemia, não saiu mais de casa. Anos passaram e a única vez que a Andreia a viu fora de portas foi um acaso. Preocupada, comunicou às mediadoras do RADAR. Estas tentaram contactá-la e foram a casa dela, acompanhadas pela polícia. A porta não se abriu. Mais tarde souberam, por uma vizinha, que estava hospitalizada.

“Há vários casos a assinalar. Muitos”, refere Andreia Rodrigues. “Estamos num bairro onde existem muitos idosos. É um bairro antigo, onde as casas foram, muitas delas, transformadas em alojamentos locais. Temos muitos turistas, mas depois temos aquela parte mais envelhecida que mora aqui. E que às vezes precisa de ajuda porque não tem mesmo ninguém. Ou a família que mora longe ou que não pode estar presente.”

Maria Alice Mendes é uma dessas mediadoras. Percorre, diariamente, a freguesia da Estrela, e a sua colega a de Campo de Ourique. Já encontrou de tudo. “Eu diria que depende das pessoas com quem contactamos. Depende… Se a pessoa estiver disponível para aceitar o apoio, corre tudo bem. Mas há pessoas estão já há tantos anos isoladas, sozinhas, chateadas, até, com a sociedade, que não aceitam. É um trabalho de ‘formiga’. Vamos visitando, regular e insistentemente, e percebendo se a pessoa, depois, com o tempo, ‘nos’ aceita. E já aconteceu mudarem de opinião.”

polícia, mediadora radar e farmacêutica

Depois, há o caso de alguns moradores no bairro, como a D. Nazaré, que é o oposto da reclusão — vai a tudo: ações, sessões, encontros. Gosta de estar, de participar, de aprender. Ou o da D. Odete, que passa as tardes na farmácia, como quem encontrou um porto seguro para combater uma grande solidão.

O que une todas estas histórias? O olhar atento de quem escolhe cuidar. Da parte da farmácia Infante Santo, os medicamentos são entregues em casa, sim, mas muitas vezes o que se entrega é atenção, presença, companhia. Um gesto tão simples como perguntar “está tudo bem?” pode mudar um dia inteiro, uma vida inteira.

O agente Vítor Marcolino conhece bem este terreno por dentro. Todos os dias percorre as ruas com as mediadoras. Diz que há surpresas, boas e más. Diz também que o RADAR devia ter mais apoio, mais vozes, mais tempo. “Porque os velhotes gostam de falar. Querem ser ouvidos. Precisam de ser ouvidos.”

E é essa a beleza e, ao mesmo tempo, a dor do RADAR: não é só sobre serviços, é sobre humanidade. É sobre criar tempo onde ele parece faltar. É sobre transformar freguesias em comunidades, vizinhos em cuidadores, e a cidade num lugar onde ninguém fica verdadeiramente sozinho, a menos que queira.

Em bairros antigos como a Madragoa, onde os idosos se misturam agora com turistas e novos residentes, a memória da vizinhança ainda resiste. Onde o RADAR acompanha e se faz acompanhar pela polícia, não por autoridade, mas por segurança.

O Projeto RADAR não apaga a solidão do mundo. Mas é um sussurro constante. “Estamos aqui.” É um fio de esperança lançado sobre quem ficou para trás. E nesse gesto, tão pequeno e tão imenso, reside o verdadeiro sentido de comunidade, levado a cabo por um conjunto de parceiros que se uniram em prol de uma causa: o combate à solidão. Na tal cidade que dorme pouco.

Projeto RADAR nomeado para os Prémios Europeus de Serviços Sociais

Projeto RADAR da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa está atualmente em fase de votação pública para os Prémios ESN e tem a oportunidade de alcançar um reconhecimento significativo a nível europeu. 

Este galardão reconhece as boas práticas em serviços sociais, destacando novas abordagens bem-sucedidas e o extraordinário e contínuo trabalho realizado por gestores, financiadores, planeadores, provedores e prestadores de serviços sociais públicos. O tema dos Prémios deste ano é: “Promoção de comunidades inclusivas”. 

Para votar nos Prémios Europeus de Serviços Sociais 2024 basta ir aqui. As votações terminam no dia 21 de outubro e os vencedores serão conhecidos numa cerimónia que decorrerá em Lisboa, dia 4 de novembro.


Administrador da Santa Casa distinguido pela PSP

Sérgio Cintra, administrador da Ação Social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi homenageado pela PSP, pelo “seu percurso profissional e a sua dádiva à causa da segurança pública”. A distinção aconteceu na passada quarta-feira, 16 de novembro, durante as comemorações do aniversário do Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS), no Cineteatro Dom João V, na Amadora.

Neste contexto, entendeu o COMETLIS enaltecer a postura do administrador da instituição ao longo dos últimos anos, reconhecendo “como fundamental e distinta”, destacando em particular o trabalho que a área da ação social da Santa Casa tem vindo a realizar na “aproximação à sociedade civil mais desfavorecida”.

Um dos exemplos frisados pelo COMETLIS é o projeto RADAR, do qual a PSP é parceira e onde assume um papel preponderante na identificação e acompanhamento da população +65, na cidade de Lisboa.

Distinção

Fotografia: Núcleo de Imprensa e Relações Públicas da Polícia de Segurança Pública

PSP e Santa Casa. Uma relação de parceria em prol do bem-estar da população 65+

A Polícia de Segurança Pública é parceira do projeto RADAR desde a sua criação, em 2019.

De recordar que, em dezembro de 2021, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a Polícia de Segurança Pública renovaram um protocolo que reforça o compromisso das duas instituições no apoio, identificação e acompanhamento da população com mais de 65 anos, na cidade de Lisboa.

Uma parceria que, no entender de Sérgio Cintra, é “essencial para o sucesso do RADAR”, na medida em que “as pessoas que necessitam de apoio sentem-se mais confortáveis quando este é dado pelos ‘anjos’ vestidos de azul”.

O RADAR é um projeto pioneiro em Lisboa, liderado pela Santa Casa, que tem como objetivo identificar a população com mais de 65 anos, em situação de isolamento na cidade. Conta com o apoio da PSP, da Câmara Municipal de Lisboa e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, entre outros, e está integrado no programa “Lisboa, Cidade de Todas as Idades”.

Programa Lisboa Cidade de Todas as Idades: agora ainda mais perto da população sénior

Continuando o seu objetivo de apoiar, ajudar e identificar a população mais velha de Lisboa, o programa Lisboa Cidade de Todas as Idades, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, conta agora com mais um “aliado” nesta missão.

A mais recente unidade móvel utilizada pelas equipas do projeto RADAR pretende ser um equipamento de proximidade e de apoio aos parceiros e radares comunitários que compõem o projeto. Se por um lado permite uma maior rapidez e comodidade na atuação diária destas equipas junto dos idosos das várias freguesias de Lisboa, por outro lado facilita o desenvolvimento de um trabalho integrado e em rede.

Mário Rui André, coordenador da Unidade de Missão Santa Casa, considera que, para o RADAR, “será um importante meio de promoção da relação entre os mediadores de proximidade e os radares comunitários, pois serão estes que acabarão por ser envolvidos nas atividades de prevenção e promoção da saúde que venham a realizar-se na unidade móvel”. Frisa ainda que este equipamento “facilitará o trabalho de rua que está a ser desenvolvido pelos mediadores de proximidade no sentido em que para além de promover a aproximação aos radares comunitários, também facilitará a sua aproximação às pessoas 65+, informando-as e sensibilizando-as sobre a importância de aderirem ao projeto”.

Sendo uma resposta itinerante, a unidade móvel do programa Lisboa Cidade de Todas as Idades é, simultaneamente, um espaço de proximidade com a população de Lisboa e um meio de promoção de maior interação entre os vários parceiros do programa e as comunidades locais. Com este novo veículo de difusão da missão do programa, as equipas do RADAR preveem realizar várias iniciativas conjuntas que podem ir desde ações de rua até à presença em eventos, feiras sociais ou de saúde, ou noutros contextos enquadrados no âmbito do programa.

Unidade Móvel RADAR

Para o coordenador da Unidade de Missão é importante reconhecer que esta nova valência “não é um fim em si, mas um meio facilitador da atividade dos mediadores de proximidade junto dos radares comunitários e da população”, salvaguardando que “as ações de prevenção e promoção da saúde a desenvolver na unidade móvel são muito abrangentes, dependendo do radar comunitário que for envolvido”.

Exemplo disso são as ações de sensibilização e rastreios de saúde que decorreram nos dias 4 e 6 de outubro, na freguesia das Avenidas Novas, e no dia 18 de outubro, na Junta de Freguesia de Carnide, onde a unidade móvel foi palco de rastreios cardiovasculares gratuitos à população sénior de Avenidas Novas e rastreios à diabetes tipo 2, no caso da população da freguesia de Carnide. A primeira ação foi promovida em conjunto com o radar comunitário do mês de outubro, a Farmácia Prates e Mota. A segunda foi dinamizada em parceria com a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.

Até final do mês de outubro, a unidade móvel do programa Lisboa Cidade de Todas as Idades vai estar no dia 19, no Inatel, na freguesia de Alvalade, para promover uma caminhada inserida, ainda, nas celebrações do mês do idoso. Já na sexta-feira, dia 21, vai estar estacionada na rua do Alvito, na freguesia de Alcântara, com a finalidade de realizar rastreios da tensão arterial, glicemia e colesterol, juntamente com a Farmácia Calvário, radar comunitário.

Santa Casa e PSP reforçam parceria no âmbito do projeto Radar

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a Polícia de Segurança Pública assinaram, esta segunda-feira, 13 de dezembro, um protocolo que reforça o compromisso das duas instituições no apoio, identificação e acompanhamento da população com mais de 65 anos, na cidade de Lisboa. Durante a cerimónia, foram ainda entregues aos agentes daquela força de segurança que integram o Modelo Integrado de Policiamento de Proximidade (MIPP), 42 tablets que irão permitir uma maior eficiência no trabalho desenvolvido.

O protocolo, assinado pelo administrador da ação social da Misericórdia de Lisboa, Sérgio Cintra e pelo comandante do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Paulo Pereira, visa melhorar a dinâmica, abrangência e sustentabilidade do projeto, reforçando a colaboração entre as instituições, com a finalidade de potenciar um maior envolvimento dos agentes MIPP na apropriação e utilização da plataforma Radar.

Para Sérgio Cintra, esta parceria com a PSP é “essencial para o sucesso do Radar”, reconhecendo que “as pessoas que necessitam de apoio sentem-se mais confortáveis quando é dado pelos ‘anjos’ vestidos de azul”. O administrador apontou ainda que os tempos complexos que a sociedade atravessa, devido à pandemia de Covid-19, “colocaram várias fragilidades a esta população, que anteriormente não se colocavam, com destaque para as questões da saúde mental”.

Sérgio Cintra defendeu também que o projeto só alcança o seu verdadeiro potencial “porque é trabalhado numa ótica de partilha de experiências e saberes, entre as várias instituições que integram o Radar”, frisando que a instituição que representa “tudo fará para apoiar e disponibilizar todos os meios que consiga para o sucesso”.

No final da sua intervenção, o administrador reforçou que “em breve voltaremos a ultrapassar os 30.000 idosos identificados e inseridos na plataforma”, concluindo que “no rescaldo da pandemia terá de ser feito um diagnóstico social atualizado às circunstâncias de cada um dos territórios da cidade”.

“É com grande satisfação que recebemos mais uma ferramenta importantíssima para prosseguirmos um projeto extremamente relevante na cidade de Lisboa”, afirmou o superintendente Paulo Pereira, durante a cerimónia, admitindo que a PSP “pode e deve ser um parceiro estratégico para o Radar”, relembrando algum dos programas que a PSP já tem para apoiar esta população, como é o caso do “Apoio 65 – Idosos em Segurança”.

Para Paulo Pereira, a intervenção da PSP neste processo é complementar a “todo o trabalho desenvolvido por todos os parceiros”, reforçando que “as ações de todos devem ter, como fim único, uma melhoria considerável nas condições de vida desta população”.

O Radar é um projeto pioneiro em Lisboa, liderado pela Santa Casa, que tem como objetivo identificar a população com mais de 65 anos, em situação de isolamento na cidade. Conta com o apoio da PSP, da Câmara Municipal de Lisboa e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, entre outros, e está integrado no programa “Lisboa, Cidade de Todas as Idades”.

RADAR: mais do que um projeto, é uma ferramenta coletiva essencial de trabalho

O projeto RADAR – inserido no programa “Lisboa, Cidade de Todas as Idades” – resulta de um esforço colaborativo entre várias instituições que operam em Lisboa: a Misericórdia de Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a Polícia de Segurança Pública, as Comissões Sociais de Freguesias, as juntas de freguesia, o Instituto de Segurança Social e a Gebalis.

Perante a constatação de que quase um terço da população da cidade tinha mais de 65 anos e que muitas destas pessoas estavam em isolamento social, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, decidiu avançar com o projeto RADAR, em janeiro de 2019. O objetivo? Combater a solidão e dar voz a esta faixa populacional.

Depois de uma fase piloto, de seis meses, que decorreu em três freguesias onde foram detetadas situações de dificuldades económicas, de carências de cuidados de saúde e de higiene nas casas, o RADAR foi alargado a outras zonas da cidade de Lisboa.

Na sua primeira fase, o projeto centrou-se na identificação da população da cidade de Lisboa com mais de 65 anos, atendendo às suas expetativas, privações e potencialidades, com o intuito de detetar, antecipadamente, situações de risco e agilizar uma intervenção ajustada e sustentada a cada situação.

Em junho de 2019, foi assinada a Carta de Compromisso com mais 10 juntas de freguesia. Esta segunda etapa do projeto permitiu identificar mais 11 mil idosos que viviam sozinhos ou com alguém da mesma idade. Ainda nesse ano, em outubro, o RADAR entrou na sua terceira fase, chegando a mais 14.274 pessoas, de mais 12 freguesias.

Em fevereiro de 2020, o RADAR apresentou os resultados do seu primeiro ano de atuação no terreno. No total, foram identificados mais de 30 mil idosos (30145) que vivem sozinhos ou acompanhados por alguém da mesma faixa etária, sendo que só três pessoas se encontravam no nível 1 de carência e cerca de 92% no nível 5, o menos crítico. Na ocasião, o provedor da Santa Casa, Edmundo Martinho, salientou que “o Radar foi um passo” importante, mas que “é preciso traduzir este trabalho em respostas para esta população”, lembrando que “o nosso centro tem de ser cada uma destas pessoas e cada uma destas vidas”.

Novos tempos, o mesmo objetivo

O ano de 2020 ficou marcado por profundas mudanças, devido à crise pandémica provocada pelo novo coronavírus. Para a população mais envelhecida, as restrições resultantes da pandemia de Covid-19 agravaram o isolamento social, então, já existente.

Atento a esta nova realidade, o RADAR reajustou os moldes da sua intervenção, passando esta a centrar-se mais em contactos telefónicos diários com os idosos identificados na plataforma. Durante o estado de emergência, então decretado pelo Governo, foram realizados milhares de telefonemas pelas equipas do RADAR.

Na opinião de Mário Rui André, coordenador da Unidade de Missão Lisboa Cidade de Todas as Idades, “o RADAR contribuiu decisivamente para chegar de forma célere, eficaz e eficiente, às pessoas 65+ integradas no projeto”. A plataforma digital que foi criada para agregar todos os dados recolhidos, durante a operacionalização do RADAR, foi “essencial para ser feito todo este acompanhamento”.

“Com a pandemia ficou evidente que o projeto RADAR é importante, não apenas em situação de normalidade social, mas também e, fundamentalmente, em situações de disrupção social provocadas por crises e catástrofes, neste caso a pandemia”, frisa o responsável.

Com o alívio das medidas de restrição, no verão, o RADAR voltou às ruas de Lisboa com a iniciativa “Atualizar para melhor servir”, para revisitar a população da cidade de Lisboa com mais de 65 anos e atualizar a plataforma com dados mais atuais e precisos. Este regresso ao terreno permitiu também voltar ao contacto com os radares comunitários, procurando reforçar o seu envolvimento na identificação de pessoas idosas em situação de vulnerabilidade e ativar recursos locais através dos parceiros envolvidos no projeto.

Nesta fase, o objetivo principal dos entrevistadores do RADAR foi falar com as pessoas que, por algum motivo, não conseguiram contactar durante o primeiro confinamento.

Ainda em 2020, a Gebalis, empresa municipal a quem compete a gestão dos bairros camarários, junta-se à equipa de parceiros do projeto. Com este reforço, o RADAR ganhou mais um aliado relevante na identificação da população mais envelhecida da cidade.

Para o futuro, Mário Rui André alerta para o facto de ser “fundamental que se continue a alimentar a plataforma, procurando aprofundar o conhecimento da realidade do envelhecimento na Cidade de Lisboa”, concluindo que “o próximo passo do projeto RADAR pode resumir-se na estratégia dos 3 A’s: Apropriar, Atualizar e Alimentar”.

 

Transição para o digital na Santa Casa: a tecnologia como fator de mudança

Será que o digital cria mesmo valor para as empresas e organizações? É com esta pergunta que a Direção de Estudos e Planeamento Estratégico da Santa Casa parte para o seminário “Transição Para o Digital na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa”, que decorrerá no próximo dia 24 de setembro, a partir das 9:30. Devido às condicionantes ditadas pela Covid-19, a admissão de público na Sala de Extrações da Misericórdia de Lisboa não será possível, mas o evento contará com transmissão via streaming através do canal de Youtube da Santa Casa.

O seminário contará com a participação do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho, e da secretária de Estado da Inovação e da Modernização Administrativa, Maria de Fátima Fonseca. No programa do seminário “Transição Para o Digital” constam ainda nomes como Vasco Jesus, professor convidado da NOVA Information Management School, Eduardo Antunes, membro da Comissão Executiva da Microsoft Portugal ou Filipe Costa, diretor comercial para as Grandes Contas da SAP Portugal.

Através da discussão de situações concretas, que sejam passíveis de transportar para o universo Santa Casa, o seminário pretende contribuir para um maior nível de sensibilização dos trabalhadores da instituição para a temática do digital e mostrar a forma como a tecnologia pode contribuir para o aperfeiçoamento da prestação de serviços nas diversas áreas de atuação da Santa Casa.

Para o responsável da Direção de Estudos e Planeamento Estratégico da Santa Casa, Francisco Pessoa e Costa, todos os serviços da Misericórdia de Lisboa saem a ganhar com uma maior aplicação da tecnologia digital. “Nos domínios da ação social e da saúde o digital assume, pelo contrário, uma função de complementaridade ao trabalho desenvolvido pelos profissionais daquelas áreas, que é absolutamente insubstituível, como, aliás, a situação de pandemia em que nos encontramos tem demonstrado”, explica.

Uma das iniciativas que a instituição quer desenvolver no âmbito da migração para o digital é a introdução de teleconsultas e programas de telereabilitação no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, permitindo desta forma o acesso simples e rápido a cuidados de saúde.

Idosos “mais autónomos, mais acompanhados e em maior segurança”

O seminário contará também com apresentações mais focadas nos idosos, com objetivos diferenciados: a Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso irá partilhar o sistema de gestão de tarefas e atividades que implementou como suporte de toda a sua atividade; já a SAP irá partilhar a sua experiência na área da ação social, numa apresentação que ilustra a melhoria do nível de qualidade e bem-estar que é possível de alcançar através do digital.

A cargo da EDIGMA estará uma apresentação focada na realidade virtual e na forma como este método pode reduzir o isolamento de utentes institucionalizados e identificar sinais precoces de doença.

O projeto RADAR é, para Francisco Pessoa e Costa, o exemplo perfeito que demonstra a forma como a tecnologia pode ser uma mais-valia. Seja através da “criação de sistemas de monitoração e controlo que garantam a capacidade de atuação em tempo útil” ou com a “introdução de componentes de análise de dados e de inteligência artificial que possibilitem complementar diagnósticos, incorporando conhecimento e encontrar soluções”.

Pode a tecnologia ser um meio para nos mantermos mais autónomos na velhice? Fernando Pessoa e Costa não tem dúvidas: “Acredito em absoluto: mais autónomos, mais acompanhados e em maior segurança. [A tecnologia] deve ser utilizada como componente de reforço da proximidade e do compromisso de intergeracionalidade”, refere.

Para assistir ao Seminário “Transição Para o Digital na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa” clique aqui.

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas