logotipo da santa casa da misericórdia de lisboa

Toolkit, a ferramenta que ajuda a integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho

As pessoas com deficiência representam cerca de 15% da população mundial. Apesar de constituírem “uma das maiores minorias”, continuam a ser alvo de discriminações diversas, incluindo no acesso ao trabalho digno.

Foi com esta premissa em mente que a Misericórdia de Lisboa apresentou, em 2021, este guia de boas práticas que pretende apoiar gestores e colaboradores na integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Este instrumento, que se tem revelado de enorme importância para inclusão e integração de pessoas com deficiência no mercado laboral -já que, segundo dados recentes, apenas 11% das pessoas com deficiência desempregadas registadas no Instituto de Emprego e Formação Profissional encontraram uma colocação- conheceu esta terça-feira, 28 de fevereiro, a sua versão 2.0, com a apresentação da respetiva versão digital.

Dividido por fases, o Toolkit aborda desde a preparação da ação, passando pelo recrutamento e seleção, o momento de acolhimento e integração, até à fase do estabelecimento de relações duradouras. Além de dicas práticas, legislação e outras referências, o Toolkit está recheado de casos práticos e exemplos inspiradores de Associados do GRACE como a Auchan, CUF, El Corte Ingles, Jerónimo Martins, Lipor, Prio, Repsol e Grupo Santander.

O evento contou com a abertura do administrador de ação social da Santa Casa Misericórdia de Lisboa, Sérgio Cintra, que referiu que, no âmbito da deficiência, Portugal encontra-se atrás comparativamente à média dos restantes países da EU, acrescentando que “é dever de todos educar e promover a igualdade de oportunidades e também a valorização do talento e competências das pessoas com deficiência. Às empresas pede-se maior sensibilização, mobilização e incentivo na integração de pessoas com deficiência”.

“Se queremos ser parte integrante da solução e deixar às gerações vindouras uma sociedade justa, aberta e inclusiva, então temos obrigatoriamente de reconhecer e promover os direitos das pessoas com deficiência, que representam cerca de 15% da população mundial”, frisou.

Para o administrador da instituição, existem alguns indicadores que devem ser alvo de reflexão. Se, por um lado, os dados identificam os avanços que “conseguimos realizar”, por outro mostram que ainda há muito por fazer, o que “evidencia a vulnerabilidade estrutural neste conjunto de cidadãos no acesso ao emprego”, realçou ainda.

Já Susana Correia Campos, da Jerónimo Martins, admite que, apesar da existência de legislação laboral na área da deficiência, nomeadamente a chamada “Lei das Quotas”, “apenas 11% das pessoas com deficiência desempregadas no Instituto do Emprego e Formação Profissional encontraram uma colocação”. “Deve preocupar-nos a todos”, afirmou.

O Toolkit encontra-se disponível para download aqui.

 

Jogos Santa Casa atribuem 47 bolsas de educação para compensar os esforços dos atletas

A cerimónia de entrega das Bolsas de Educação Jogos Santa Casa, agora designadas por Programa IMPULSO | Bolsas de Educação Jogos Santa Casa, realizou-se esta quarta-feira, 1 de março, na Reitoria da Universidade de Lisboa, e atribuiu 47 bolsas a atletas: 36 olímpicos e 11 paralímpicos e surdolímpicos, de 15 modalidades, num valor total de 135 mil euros.

A edição deste ano, com a assinatura “Juntamos a educação à ambição desportiva”, teve a particularidade de celebrar 10 anos de vida e de ter atribuído bolsas em duas modalidades que são uma novidade no programa, a Equestre e a Breaking, da Federação Portuguesa de Dança Desportiva.

Deste modo, já são 24 as modalidades abrangidas por estas bolsas, cujo objetivo é incentivar os atletas olímpicos, paralímpicos e surdolímpicos a conciliarem os estudos com o desporto de alto rendimento e, deste modo, evitar o abandono prematuro de ambas as carreiras.

Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, na sua intervenção fez questão de salientar que o país “deve ter orgulho nestes jovens” e que as bolsas agora entregues são “um incentivo para poderem continuar a crescer, tanto a nível académico, como desportivo”.

“Deixo o compromisso de que continuaremos em frente. É uma árvore que dá bons frutos e temos de ser capazes de a nutrir. Faço votos de que Paris’2024 seja, mais uma vez, uma jornada de sucesso e de afirmação desportiva”, frisou o provedor.

Irina Rodrigues, atleta olímpica do lançamento do disco, encontra-se no sexto ano do curso de medicina, enquanto prepara um quarto ciclo olímpico, com vista a Paris’2024 e explica a importância deste apoio: “Quando entrei em medicina, ainda era muito difícil dizer aos professores que estava a treinar e a estudar. Diziam-me que tinha de escolher uma das carreiras. Para ter acesso a esta bolsa, temos de manter o foco desportivo e académico, estarmos bem nos dois. Isto é difícil, mas esta bolsa motiva-nos, sobretudo do ponto de vista financeiro”.

Já Diogo Daniel, atleta paralímpico de badminton e estudante de Design Gráfico e Multimédia, reforça que “é muito complicado conciliar os estudos com o desporto de alta competição, mas que com este apoio o caminho é mais fácil, mas também mais gratificante, porque somos valorizados pelo nosso esforço”.

Em funcionamento desde 2012, O Programa IMPULSO | Bolsas de Educação Jogos Santa Casa que conta com a parceria do Comité Olímpico de Portugal e do Comité Paralímpico de Portugal, tem contribuído para que muitos jovens atletas olímpicos, paralímpicos e surdolímpicos consigam conciliar os estudos académicos com o desporto de alta competição. Nestas 10 edições já foram atribuídas 422 bolsas, a um total de 215 atletas de 24 modalidades, num esforço financeiro superior a 1,2 milhões de euros.

Conheça, através do site do IMPULSO, os vencedores desta edição.

 

Livro “Tocando Vidas” evidencia trabalho da Orquestra Geração

A arte como forma de inclusão. Foi este o mote para a apresentação do livro “Tocando Vidas: Inclusão social através da prática musical na Orquestra Geração Sistema Portugal”, de Paula Freire, que decorreu ontem na Sala de Extrações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A obra resultou da tese de mestrado da autora em Estética e Estudos Artísticos na NOVA FCSH e Paula Freire dissecou-a resumidamente à plateia.

“O livro “Tocando Vidas” é composto por uma primeira parte onde faço um pequeno historial do projeto Sistema, que nasce na Venezuela, e da forma como se estende para os outros países. Portugal foi o primeiro país da Europa a adotá-lo e neste momento há uma rede europeia. Depois faço uma pequena história de como se iniciou o projeto em Portugal. E depois tenho o meu trabalho de campo”, começou por referir.

A autora sublinhou a “influência que a música tem no desenvolvimento” destas crianças e jovens, acrescentando que “o facto de estarem em orquestra dá-lhes uma dimensão sobretudo das áreas sociais, da socialização, do trabalhar em equipa”.

Alargar fronteiras

Já antes Sérgio Cintra, administrador da Ação Social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, tinha dado as boas-vindas aos convidados, expressando que “há momentos em que as nossas palavras não mostram o sorriso que temos no coração”.

“Agradeço à autora a oportunidade de fazer algo que a determinado momento achávamos que era impossível. Temos o dever de ajudar todas as crianças a alargar as fronteiras dos seus bairros, as fronteiras dos seus sonhos”, afirmou.

Apresentação do livro Tocando Vidas

Quem também marcou presença na apresentação do livro foi o Ministro da Educação, João Costa, que se mostrou muito satisfeito com o resultado deste trabalho.

“Felicitar a Paula Freire por fazer deste projeto maravilhoso um objeto de estudo, porque as boas experiências não podem apenas ser vividas, mas também têm de ser estudadas para podermos ter a evidência científica que nos permite replicar e levar mais longe. O nome do livro não podia ser mais acertado, “Tocando vidas”, com a ambiguidade de tocar um instrumento e este toque fundamental nas vidas”, comentou.

Reforçando o papel da arte no percurso escolar dos jovens, o governante reiterou que “na Orquestra Geração vemos a grande evidência da arte como fator de inclusão, que é um objetivo fundamental” e garantiu que “se a escola não for inclusiva, não tem qualidade”.

“A arte tem esta possibilidade de criar alternativas. Afinal não estamos condenados à tristeza e ao insucesso. Por vezes a arte é a primeira experiência de sucesso, é a primeira vez que sentimos ‘eu sou capaz’. Quis estar aqui hoje para celebrar o livro, mas sobretudo a história tão bonita da Orquestra Geração”, terminou o Ministro da Educação.

Muitos elogios

Pelo mesmo diapasão alinhou Maria do Rosário Pereira, em representação da Leya, classificando o livro “Tocando Vidas” como “um testemunho vivo do que tem sido o impacto da Orquestra Geração para tantas crianças e jovens deste país”.

Já para Paula Gomes Ribeiro, orientadora da tese de Paula Freire, ficou patente por parte da autora a “devoção a este projeto, o modo generoso como partilhou progressivamente com os seus públicos, as pessoas a quem se destinava o seu livro”, num “texto generoso, que envolve o leitor e lhe permite incluir-se na trajetória da própria Paula Freire”.

Por fim, Helena Lima, presidente da Orquestra Geração, quis “agradecer à Santa Casa pela forma como tem acreditado no projeto”, abordando o “sentido de comunidade que se tem desenvolvido na Orquestra Geração”.

“A Paula ter entrado também nesse espírito ajudou a que isso pudesse ser tornado público”, concluiu.

Integrante da Orquestra Geração SCML

A sessão na Sala de Extrações terminou com atuação da Orquestra Geração, com muitos familiares dos jovens músicos na plateia.

Recorde-se que o projeto Orquestra Geração foi criado em 2007 e tem como objetivo primordial promover a inclusão social das crianças e jovens de bairros sociais e economicamente mais desfavorecidos e problemáticos, atuando em diversos concelhos e reunindo mais de 2.000 crianças e jovens em torno da música.

Fundo Rainha D. Leonor apoia obras de restauro na Igreja da Misericórdia de Vila de Pereira

A Igreja da Misericórdia de Vila de Pereira, em Coimbra, reabriu ao público este sábado, 25 de fevereiro, depois de intervencionada com obras de conservação e restauro apoiadas pelo Fundo Rainha D. Leonor em mais de 124 mil euros.

Fundada no século XVI, e invocando tempos de grandeza daquela localidade, a Igreja teve intervenções nos séculos seguintes que não desvirtuaram a qualidade original. Mas as cheias de 2001 provocaram graves danos, sobretudo na azulejaria que apresentava falhas, tendo a Santa Casa da Misericórdia de Vila de Pereira guardado a maioria das peças que se soltou. A situação que inspirava maiores cuidados era a da consolidação dos altares laterais, que estavam também a soltar-se, assim como as pinturas do teto do século XVII, na sacristia, que se degradaram devido a humidades intrusivas.

Com a obra agora levada a cabo, foram revistos o sistema elétrico, a luminotecnia e o sistema contra intrusão; a Tribuna dos Mesários mereceu uma redefinição dos elementos expostos; e o conjunto da Igreja, Definitório e Hospital, cuja simbologia intrínseca e intemporal faz dele um dos mais relevantes do país, tornou a recuperação deste espaço mais urgente e significativa.

A Igreja de Vila de Pereira recupera agora a sua beleza e grandiosidade de outrora, tendo já reaberto ao culto com uma cerimónia presidida pelo bispo de Coimbra, D. Virgílio do Nascimento Antunes.

Santa Casa lamenta a morte do antigo provedor Rui Cunha

Em 2005, Rui Cunha aceitou o desafio de liderar a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde foi reconduzido no cargo, já em 2009. O seu mandato à frente dos destinos da instituição fica marcado pela consolidação orçamental da Santa Casa, depois de um período conturbado financeiramente.

Rui Cunha foi deputado constituinte e secretário de Estado Adjunto do Ministro do Trabalho e da Solidariedade de 1999 a 2001, e da Inserção Social entre 1995 e 1999. Natural de Lisboa, o antigo provedor foi igualmente deputado à Assembleia Constituinte (1975-1976) e deputado à Assembleia da República na I Legislatura (1978), na V Legislatura (a partir de 1989) e na VII legislatura (1995).

Ao longo da sua vida, sempre dedicada à causa pública, foi condecorado com um louvor concedido pelo Comandante do Batalhão de Caçadores 1912, no ano de 1969 e um louvor concedido pelo ministro da Saúde, no ano de 1985.

É com profundo pesar que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa endereça sentidas condolências à família de Rui Cunha.

UCCI Rainha Dona Leonor é um autêntico ombro amigo

A Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) Rainha Dona Leonor, em Lisboa, foi o tema de mais uma rubrica “Por Boas Causas”, do Correio da Manhã. A funcionar desde setembro de 2021, esta unidade promove a reabilitação dos utentes num ambiente de total apoio e incentivo a quem passa por uma fase menos positiva.

Casos como o de Gonçalo Santos ou de Fernanda Prudência, dois utentes da UCCI Rainha Dona Leonor, mostram a importância da forma como toda a equipa se empenha para ajudar os utentes a atingirem pequenos, mas valiosos objetivos diários na sua recuperação.

“É uma casa onde cada pessoa é cuidada no seu todo e tem, literalmente, aquilo que merece”, pode ler-se sobre aquela Unidade de Cuidados Continuados Integrados.

Leia a história na íntegra aqui.

Núcleo de Infância e Juventude de Mafra celebra primeiro aniversário

Com uma equipa de dez profissionais, o Núcleo de Infância e Juventude (NIJ) de Mafra nasceu para cumprir a intervenção da Misericórdia de Lisboa nas áreas da infância e juventude.

No último ano, e no âmbito da assessoria técnica ao Tribunal de Família e Menores, por exemplo, relativamente à intervenção desenvolvida na promoção e proteção de crianças e jovens em perigo, a equipa do NIJ interveio em 597 processos judiciais que abrangeram 677 crianças, jovens, as suas famílias e responsáveis legais.

Este acompanhamento, que incidiu no apoio técnico às decisões dos tribunais e na vigilância relativa à execução das medidas de promoção dos direitos e de proteção aplicadas às crianças e jovens abrangidos, foi desenvolvido através da avaliação e elaboração de informações e/ ou relatórios sociais sobre as várias situações, da intervenção em audiência judicial e da participação nas diligências instrutórias determinadas pelo juiz.

Estas situações de perigo que afetam a população mais nova têm diferentes origens, como a violência doméstica (com 33% dos casos), absentismo escolar, bullying, tráfico de estupefacientes e adições. E para a identificação destas circunstâncias, o NIJ contou com o apoio e colaboração das várias entidades do concelho, desde a GNR à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).

Mas um dos maiores desafios que enfrentou foi logo no início do seu ainda pouco tempo de existência. Em maio de 2022, três meses depois do início da guerra na Ucrânia, chegaram a Mafra dez crianças vindas daquele país, completamente desacompanhadas.

“Eram crianças que vinham completamente sozinhas, sem pais nem família, filhos de militares ou profissionais de saúde que tiveram de permanecer na Ucrânia. Foram momentos duros para aquelas meninas e meninos que, de um momento para o outro, se viram obrigados a fugir de um contexto dramático”, explica Paula Rocha, diretora do Núcleo. “Creio que contribuímos para fazê-las sentir em segurança. E mesmo depois do seu regresso à Ucrânia, em setembro de 2002, vamos conseguindo saber como estão”.

O NIJ acompanhou ainda um conjunto de processos tutelares cíveis (390, no total), nos quais estiveram envolvidas 308 crianças, que foram apoiadas por audições técnicas especializadas, nomeadamente em intervenções junto dos pais em desacordo relativamente às suas responsabilidades parentais e em questões fundamentais das vidas dos filhos.

 

Trabalho desenvolvido de mãos dadas com os parceiros

Com os olhos postos no futuro e prosseguindo com a missão que lhe foi confiada pela Misericórdia de Lisboa, o NIJ de Mafra continuará a proteger e a promover os direitos das crianças no desenvolvimento de um trabalho protetor do presente e promotor do futuro. Para tal, continuará a contar com a colaboração ativa dos seus parceiros que, nesta data especial, fizeram questão de deixar o seu testemunho.

“A relação da CPCJ com o NIJ de Mafra tem sido muito positiva. Desde o primeiro momento, desenvolvemos esforços, no sentido de acolher, promover e desenvolver ações na promoção e proteção das crianças e jovens. Neste ano de articulação, destacamos o trabalho, dedicação e rigor desenvolvido pelo NIJ. Damos os parabéns à equipa e reiteramos a nossa disponibilidade para apoiarmos na nobre missão que desenvolvemos, junto das crianças e jovens de Mafra” – CPCJ de Mafra.

“Estou a trabalhar há apenas 2 meses e vejo uma equipa disponível para trabalhar em equipa, digo com o Tribunal, que não deixam dúvidas sobre a entrega total e capacidade de aprender e se adaptarem em prol de um trabalho eficaz, para além de eficiente” – Dr. Joaquim Silva, juiz de Direito de Família e Menores de Mafra.

“A complementaridade e a partilha são a chave no sucesso da relação interinstitucional com Núcleo de Infância e Juventude de Mafra. A secção de Prevenção Criminal da GNR de Mafra agradece o padrão de eficiência em prol das crianças e jovens do concelho e deseja muitos parabéns neste dia de aniversário!” – GNR de Mafra.

“Muitos parabéns, equipa do Núcleo de Infância e Juventude de Mafra! Ao longo do último ano muitas têm sido as famílias que temos acompanhado em estreita articulação. Foi um ano de muito trabalho, mas a nossa colaboração conjunta permitiu-nos ultrapassar todos os obstáculos e concretizar todos os desafios. Acreditamos poder continuar esta nossa parceria com a vossa equipa que sempre se tem demonstrado atenciosa e disponível em prol das crianças e jovens.” – equipa da ComDignitatis.

Cinema São Jorge acolhe debate sobre o envelhecimento em contexto urbano

O evento, que mantém o propósito de estimular a discussão e reflexão em torno dos desafios da longevidade e envelhecimento, aconteceu esta quarta-feira, 15 de fevereiro, no Cinema São Jorge, em Lisboa e juntou no mesmo espaço vários especialistas nacionais e internacionais em áreas dos cuidados na terceira idade, da gerontologia, passando pela arquitetura e urbanismo.

Portugal está envelhecido. Tem sido assim de ano para ano e Lisboa não é exceção. As últimas recolhas dos censos, em 2021, comprovam o que há muito se sabe. A percentagem da população do país com mais de 65 anos é de 23,5%, enquanto a de jovens, até aos 14 anos, é de apenas 12,9%. Foi tendo estes dados em mente que no simpósio se procurou desvendar o que pode ser feito para que as cidades sejam mais inclusivas para as pessoas mais velhas e, de como as organizações estatais podem ter um papel fundamental na implementação de diretrizes e linhas orientadoras para cidades amigas de todas as idades.

A sessão de abertura do evento ficou a cargo do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho, que nas suas primeiras palavras agradeceu “o empenho” de todos os parceiros do programa, referindo que o programa Lisboa Cidade de Todas as Idades “conseguiu antecipar aquilo que é hoje uma prioridade e uma obrigação de todas as autoridades públicas que é o de definir estratégias que abordem as questões da longevidade e do envelhecimento de uma perspetiva de enriquecimento da vida em sociedade”.

“Este simpósio é mais um passo que temos vindo a fazer para contribuir para políticas públicas sólidas, muito impregnadas na vida em sociedade, e que levem em conta esta questão do envelhecimento e da longevidade”, frisou o provedor.

Edmundo Martinho considerou ainda que o envelhecimento da população tem colocado às instituições “desafios adicionais” e que é “necessário um trabalho em rede” para que as pessoas que residem nas grandes cidades possam viver mais anos e com melhor qualidade.

Ideia partilhada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, que através de um vídeo, salientou que a autarquia que lidera tem vindo a trabalhar com as várias intuições da capital para encontrar “respostas adequadas para problemas comuns”, dando como exemplo o Plano Local de Saúde Lisboa +65 e a gratuitidade dos transportes públicos para as pessoas com mais de 65 anos.

“Uma cidade que cuida é uma cidade que trabalha com todos, que escolhe sempre as pessoas em detrimento da ideologia. Que trabalha com todos os setores (público, privado e social) para encontrar soluções para os problemas das pessoas e sem instituições como a Santa Casa ser-nos-ia impossível concretizar esta visão de cidade”, concluiu Carlos Moedas.

Logo a seguir subiu ao palco, para a conferência inaugural do simpósio, um dos principais investigadores mundiais sobre envelhecimento urbano, o investigador principal no Manchester Urban Ageing Research Group, Christopher Phillipson, que apresentou um manifesto para cidades inclusivas, centrado em três pontos estratégicos: igualdade e diversidade; colaboração com decisores políticos e planeamento urbano.

Investigador

Para o investidor e professor da Universidade de Manchester, “o objetivo principal das cidades deve ser a melhoria da qualidade de vida dos idosos”, frisando que “uma cidade é Age Friendly se apresentar boas condições de habitação, ter serviços de qualidade disponíveis, e transportes eficientes”.

Ainda durante a manhã, a par da conferência inicial, houve lugar a uma Mesa Redonda sobre os “Grandes desafios ao Envelhecimento nas Grandes Cidades”, moderada pela jornalista Fernanda Freitas, e que contou com a participação de Alda Azevedo, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Javier Yanguas, da Universitat Autònoma de Barcelona/Fundação “La Caixa”, programa Sempre Acompanhados, Paulo Machado, presidente da Associação Portuguesa de Demografia, Paula Guimarães, empreendedora social e Ana Verónica Neves, do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna.

Já durante a tarde, as duas sessões incidiram sobre os desafios que se colocam à operacionalização de projetos e programas na área da longevidade e envelhecimento nas grandes cidades. A primeira sessão contou com a participação de João Afonso, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, João Marrana, da Câmara Municipal de Lisboa, Thiago Herick de Sá e Yongjie Yon, da Organização Mundial de Saúde, Alfonso Lara-Montero, diretor-executivo da Rede Social Europeia e Carla Tavares, presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa.

Na segunda foram apresentadas três experiências práticas de operacionalização de planos cidade: Lisboa, Barcelona e Porto, onde participaram Mário Rui André, coordenador da Unidade de Missão da Santa Casa, Ester Quintana, do Ayuntamiento de Barcelona, Miguel Soares, da Câmara Municipal de Lisboa e Raquel Castelo Branco, da Câmara Municipal do Porto, num painel moderado por António Fonseca, da Universidade Católica do Porto.

Simpósio

A sessão de encerramento ficou a cargo do administrador de ação social da Misericórdia de Lisboa, Sérgio Cintra e de Sofia Athayde, vereadora dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa.

Para Sérgio Cintra, o desafio está lançado, comentando que a par das alterações climáticas “nenhum outro fenómeno vai influenciar a sociedade no século XXI, como as alterações demográficas”.

“A transição demográfica deve-nos fazer refletir e preparar o melhor possível para os desafios futuros”, frisou o administrador, considerando que “o modo como envelhecemos está fortemente influenciado pelo modo como nos preparamos para esta etapa de vida e que os estilos de vida e o local em que vivemos tem forçosamente muito impacto”.

Já Sofia Athayde fez questão de ressalvar na sua intervenção que “Lisboa quer ser uma cidade que apoia, solidária e que permite a aproximação as gerações”, concluindo que “é necessário continuar este caminho de comprometimento com o plano de ação global para o envelhecimento saudável, da Organização Mundial de Saúde”.

Reveja o simpósio, através do canal oficial do youtube da Misericórdia de Lisboa, aqui.

Delegação de professores espanhóis visita Santa Casa

Uma comitiva de oito professores da província de Navarra, especializados na área da educação inclusiva, de várias organizações e instituições espanholas, visitaram esta segunda-feira, 13 de fevereiro, as instalações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no Largo Trindade Coelho, e a Igreja e Museu de São Roque.

A visita que foi organizada pela Euroyouth, organização especializada em gestão de projetos e consultoria em programas europeus no âmbito da educação, formação, emprego e desenvolvimento local, teve como objetivo principal o conhecimento das práticas e metodologias da Valor T na seleção, apoio e acompanhamento das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Temas como a gestão das expetativas de empresas e candidatos da Valor T, a educação inclusiva e multifacetada, as abordagens inovadoras e o papel da Santa Casa no acompanhamento e apoio à população portadora de algum tipo de deficiência, foram alguns dos assuntos discutidos durante a ação.

No final, e já após conhecerem a Igreja e Museu de São Roque, a comitiva espanhola agradeceu o excelente acolhimento, afirmando que a visita superou as suas expetativas e tecendo ainda largos elogios ao trabalho desenvolvido pela Valor T.

A Mitra de Lisboa

“Mitra” é uma expressão no léxico alfacinha que na sua maioria significa um insulto, ou uma forma de caracterizar alguém pela sua maneira de vestir ou falar. Em muitos casos associado a um estrato social e cultural mais baixo, ainda hoje, falar de “mitra”, ou “vai prá mitra”, ou ainda, “ir para a mitra”, significa o fim da linha, uma consequência de maus vícios e más escolhas feitas ao longo da vida.

Atualmente, a “Mitra” de Marvila, junto ao Poço do Bispo, é composta por dois edifícios bem distintos. Um é o palácio barroco do 1.º Patriarca de Lisboa, valorizado enquanto salão nobre da Câmara Municipal de Lisboa. O outro é o antigo Asilo de Mendicidade, que graças a uma intervenção de restauro e preservação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a quem foi cedido o espaço, em 1994, tem transformado a “Mitra” num espaço único, onde a história se cruza com a inovação e as Boas Causas.

Inaugurado em 1933, como Asilo da Mitra, a história do espaço começou bem antes. Em 1566, a Quinta da Mitra foi aforada perpetuamente ao Morgado do Esporão. Porém, a ligação desse eixo à nata do poder não ficou esquecida. No início do século XVII, a Mitra voltou a recuperar o domínio útil de uma parcela da sua antiga quinta, uma faixa retangular entre a estrada de Marvila e a linha do rio onde se instalou uma quinta de recreio ou residência de campo.

No segundo quartel do século XVIII, a Mitra recuperou o palácio devoluto e em vez de o arrendar novamente a terceiros, o Cardeal Patriarca de Lisboa ocupou-o e decidiu convertê-lo num sumptuoso palácio com ligação ao rio através de um cais privativo. Quando o Cardeal Patriarca escolheu a Quinta da Mitra para a sua quinta de recreio, o eixo entre a Madre Deus e o Poço do Bispo já era local de habitação de muitos palácios e importantes conventos. A escolha do prelado apenas confirmou esta situação pré-existente.

Homem deitado no chão contra a parede

Já em 1864, o palácio da Mitra terá sido vendido a D. José Saldanha, Marquês de Salamanca, fundador e concessionário dos Caminhos de Ferro Portugueses, pela quantia de 10 contos de réis. Dez anos depois, em 1874, o Marquês de Salamanca vendeu o mesmo palácio por 54 contos de réis, a Horatius Justus Perry, encarregado de negócios dos Estados Unidos da América, em Madrid, que vivia em Lisboa desde 1873, com a sua mulher, a poetisa Carolina Coronado. Perry morreu em 1891 e o palácio, após hipotecado, foi vendido em 1902 ao capitalista e deputado António Centeno, com a condição da viúva aí poder residir até à sua morte, que ocorreu em 1911.

Em 1930, e já depois de o espaço ter sido ser renovado para ser uma fábrica de fundição e metalúrgica, a Fábrica Seixas, o município de Lisboa adquire os terrenos da “Mitra”, por 4.000 contos, com o intuito de aí instalar um matadouro. Porém, optou por instalar, nos terrenos rústicos, a estação de limpeza oriental e nos barracões anexos, o Asilo da Mitra.

O asilo foi criado por iniciativa do coronel Lopes Mateus, inaugurado a 4 de maio de 1933. Na altura albergava perto de 1300 pessoas de ambos os sexos, e era apresentado como uma instituição modelar.

O Albergue de Mendicidade de Lisboa estava sob a tutela da Polícia de Segurança Pública para onde levava, compulsivamente, aqueles que eram apanhados a mendigar na via pública. A “Mitra” passou a ser o local para onde os afortunados de todas as idades eram compulsivamente recolhidos, identificados, tratados e encaminhados para a situação considerada mais adequada à sua condição, que poderia ser o internamento em instituições adequadas (doentes crónicos, doentes mentais, idosos isolados e crianças) ou o envio para tribunal, onde eram julgados.

mitra

Porém, pela falta de resposta das instituições estatais, muitos dos recolhidos que deveriam ser encaminhados para instituições não eram devidamente reencaminhados. Se os adultos iam sendo libertados mediante a fuga ou o pagamento da multa, as crianças, os mais velhos sem família ou abandonados, os doentes crónicos e os doentes psiquiátricos iam ficando acumulados no albergue, pelo que o espaço acabou por se tornar num depósito permanente onde se acumulavam os elementos destas populações fragilizadas, sem haver qualquer tipo de tratamento.

No início da década de 50 do século passado, o Albergue de Mitra vocacionou-se no acolhimento de doentes psiquiátricos. Entre 1952 e 1974, inicia-se então um período em que a “Mitra” se tornou um equipamento de retaguarda para doentes psiquiátricos prolongados, considerados incuráveis e sem perspetiva de tratamento, enviando-se para os hospitais (Júlio de Matos e Miguel Bombarda) apenas aqueles que pudessem ser tratados com novos fármacos que, entretanto, iam sendo criados.

A 31 de maio de 1977, o Albergue Distrital de Mendicidade de Lisboa, foi extinto e colocado sob tutela da Secretaria de Estado dos Assuntos Sociais, tendo sido reconvertido, no ano seguinte, no Centro de Apoio Social de Lisboa, com duas valências, a de Centro de Terceira Idade e de serviço de acolhimento e triagem para encaminhamento para instituições especializadas.

mitra

Foi já depois da viragem do milénio, em 2014, que a Câmara Municipal de Lisboa transferiu para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa os terrenos e instalações do antigo Albergue da Mitra. Com o intuito de acabar com o estigma associado à mendicidade e à indigência, e devolver à cidade um espaço voltado paras as exigências do século XXI, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa iniciou vários de trabalhos de restauro e preservação do espaço, criando várias respostas sociais de referência.

O antigo Albergue da Mitra, que antes foi a Fábrica Seixas e hoje é o “Lisboa Social Mitra” da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é assim um dos locais mais importantes da cidade de Lisboa pela carga histórica que possui e pelo legado social e cultural que tem.

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas