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Aldeia de Santa Isabel: A casa de todas as idades

Vivo para cuidar de ti

O sol tímido que se esconde por detrás das nuvens deixa Manuel num limbo entre a luz e a escuridão. Entre acenos e expressões faciais ocultadas pela máscara, dá indicações de que estamos no caminho certo. O som de guitarras do blues rock guia-nos pelo corredor de um prédio, paredes meias com o Clube de Rugby do Técnico, em Lisboa. “Entrem, fiquem à vontade. Vou desligar a música, apesar de gostar muito. Lembra-me a minha altura, quando era jovem”, recorda.

Olhar pela janela é o único contacto que vai mantendo com o exterior. Antes da Covid-19 ainda saía para comprar o jornal, mas eram raras as vezes que podia parar para olhar as páginas com calma. Não sobra tempo na vida deste cuidador informal. Os dias preenchem-se: entre cuidar da esposa, da lida doméstica e, quando dá, cuidar um pouco de si. É assim há quatro anos, altura em que a sua vida foi tomada pela vida da mulher.

A palavra confinamento não entrou no dia a dia deste casal apenas em 2020, por força da pandemia. Estar confinado deixa de ser um problema quando se torna num modo de vida. Hoje, como em todos os 365 dias do ano, estava com Angélica, de 78 anos, em casa. “Não tenho outra hipótese. Não a posso deixar sozinha. Além disso, isto da Covid não ajuda nada”, desabafa Manuel, enquanto ajuda Angélica a exercitar partes do corpo adormecidas. A Organização Mundial da Saúde (OMS)  declarou 2021 como o ano internacional dos trabalhadores de saúde e cuidadores” que, sobretudo nesta fase de pandemia, “têm demonstrado dedicação, sacrifício e compromisso extremos”.

restrato de um homem com mulher no fundo

As palavras da OMS traduzem na perfeição aquilo em que a vida de Manuel se tornou. São tempos difíceis para este homem de 73 anos, com um passado marcado pela liberdade de escolha. Em 1975 bateu às portas do Polo Norte. Portugal recuperava de mais de 40 anos de ditadura, e Manuel já colocava os pés a caminho da maior aventura da sua vida. Foram 33 dias de viagem, com um amigo, “num dois cavalos”, o mesmo carro que mais tarde levaria Manuel e Angélica até Marrocos. Nesta viagem pela Europa, Leninegrado (atual São Petersburgo) era o destino. A passagem para a Rússia, pelo lado finlandês, foi interrompida na fronteira entre os dois países devido à ausência de visto. Ainda hoje lamenta ter perdido o rasto ao diário de bordo, com texto e fotografias, que elaborou durante a viagem.

Dos tempos que viveu em Macau, entre 1985 e 1989, a conversa é diferente. Objetos de decoração oriental adornam o lar deste casal. São pequenas peças, “mas com muito valor”, que transportam Manuel para um período da sua vida em que tudo era diferente. Na altura, vislumbravam-se poucos portugueses naquela região. Recebeu um convite para trabalhar em Macau, como diretor comercial e marketing de uma empresa, depois de 13 anos numa firma de madeiras em Portugal. Foi aqui que, um dia, olharam para Manuel e disseram: “Ó Manel, tu é que eras bom para entrar num filme”. Fez de figurante no The Boys From Brazil, filme estreado em 1978, que foi em parte rodado em Portugal, onde figuravam Gregory Peck, Laurence Olivier e James Mason.

A curta carreira de um jovem que nunca aspirou ser ator terminou num ápice. No currículo de Manuel não constam mais participações em longas-metragens. O mais próximo que voltou a estar dos grandes ecrãs foi em Macau, ao comprar espaço publicitário na principal televisão daquele país.

Seis meses depois, Angélica juntou-se ao marido naquela região, na altura administrada por Portugal. O plano estava feito: “Já éramos casados há uma série de anos. Eu fui primeiro, para ver se me ambientava”. Correu tudo bem. Angélica acabaria por deixar o cargo de administrativa para se juntar ao marido no sudeste asiático. Manuel recorda que, na altura, deram a Angélica uma licença sem vencimento, “o que não era habitual”, mas como “ela tinha um currículo excelente” – marcado pela conquista de medalhas e diplomas de mérito – o superior dela disse: “Para a Angélica, tudo, tudo o que ela quiser. Ela vai o tempo que ela quiser para Macau e, quando voltar, tem o lugar dela à espera”.

E assim foi. Em 1989, no regresso a Portugal, ela recuperou o cargo outrora ocupado. Para Manuel foi diferente. Com experiência profissional como militar no Congo Belga, como diretor comercial de uma empresa macaense e até como aspirante a ator, acabaria por conseguir trabalho numa área que, na sua visão, “era só para meninos bonitos”: o turismo. Nos anos 90, começou a trabalhar em hotéis, primeiro em Lisboa e depois na praia da Barra, em Aveiro.

Foi já como aposentado que tudo mudou. A depressão de Angélica viria a desencadear coisas piores: uma demência. Os problemas do foro neurológico foram provocando o declínio progressivo da mente e do corpo. Para Manuel é difícil perceber como chegaram aqui. Como, hoje, o melhor que consegue obter da esposa é pequenas reações que se traduzem em quase nada. “Ela não fala comigo. Emite uns sons, repete o que eu digo na melhor das hipóteses”, refere.

Homem a cuidar da esposa

Manuel olha para o relógio. Está na hora! Dirige-se à cozinha para preparar um lanche para a mulher, o docinho de sempre, “que ela tanto adora”. Os cuidados a Angélica começam bem cedo: “Preparo o pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar. Dou-lhe toda a alimentação e medicação. A minha vida é isto, completamente dedicado a ela, 24 sobre 24 horas”.

Angélica é carregada por braços que já não têm a força de outros tempos. Uma pessoa não chega para a tirar da cama ou do sofá, “quanto mais tratar da higienização”. Entretanto, começou a perceber que duas mãos não dão para cuidar de tudo. Após várias pesquisas, alguém indicou a Santa Casa. As auxiliares de geriatria e apoio à comunidade, do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) Madredeus, vêm todos os dias, de manhã e ao final da tarde, para ajudar Manuel a aliviar a carga diária. “Vamos lá tomar banhinho, minha querida Angélica?”, questiona a auxiliar Eugénia Efigénio.

 

A Casa de Todas as Idades

Afetos, selfies e uma promessa: a visita de Marcelo à Quinta Alegre

Quando Marcelo Rebelo de Sousa entrou na Quinta Alegre, à sua espera já estavam utentes e auxiliares desta Estrutura Residencial para Idosos (ERPI), da Misericórdia de Lisboa. À medida que o Presidente da República avançava pelos corredores, a diretora da ERPI, Tânia Gomes, indicava os nomes dos utentes que se mostravam à varanda. Aqui, Marcelo, regressou aos afetos. O chefe de Estado deu uso à câmera fotográfica do seu telemóvel para, com selfie atrás de selfie, registar momentos que os cerca de 65 idosos que residem na Quinta Alegre jamais esquecerão.

“Feliz e santa Páscoa”, dizia Marcelo. As respostas aos votos do conhecido Presidente “dos afetos” eram comuns na gratidão: “Muito obrigado pela visita. Gosto muito de si, Presidente”. Para felicidade dos utentes, prometida ficou já uma nova visita à Quinta Alegre. Nos meandros da conversa com Francisca, que está perto de completar 101 anos de vida, Marcelo garante: “venho cá cantar-lhe os parabéns no dia 28 de junho. Fica marcado”.

Marcelo a tirar uma fotografia com uma utente

Em pouco mais de uma hora de visita, todos tiveram oportunidade para trocar impressões com o Presidente da República. “Dona Esmeraldina, diga-me lá: sente-se bem tratada aqui?”, perguntava o chefe de Estado. “Muito bem. Gosto muito de estar aqui”, afirma a utente. Marcelo Rebelo de Sousa não parecia espantado com as respostas dadas pelos residentes deste equipamento da Misericórdia de Lisboa, até porque, como o próprio referiu aos jornalistas presentes, “a Santa Casa é uma instituição de uma qualidade, devoção e sentido de serviço excecionais, num país envelhecido, que precisa de suporte social”.

Com “a vacinação nos lares praticamente completa”, a aparição de Marcelo Rebelo de Sousa nesta ERPI da Santa Casa foi também uma forma de mostrar a todos “que é possível visitar lares, sendo a Quinta Alegre bom exemplo disso”. E o sucesso em muito se deve “a todos os profissionais que aqui trabalham”, a quem dirigiu uma palavra especial, por terem “vivido um ano de forma ainda mais intensa e difícil do que muitos outros portugueses”.

A visita acontece numa altura em que o país se preparava para uma Páscoa diferente, inclusive o Presidente da República. “Vou ter a Páscoa mais monótona da minha vida. Os familiares estão longe e, muito provavelmente, vou ficar no Palácio de Belém, e aproveitar para preparar o discurso do 25 de abril”, revela.

Diminuir a exclusão e evitar internamentos

Diminuir a exclusão e evitar internamentos

Há seis anos, que a Unidade W+ da SCML tem no terreno equipas de intervenção comunitária. A formação de líderes da comunidade é uma das estratégias da intervenção das equipas da Unidade W+.

Conferência “Desafios de um novo normal”: O que esperar no mundo do trabalho do futuro?

No dia em que o Governo apresenta aos parceiros sociais o Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa reuniu um conjunto de intervenientes com diferentes visões sobre o futuro, mas consensuais na necessidade de uma profunda reflexão sobre o futuro do trabalho, seja à distância ou num formato híbrido, com a premissa de que dificilmente se regressará atrás.

“Demos um salto de 10 anos em poucas semanas devido à pandemia. E as grandes transformações foram no contexto de trabalho”, afirmou Gabriel Coimbra, vice-presidente da IDC Portugal, considerando que estes “novos tempos” constituem “a oportunidade de fazer um reset” e “fazer melhor do que até agora”.

Como se deve olhar para o futuro e definir os caminhos que se avizinham? O que deve mudar? Qual o modelo de funcionamento e relacionamento com a sociedade? Estas são apenas algumas das questões que se colocaram em cima da mesa, para as quais Gabriel Coimbra apontou alguns caminhos, como a empatia, devendo as instituições não viver focadas no lucro, mas igualmente em valores como a sustentabilidade da organização, a robotização dos processos e a agilidade funcional, o que significa instituições com “lideranças fortes, ágeis, com uma estratégia e que não trabalhem em silos, mas em equipas”.

Para Clara Cardoso, do C-Lab, existe a certeza de que “não vamos voltar à casa de partida”, explicando que as pessoas desejam ter a “propriedade do tempo”, uma flexibilidade nas suas decisões e ainda admitem adotar formas alternativas de vida.

“Quando questionadas quanto ao futuro do trabalho, verifica-se que as pessoas querem trabalhar em modelos híbridos e que apenas 17% querem regressar ao modelo anterior”, revelou Clara Cardoso, apontados o apoio aos filhos, a melhor gestão das tarefas domésticas, as reuniões online ou as pausas de acordo com o próprio ritmo como alguns dos “ganhos” do teletrabalho.

O modelo híbrido foi igualmente defendido por Luís João, da Microsoft, que considerou que este novo paradigma de trabalho “será inevitável”. “Quando é que irá acontecer e de que forma dependerá da capacidade de inovação tecnológica de cada organização”, considerou, destacando a necessidade de se “voltar atrás nas noções de espaço e tempo” no que respeita ao trabalho de equipa, a importância das lideranças pensarem no que as pessoas precisam para trabalhar e o esboço de um novo conceito de espaço de trabalho que, no futuro e em muitos casos, poderá passar pelo local de residência.

Mais crítico quanto ao modelo de trabalho à distância, Manuel Carvalho da Silva, do CoLABOR, preferiu incidir a sua intervenção na proteção social do trabalhador, na necessidade de se “refletir no bem comum e no coletivo”, aconselhando ainda cautela na regulamentação deste novo modelo laboral.

“O tempo que temos vivido é de exceções, emergências e unilateralidade. Não é, por si só, alicerce seguro para definir o futuro”, alertou. Afinal, sublinhou Carvalho da Silva, “mesmo com máquinas inteligentes, as intermediações e as relações são entre seres humanos”.

Na abertura da conferência, Edmundo Martinho, provedor da Misericórdia de Lisboa já tinha questionando os oradores convidados sobre as consequências do trabalho remoto numa instituição como a Santa Casa, em que parte da atuação assenta na “proximidade”.

“Quais os benefícios do teletrabalho para a atividade da Santa Casa? Como compatibilizamos a necessidade de estarmos presentes nos territórios e na comunidade com estas novas formas de trabalho?”, foram algumas das questões que Edmundo Martinho colocou, frisando que muito do trabalho da instituição não é compatível com funções à distância, como é o caso da assistência social, prestação de cuidados de saúde ou distribuição de alimentos.

O provedor declarou, ainda, existirem “alguns défices na Santa Casa”, nomeadamente relacionados com os instrumentos de apoio à gestão, “essenciais para assegurar a eficácia do nosso trabalho”.

Já no final da sua intervenção, Edmundo Martinho salientou que seja qual for o futuro, a prioridade terá sempre de ser “a continuidade da produtividade e o reforço do trabalho prestado”.

Assista à conferência na integra, aqui.

“Storytellers”: o desporto como ferramenta de integração e inclusão social

No início de março, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa renovou a sua parceria com o Ginásio Clube Português, para a continuidade do projeto “Storytellers”. Uma iniciativa que, nos dois últimos anos, foi premiada pelo Programa Nacional Desporto para Todos do Instituto Português do Desporto e Juventude.

A terceira edição deste projeto vai permitir que um grupo de jovens provenientes de países em conflito, acompanhados pela Equipa de Integração Comunitária da Santa Casa, tenham acesso a atividades físicas e desportivas no Ginásio Clube Português, num ambiente de suporte e integração com os sócios deste espaço.

Para António Santinha, diretor da Unidade de Apoio à Autonomização da Misericórdia de Lisboa, esta parceria vai possibilitar “que estes jovens, que advêm de contextos socioculturais bastante complicados possam, para além dos benefícios inerentes à prática desportiva, igualmente ter benefícios na construção de redes informais de apoio”.

O responsável lembra que o desporto constitui uma das “principais ferramentas para a inclusão destes jovens na comunidade”, concluindo que este protocolo com o Ginásio Clube Português é “o exemplo perfeito do desporto como mecanismo de integração”.

À semelhança das anteriores edições, o projeto terá a duração de um ano e pretende, numa primeira fase, promover a integração de 60 jovens refugiados em contexto de prática desportiva. Os últimos três meses da iniciativa serão dedicados ao estudo dos dados recolhidos, através da partilha de aprendizagens e da criação de modelos e ferramentas de suporte ao desenvolvimento de futuras ações.

Ministério da Justiça e Santa Casa formalizam cooperação para a criação de Casa de Autonomia para jovens em reinserção

Ministério da Justiça e Santa Casa criam Casa de Autonomia para jovens em reinserção

O acordo de cooperação foi assinado esta quarta-feira, 24 de março, na Sala de Extrações da Santa Casa, e prevê uma resposta de acolhimento (Casa de Autonomia) dirigida a jovens provenientes de centros educativos com medidas de supervisão intensiva.

A Casa de Autonomia entrará em funcionamento já em abril com o plano de formação específico da equipa técnica e receberá os primeiros jovens em maio, em estreita cooperação com a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), entidade que articulará diretamente com a Misericórdia de Lisboa a gestão desta nova resposta social na cidade.

Trata-se de um projeto inovador que visa dar uma resposta social e pessoal, através da criação de condições de acolhimento numa casa de autonomia, dotada de um ambiente seguro e tranquilo, e acompanhada por técnicos especializados da Santa Casa. O objetivo desta casa é permitir proporcionar uma transição progressiva e sólida para a próxima etapa do plano de vida de jovens que procuram a reinserção na sociedade.

“As casas de autonomia podem ser uma peça profundamente transformadora na arquitetura da nossa instituição juvenil. […] A assinatura deste protocolo representa um avanço muito significativo na concretização do objetivo de uma transição gradual e um ajustamento destas jovens e destes jovens ao espaço comunitário em que posteriormente se vão inserir”, sublinhou a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem.

Também o provedor da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho, destacou a importância do projeto: “Para a Santa Casa este é um território novo, mas que dá continuidade àquilo que tem vindo a ser o nosso trabalho e a nossa preocupação na dimensão da proteção de crianças e jovens. […] Deixemos de aceitar que estes jovens fiquem entregues à sua sorte ou à sorte da vida e encontrem a estabilidade que lhes permita crescer. É esse o nosso compromisso principal e a nossa ambição.“

O objetivo desta parceria “é encontrar soluções de vida alternativas para estes jovens e que permitam o seu desenvolvimento harmonioso. Queremos ajudar estes jovens em percursos de vida sólidos ou consolidados, em percursos de desenvolvimento pessoal que os libertem de vidas, tantas vezes, vividas em circunstâncias tão difíceis”, finalizou.

Mais respostas

Além desta casa, a Misericórdia de Lisboa vai abrir um Apartamento de Autonomia Apoiada, com três vagas, para jovens com processo de promoção e proteção e provenientes de processos tutelares educativos. Ou seja, para jovens que após cumprirem a medida, se não se sentirem seguros para seguirem o seu caminho sozinhos, podem continuar a ter acompanhamento. Os dois novos equipamentos da Santa Casa estão reunidos no mesmo edifício.

De referir, ainda, a constituição de uma equipa móvel, que enquadrará as duas respostas anteriores, com capacidade para acompanhar jovens que tenham passado por centros educativos ou que tenham estado em supervisão intensiva e necessitem de apoio no final da mesma.

Como se combate a pobreza e a exclusão social?

Organizado pela Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal (EAPN, na sigla em inglês), o encontro online realizou-se esta segunda-feira, 22 de março, e visou debater o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e responder a questões como: De que forma é que o plano poderá reduzir a pobreza, a exclusão social e melhorar o acesso e a qualidade dos serviços públicos para todos? E qual a melhor forma de dar um papel e voz às pessoas que vivem em situação de pobreza?

O plano de ação, proposto pela Comissão Europeia no início de março, pretende retirar 15 milhões de cidadãos da pobreza e da exclusão social até 2030 e reduzir drasticamente o número de sem-abrigo na União Europeia (UE).

Portugal com mais de 2 milhões de pessoas a viver em situação de pobreza

Na abertura da conferência online, Edmundo Martinho, coordenador da Comissão da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza e provedor da Misericórdia de Lisboa, considerou que “o plano de ação surge num momento particularmente desafiante para todos nós”. A pandemia de Covid-19 veio “agravar” vários indicadores e a situação de alguns portugueses, sendo assim necessário ter um “plano ambicioso”.

Apelando a que a estratégia seja elaborada com o envolvimento da sociedade civil e num processo de “ampla participação e debate”, Edmundo Martinho destacou que “um sistema de proteção social eficaz e robusto é a melhor solução para responder e estarmos preparados para crises como a que vivemos”.

Para o responsável pela Comissão da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, é “muito importante” que o plano reafirme a responsabilidade pública coletiva no domínio social, mas há “sem dúvida nenhuma uma responsabilidade dos Estados-membros” que, embora seja reafirmada, se mantém “no domínio da chamada soft-law”, ou seja, legislação não-vinculativa.

Edmundo Martinho defendeu ainda que “o combate à pobreza tem que ser um desígnio nacional. Não pode ser entendido apenas como uma responsabilidade do Estado ou dos organismos públicos”. E continuou: “Vivemos num momento de viragem. Este plano de ação é talvez a última oportunidade para dar passos significativos no combate à pobreza, na qualificação, na proteção e promoção de emprego, no suporte e apoio às crianças, nas questões da longevidade e nas alterações demográficas”.

Reforço do sistema social e proteção dos mais vulneráveis

Na sessão de encerramento da conferência, Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, observou que esta é uma luta contra um inimigo invisível, mas com um efeito devastador na sociedade. “O nosso objetivo é proteger as famílias, os trabalhadores e as empresas. É evidente que estamos todos a sofrer, mas de forma diferente, sendo que os mais vulneráveis são os afetados”, notou.

Na sua intervenção, Ana Mendes Godinho assumiu, ainda, “todo o empenho em investir na dimensão social da Europa e na implementação do plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, como instrumento determinante para superar a crise económica em que vivemos e a crise social sem precedentes”.

Já durante a manhã, Mariana Vieira da Silva, ministra de Estado e da Presidência, sublinhou a necessidade de um Estado Social mais forte para todos, que possa retirar a população da pobreza, que possa assegurar à classe média as condições para a concretização dos seus projetos de vida”, frisando que para responder à dimensão social da crise, é necessária “uma resposta eficaz” na habitação, uma área que há muitos anos não tem uma “resposta integrada”.

O padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal, abriu a conferência online destacando que “esta crise deixa claro que temos de cooperar em vez de competir. Será esta a via para uma Europa livre de pobreza”. “Temos, em toda a Europa, mais de 90 milhões de pessoas a viver em situação de pobreza e exclusão social e, em Portugal, mais de 2 milhões. Muito foi feito em matéria de investimento nas políticas sociais, mas continuamos a precisar de uma ação concertada que combata as causas estruturais da pobreza e as desigualdades, nunca conseguiremos mudar o paradigma que leva milhões de pessoas a viverem sem terem garantidos os seus direitos sociais”, explicou.

A conferência contou com a participação de vários responsáveis nacionais, europeus e de membros da organização. Dividido em duas partes, o encontro abordou o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais durante a manhã, já a tarde foi dedicada ao Rendimento Mínimo Adequado.

 

 

 

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

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Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

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