O voluntariado na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa assume as mais diversas formas e, por vezes, algumas tão simples que nem sempre são óbvias. É o caso das aulas de informática no Centro de Dia Rainha D. Maria I. O nome pode sugerir temas relacionados com computadores, mas é muito mais do que isso.
Todas as terças-feiras, às 17 horas, um grupo de pessoas de diversas idades, utentes do Centro ou apenas pertencentes à comunidade local, junta-se para aprender. Computadores, telemóveis, fotografia, serviços online, plataformas de streaming, entre outros: cada um traz as suas dúvidas de casa, às quais Alexandre Caldas tenta responder. Brasileiro, com emprego no ramo imobiliário, Alexandre sempre esteve ligado ao voluntariado, já desde o seu país, e quando chegou a Portugal quis continuar a ajudar o próximo.
“Inscrevi-me para ser voluntário na Santa Casa e havia esta necessidade aqui no Centro. Não me inscrevi especificamente para dar aulas de informática, mas para algum tipo de voluntariado”, começa por dizer.
Quando lhe foi proposto que desse explicações nesta área, Alexandre quis “pensar num modelo que fosse interessante”, até porque “nem todos têm acesso ao computador em casa” e, portanto, liberalizou a atividade: em vez de ensinar coisas gerais, vai ao encontro das dúvidas de cada participante.
“Desde WhatsApp, Facebook, tirar fotografias e editá-las, entrar no Portal Finanças ou da Segurança Social, fazer o registo em qualquer coisa… Enfim, coisas do dia a dia”, explica o voluntário.
“Tem muita paciência!”, acrescenta Margueritte, uma das utentes que vem todas as semanas.
“Soube disto através do Centro de Dia. Comecei com o computador e agora são mais dúvidas de telemóvel. É muito interessante, porque estamos sempre a aprender mais umas coisas. Agora já corre melhor, mas ao princípio… Às vezes o Alexandre tem de repetir a mesma coisa!”, admite Margueritte, para quem este grupo serve para “dúvidas e mais umas conversas”.
O voluntário corrobora esta afirmação, explicando que, na solidariedade, “por vezes as pessoas querem doar dinheiro, mas esquecem-se do mais importante, que é dar a sua atenção”.
“Estas pessoas, por vezes, nem estão cá pelas dúvidas de informática. É uma conversa, uma ocupação. Vêm nem que seja só para a fofoca”, sorri Alexandre.
Já com a aula a decorrer chega Natália. Não é a primeira vez que vem, embora participe há relativamente pouco tempo. E a razão, aos 80 anos, é simples: “Quando trabalhava havia pessoas que usavam a internet, mas eu não precisava. Desmazelei-me e agora não sei nada! Tinha dos outros telemóveis e diziam-me sempre para comprar um novo. Comprei este e, de facto, não tem nada a ver com os outros!”.
Natália interessa-se sobretudo pelas fotografias. Quer aprender a tirá-las e a partilhá-las. O respeito com que foi educada na sua já longa vida faz com que trate Alexandre, umas boas gerações mais novo, por “professor” e não hesita nos elogios.
“O professor Alexandre ajuda-nos, é ótimo! Com pessoas da nossa idade a coisa já não vai à primeira, mas ele é impecável!”, descreve Natália, antes de pedir ajuda para mais uma dúvida relacionada com o pequeno ecrã que segura na mão.
Se também tem dúvidas nesta área e deseja participar nestas aulas no Centro Rainha D. Maria I (Rua Tenente Espanca, 27 – 1.º), basta inscrever-se gratuitamente, com uma semana de antecedência, através do telefone 217 815 298 ou do email cd.rainhadonamaria@scml.pt.