logotipo da santa casa da misericórdia de lisboa

Igreja de São Roque acolhe Missa de Santo Inácio

A Igreja de São Roque vai acolher, no dia 31 de julho, a Missa de Santo Inácio. Trata-se de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, sendo que a eucaristia será presidida pelo padre Miguel Almeida, provincial da Província Portuguesa da Companhia de Jesus.

A Missa de Santo Inácio está agendada para as 19 horas e esta celebração vai contar com a participação do Coro Magis.

Aceda ao convite aqui.

50 anos de abril. A estória que a história não contou

Américo Lopes, de 89 anos, viu acontecer o 25 de abril. Naquela quinta-feira histórica, Américo saiu de casa, ainda nos primeiros raiares de sol do dia, para mais uma jornada de trabalho dedicada às Boas Causas, na farmácia Santa Marta. Saiu para trabalhar num dia de ditadura e regressou a casa com a Revolução nas ruas.

“A memória já não é a melhor, mas existem dias que não se esquecem e o 25 de abril de 74 ficará para sempre gravado na minha memória”, começa por dizer Américo Lopes, enquanto relembra os mais distraídos que “são 89, quase 90 anos de história, mais do que o país tem de livre democracia”.

Recuemos uns anos, mais precisamente ao ano de 1956, altura em que Américo começa a trabalhar na Santa Casa. Uma Casa que o recebeu “de braços abertos” desde o primeiro dia. 

Católico, de uma fé inabalável, Américo sempre soube que o seu destino passaria por “ajudar o próximo”. Por isso, quando surgiu o momento de se juntar às Boas Causas, a decisão “foi fácil de tomar”. Começou numa antiga Cozinha Económica, na freguesia de Campo de Ourique, e ao longo dos tempos foi aperfeiçoando outro ofício na Casa, o de técnico nas farmácias da Santa Casa.

Embora recorde que foi a trabalhar no Departamento de Farmácia que se sentiu mais confortável na instituição, admite que “não existe amor como o primeiro” e que a passagem pela “Sopa dos Pobres” de Campo de Ourique lhe alterou a vida para sempre, no sentido positivo.

“Foi no equipamento de Campo de Ourique que conheci a minha futura esposa, vi muita pobreza, mas conheci pessoas excecionais e de um caráter ímpar”, recorda saudosamente, frisando, ainda, “que às vezes somos mais felizes com pouco, do que com muito”.

O tempo, esse, não parou, nem para Américo nem para ninguém. Durante os anos seguintes, Américo casou, teve três filhos e viu a sua dedicação às Boas Causas ser reconhecida, com a promoção para o Departamento de Farmácia da instituição. 

25 de abril

Entrando no ano da Revolução dos Cravos, Américo recorda-se que já existia alguma coisa “suspeita no ar”. Verdade é que na madrugada de 16 de março de 1974, uma coluna de cerca de duas centenas de soldados comandada pelo major Armando Ramos saiu do Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha, e tomou a estrada a caminho de Lisboa. O seu objetivo era derrubar o governo de Marcello Caetano, para o qual esperava o apoio de outras forças militares, nomeadamente de Lamego, Mafra e Vendas Novas, algo que não viria a suceder, frustrando o caminho de um golpe de Estado.

“Em março desse ano, e só se percebeu depois, existiu uma espécie de começo de Revolução. Percebíamos que algo estava para acontecer, que era iminente, mas ainda não sabíamos nem quando, nem onde.”

E estava para acontecer, de facto. No dia 25 de abril de 1974, Américo saiu de casa, na zona de Benfica, e apanhou o comboio para o trabalho. Já com a Revolução em curso, o agora vice-presidente da ARMIL, a Associação de Reformados da Misericórdia de Lisboa, relembra “que as pessoas já estavam a dizer que os militares estavam na rua para fazer cair a ditadura.” 

Já munido de algumas informações que tinha ouvido entre os utilizadores do comboio e o que ia passando na rádio, Américo seguiu para os Serviços Centrais da Misericórdia de Lisboa, no Largo Trindade Coelho. Saindo da estação de comboios do Rossio repetiu o que fazia todos os dias: subir as Escadinhas do Duque e olhar de relance para o Largo do Carmo, que ainda se encontrava vazio.

“O dia começou como outro qualquer. Fui para o trabalho e só no decorrer da manhã é que as informações iam chegando. Só aí é que percebemos que tinha havido alguma coisa. Ao meio-dia, os serviços da Santa Casa avisaram o pessoal que iam encerrar e fomos embora, cada um para a sua casa.”

Américo conta que sentiu receio do que aí vinha, mas, ainda assim, percebeu que se estava a fazer história e que, de uma maneira ou outra, também ele iria ter a oportunidade de vivê-la.

Ainda assim, já após os filhos saírem do Colégio “Salesianos de Lisboa”, em Campo de Ourique, e de ir busca-los à casa de uma tia naquela zona e colocá-los “a salvo em casa”, Américo ainda voltou ao Largo do Carmo para assistir “na primeira fila” ao cerco do Quartel do Carmo. Lá dentro, onde agora é o Museu da Guarda Nacional Republicana, Marcello Caetano refugiava-se dos militares do Movimento das Forças Armadas. Salgueiro Maia e os seus camaradas de armas entrariam, depois, pelo quartel adentro, exigindo a rendição do até aí presidente do Conselho de Ministros, que pedia que o poder não caísse nas ruas.

Uma multidão acompanhava tudo cá fora. Américo estava nas redondezas. “Ainda vi o Presidente Marcello Caetano entrar numa chaimite e ir para o aeroporto levado por um rapaz amigo meu, que era militar na altura”, lembra-se, apontando para uma janela de um edifício na Rua da Condessa: “Chegámos a estar naquele prédio, no número 9, várias vezes, para discutir entre todos o que poderia ser melhorado na Misericórdia”.

Passadas cinco décadas desde o momento que Américo descreve como sendo “o dia mais importante para Portugal”, afirma que já muito se fez na Santa Casa, mas que ainda existem medidas pensadas na altura “que estão por conseguir”.

“Criámos na altura na Santa Casa uma Comissão de Trabalhadores, lutámos por direitos que, anteriormente, alguns colaboradores não tinham, conseguimos estabelecer pagamentos de serviços, que anteriormente não eram pagos, melhorámos o serviço de refeitório com mais qualidade e baixando custo para o trabalhador e ainda reestruturámos algumas carreiras. Mas gostávamos de ter feito mais.”

Sentado num dos bancos voltados para o antigo Quartel da GNR, e do alto dos seus já quase 90 anos de história, Américo Lopes não tem dúvidas quando a questão é liberdade. “A Revolução trouxe a liberdade para um povo que estava oprimido e para mim a questão é simples: 25 de Abril sempre! Hoje, e sempre!”

Largo do CArmo

JMJ: Santa Casa e Companhia de Jesus enchem Largo Trindade Coelho em momento histórico

A Jornada Mundial da Juventude serviu de mote para a iniciativa Largo da Misericórdia, resultante da parceria entre a Santa Casa e a Companhia de Jesus, que desde ontem, dia 1 de agosto, tem preenchido o Largo Trindade Coelho com centenas de jovens em espírito de celebração.

A sessão de abertura contou com a presença de Ana Jorge, provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que recebeu o venezuelano Arturo Sosa, Superior Geral da Companhia de Jesus, vulgarmente designado como Papa Negro.

A comitiva percorreu o recinto e ambos os responsáveis demonstraram a maior satisfação por esta iniciativa conjunta, alusiva a uma ligação histórica e centenária entre a Misericórdia de Lisboa e os Jesuítas, como sublinhou Ana Jorge.

“A vinda do Superior da Companhia de Jesus enche-nos, obviamente, de alegria, é um reconhecimento estarmos aqui. Há um histórico muito grande e uma relação muito próxima entre a Companhia de Jesus e a Santa Casa da Misericórdia ao longo dos anos. A Igreja de São Roque é, talvez, o elo mais forte que nos liga à Companhia. Mas tudo o que tem sido feito em parceria é o enriquecimento mútuo que pretendemos, quer para a Santa Casa, quer para a Companhia de Jesus”, referiu a provedora da Santa Casa.

Por seu lado, Arturo Sosa fez notar que a memória desta união não é apenas referente ao passado.

“É muito importante o recado da memória. Não apenas como recordação, mas também como fundamento de muita gente que participou neste processo de fazer um mundo melhor. E este local, de alguma maneira, representa uma memória viva importantíssima para Portugal, para a Igreja e para a Companhia de Jesus”, comentou o Superior.

O primeiro dia do Largo da Misericórdia apresentou alguns dos cerca de 50 eventos programados, entre os quais constam momentos de oração, workshops e outras atividades que decorrem até dia 4 noutros quatro locais além do Largo Trindade Coelho: Brotéria, Igreja de São Roque, Convento de S. Pedro de Alcântara e a Igreja da Encarnação.

Largo encheu no primeiro dia

Começaram por aparecer timidamente às primeiras horas da manhã, mas num ápice os peregrinos encheram o Largo Trindade Coelho. Bandeiras de todo o mundo, acompanhadas das respetivas línguas e sotaques, inundaram o ar à porta da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Um pequeno stand da Irmandade de São Roque instalado em pleno Largo vende artigos relacionados com a Jornada Mundial da Juventude que ajudam a colorir ainda mais o ambiente.

À caça de ‘autógrafos’ dos vários países presentes encontramos Rita e Diogo, dois escuteiros da Póvoa de Santo Adrião munidos de uma bandeira nacional. Vieram num grupo grande de cerca de 60 pessoas, mas separaram-se por instantes com um objetivo em mente.

“Estamos a tirar fotografias e a pedir que autografem a nossa bandeira”, refere Rita. Diogo frisa que já conseguiram “alguns países, como Alemanha, Egito e Hungria”. O grupo escolheu o Largo para passar a hora de almoço, aproveitando a programação musical do primeiro dia.

“Viemos almoçar aqui e ouvir um bocadinho a música. E aproveitámos o facto de haver jovens de outros países aqui para conviver, conhecer e tirar fotografias”, acrescentou o jovem peregrino.

festa no largo trindade coelho

Viver a Casa Comum

Um dos grandes atrativos nesta zona da cidade foi preparado pela Direção da Cultura da Misericórdia de Lisboa, que estabeleceu um trajeto de peregrinação entre o Convento de São Pedro de Alcântara, Igreja de Santa Catarina, Convento dos Cardaes e Igreja de São Roque.

Em cada um destes locais, há elementos naturais que podem ser recolhidos pelos peregrinos para recordação e que estão diretamente ligados à preservação do meio ambiente, uma das bandeiras que o Papa Francisco tem defendido. Estes elementos serão guardados nas “Bolsas de Peregrinos” feitas por materiais naturais, tal como São Roque usava.

Podem ser recolhidos lã na Igreja de São Roque, sal em São Pedro de Alcântara, tecidos nos Cardaes e cortiça na Igreja de Santa Catarina.

À medida que os peregrinos iam tomando conhecimento desta iniciativa, iam recolhendo as diversas relíquias nos quatro locais designados. Na Igreja de São Roque, por exemplo, o colombiano Emanuel contemplava os diversos cestos repletos de lã.

São as primeiras Jornadas em que participa, embora já tenha visto o Papa Francisco aquando da sua visita à Colômbia em 2017. Desta vez, decidiu viajar “10 ou 11 horas de avião” até Portugal, onde ficou instalado em Cabreira, uma freguesia do município de Almeida, no distrito da Guarda.

“Estou, verdadeiramente, muito feliz”, referiu Emanuel, que viajou da Colômbia num grupo de 55 pessoas. Promete “ficar até ao final das Jornadas” e está “ansioso” por ver o Papa pela segunda vez. Para já guarda a lã na bolsa, um bocadinho de Portugal e destas Jornadas que vai levar consigo para o outro lado do Atlântico.

interior da igreja de são roque

Santa Casa junta-se ao combate ao desperdício alimentar no FoodStock

Está a chegar a 1.ª edição do FoodStock, um evento dinamizado pela organização de cariz voluntário Refood, e ao qual a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai associar-se. O FoodStock gere-se pelo lema “sustentabilidade, solidariedade e inclusão” e promete ajudar quem mais precisa com alimentos e muita música.

A Refood, que completa este ano o seu 12.º aniversário, tem como principal missão diária a recolha de produtos alimentares que seriam desperdiçados, que são depois preparados e entregues a quem deles necessita. A organização está assente em cerca de 7.500 voluntários e muitos deles estarão na logística do FoodStock.

O evento começa amanhã, dia 11 de abril, com a 1.ª Exposição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Portugal, que vai decorrer na Estufa Fria, em Lisboa, até ao dia 19.

Por sua vez, entre 21 e 23 de abril, o Pavilhão Carlos Lopes vai acolher a conferência “Sobre Viver”, também dedicada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

E é neste mesmo espaço que, entre os dias 20 e 23, haverá lugar a concertos solidários de nomes bem conhecidos da música nacional: Diogo Piçarra, HMB, The Black Mamba e David Carreira. Os interessados em assistir aos concertos podem fazer uma doação no valor de 30€, que permitirá a entrada a quem não pode pagar este valor.

Além da música, a gastronomia vai estar em destaque com a iniciativa “Uma mesa para 12 mil”. Os Chefs Kiko e Chakal vão preparar refeições com alimentos que seriam desperdiçados e servi-las de forma gratuita a quem quiser participar. Para tal, os interessados terão apenas de fazer a reserva antecipada. Haverá ainda um sistema de take away institucional para as obras sociais de Lisboa.

As doações para concertos, reservas de refeições e todas as restantes informações podem ser consultadas no site do evento.

Prémios Human Resources 2023: Santa Casa nomeada em duas categorias

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa volta a estar este ano entre “As Empresas Mais” na sua 12.ª edição, projeto que distingue as melhores organizações em gestão de pessoas nos Prémios Human Resources 2023. A Santa Casa está nomeada em duas categorias e as votações já estão abertas.

Assim, a Santa Casa está entre os nomeados ao prémio na categoria de Responsabilidade Social. Além desta categoria, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa está igualmente indicada ao prémio de melhor Empresa Pública e Setor Público Estatal, categoria que venceu na edição de 2022.

As votações decorrem até ao próximo dia 12 de maio e os vencedores serão conhecidos numa cerimónia no dia 31 do mesmo mês n’O Clube – Monsanto Secret Spot, em Lisboa. Pode votar aqui.

Santa Casa destacada novamente como maior anunciante

A Santa Casa voltou a ser premiada, em 2022, como maior anunciante, desta vez pelos grupos Impresa e Cofina. O reconhecimento resulta do valor total investido pela Misericórdia de Lisboa em fins publicitários nos órgãos de comunicação social tutelados por ambos os grupos.

Já em 2021, o Grupo Impresa tinha atribuído esta distinção à instituição, que tem vindo a desenvolver um trabalho de apoio aos jornais nacionais, sobretudo desde abril de 2020, altura em que foram feitos investimentos publicitários e aquisições de planos de subscrição, numa tentativa de ajudar o setor da comunicação social a responder à crise provocada pela covid-19.

Algumas dos títulos contemplados nestas parcerias foram o Expresso, Público, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Observador, Visão, A Bola e Record, numa contribuição não só para a sustentabilidade do jornalismo, mas também para a promoção de leitura de jornais enquanto fontes de informação credível.

A beleza intemporal tem rugas e desfila

A beleza intemporal tem rugas e desfila

Otávia, 74, e Felicidade, 79 anos, são dois dos rostos do projeto “A Beleza não tem Idade” da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que incluiu uma série de fotografias de utentes ao lado de figuras famosas que estiveram em exposição na última edição da ModaLisboa.

Pai também só há um

Nas últimas décadas, com a crescente valorização do papel da mulher na sociedade, assistiu-se a uma maior participação do homem nos cuidados dos filhos. O último ano trouxe ainda maiores desafios e mudanças. No Dia do Pai, Pedro Pinto, João Cunha e Bruno Pífano, trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, contam o que é ser pai durante a pandemia… assim como em outros dias.

Pedro Pinto: “Não descobri agora o que é que é ser pai”

Pedro Pinto, 40 anos, já leva 11 anos na Santa Casa. É designer gráfico. Está a trabalhar em casa e a tomar conta dos dois filhos, a Camila e o Vicente, com oito e seis anos respetivamente. A mãe está a trabalhar presencialmente. Conciliar o trabalho em casa com a necessidade de cuidar e ajudar os seus filhos nas aulas online tem sido o grande desafio, desde há um ano.

O designer da Direção de Comunicação e Marcas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa sublinha que o confinamento lhe permitiu estar “mais tempo” com os filhos e “acompanhá-los mais de perto nas tarefas da escola e no dia a dia”, mas admite que “às vezes é um bocadinho complicado conciliar as tarefas profissionais com o facto de estar com eles em casa”.

No entanto, Pedro considera que estar com os filhos em casa tem sido uma “boa experiência” e que veio reforçar os elos de ligação entre ele e os filhos. “O segundo confinamento é mais exigente, sobretudo porque estamos muito tempo dentro de casa. São 24 horas sobre 24 horas”, recorda. “Por vezes, por qualquer coisa, explodimos. Nada que um “passeio higiénico ou de bicicleta não resolva”, afirma, sorridente.

Pedro Pinto_pai e trabalhador da SCML

O funcionário da Santa Casa confessa-se um adepto das novas tecnologias, de outra forma nem sempre seria possível cumprir os objetivos do seu trabalho. “Eles não usam muita tecnologia, mas dá muito jeito”, admite. “Já passam muitas horas à frente do computador por causa das aulas. Quando não têm aulas, tento que façam atividades, mas não é fácil. Se tiver um trabalho ou uma reunião que tenha que estar concentrado, não tenho muitas hipóteses, e recorro às tecnologias”, revela.

“Fiquei feliz com a notícia da reabertura das escolas, sobretudo, por eles, porque é importante para a sua aprendizagem, educação e socialização”, refere ainda. O confinamento não transformou Pedro Pinto. “Não descobri agora o que é que é ser pai. Sou muito próximo dos meus filhos e acompanho-os muito”, explica.

Esta sexta-feira, 19 de março, no Dia do Pai, Pedro fará uso de um trunfo bem guardado: vai levar os filhos a um parque infantil, algo que os pequenos têm pedido desde o confinamento. Uma prova que, às vezes, não é preciso muito para fazer sorrir um filho.

João Cunha: “Sinto que estou a descartar o meu papel enquanto pai”

O mesmo não se passa com João Cunha, 25 anos, auxiliar de serviços gerais na Unidade de Cuidados Continuados Integrados de São Roque (UCCISR). Tanto o auxiliar como a sua mulher são trabalhadores de serviços essenciais e, por isso, continuam a exercer funções no local de trabalho. Não há mundos perfeitos. João não toma conta do filho enquanto trabalha, mas passa o dia sem ele.

“O confinamento mudou as rotinas e, acima de tudo, tivemos que pensar se era benéfico o meu filho continuar na escola”, assume. Por uma questão de estabilidade, ficou decidido que o filho, João Dinis, de dois anos, ficaria ao cuidado da avó materna, evitando horários madrugadores e tempo a mais na escola para uma criança tão pequena. “O mais importante era o bem-estar do João Dinis”, lembra.

João Cunha_pai e trabalhador da SCML

João Cunha ambiciona recuperar alguma normalidade e passar mais tempo em família. “Faz-me falta ir ao parque com o miúdo e estarmos tranquilos. Viver sem medo e conviver à vontade. Jogar futebol”, exemplifica, lembrando que, acima de tudo, quer “passar tempo” e “acompanhar o crescimento do meu filho”, seja no Dia do Pai ou em qualquer outro dia.

Bruno Pífano: “… sou um bocado pai galinha”

Quis o destino que Bruno Pífano, de 30 anos, assistente social da Unidade de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade (UDIP) Tejo, fosse pai durante a pandemia. O “milagre” aconteceu em julho de 2020. Tem receios, anseios e é um fiel cumpridor das regras sanitárias, mas está ávido por mostrar um mundo novo ao filho de sete meses.

Atualmente a trabalhar em casa, o colaborador da Misericórdia de Lisboa prefere destacar os aspetos positivos do confinamento. “Acompanhei a gravidez de perto. Trabalhava ao lado da minha mulher, numa secretária ao lado um do outro, e o David podia ouvir a minha voz dentro da barriga da mãe”, adianta, com um sorriso de orelha a orelha, sublinhando que “é um privilégio estar perto do meu filho e acompanhar o seu desenvolvimento”.

Bruno Pífano_pai e trabalhador da SCML

Mas nem tudo são rosas. O menino de sete meses nunca foi à creche. Os contactos sociais são bastante limitados. Entre confinamentos e desconfinamentos, turnos de trabalho alternados, os números de contágios voltaram a aumentar, e o casal acabou por optar pela estabilidade e o bebé ficou em casa.

Neste momento, Bruno e a mulher esperam que o filho possa, finalmente, ingressar na creche. Até porque “é praticamente impossível conciliar o trabalho com a tarefa de cuidar de um bebé”, assegura.

No entanto, o pai está dividido entre a necessidade de trabalhar e o facto de ter de se separar do filho. “É um misto de sentimentos. Por um lado, posso focar-me no meu trabalho. Por outro, o David nunca teve interação com outra criança de forma regular. Estou ansioso! Mas sou um bocado pai galinha”, justifica, sorridente.

O ritmo é acelerado durante a semana. Não há muito tempo livre para muitas atividades ou passeios higiénicos. E quando o David adormece, o assistente social trabalha para compensar o que não conseguiu assegurar no horário de trabalho normal.

Bruno revela que desconfia que a sua mulher tem uma surpresa reservada para o Dia do Pai, mas finge não saber (risos). Mais do que festejar a efeméride, o que este pai quer é mostrar ao seu filho, com segurança, os familiares, o parque, o jardim zoológico, a natureza e as ruas da cidade. Coisas simples para todos nós, mas que para o pequeno David são um mundo novo.

Afinal, o que mudou no papel do pai?

Para Vera Moreno, psicóloga e psicoterapeuta da Unidade W+ da Misericórdia de Lisboa, “o papel do pai na família sempre foi de grande relevância, mas, hoje em dia, há muito mais condições para que a paternidade seja exercida em pleno. Há poucas gerações, o homem era o ‘chefe de família’ mas estava maioritariamente ausente e quando presente, o seu papel era pautado pela autoridade na qual mantinha uma distância afetiva”.

Mas este cenário “alterou-se profundamente”, segundo a psicóloga da Santa Casa. “A entrada da mulher para o mercado de trabalho teve implicações profundas na organização social. Atualmente, os pais são cada vez mais presentes”, afirma.

“Num contexto de reformulação da própria masculinidade, destacaria como mudanças fundamentais do modelo de paternidade, a mudança para um pai mais afetivo, com uma expressão mais livre dos afetos e uma relação mais afetiva com a família, e a mudança para uma participação ativa nos cuidados aos filhos e nas tarefas domésticas”, considera, destacando que “as vantagens deste novo modelo são imensas e todos iremos beneficiar no futuro, começando pelos próprios homens, mas também os filhos e as mulheres”, finaliza.

 

Tiago Pereira: “É impossível recuperarmos o nosso país se não recuperarmos as pessoas”

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O coordenador do Gabinete de Crise Covid-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses, lembra que a pandemia resultou em graves prejuízos para a saúde mental dos portugueses. E deixa alguns alertas para o novo ano.

Correia de transmissão de inspiração e talento

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Cátia Correia é um exemplo de perseverança e de inclusão no mercado de trabalho. Hoje é peça essencial na Valor T, uma iniciativa da Santa Casa que vai promover oportunidades de emprego aos cidadãos deficientes.

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde e cuidados de saúde ao domicílio

Unidades da rede nacional

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Polo de inovação social na área da economia social

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas