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Jornadas RADAR reuniram consenso para a necessidade de continuar o projeto

A Sala de Extrações acolheu na segunda-feira, 9 de fevereiro, a 5.ª edição das Jornadas do Projeto RADAR, numa tarde de partilha de experiências entre os diferentes intervenientes deste projeto que junta três dezenas de entidades no combate ao isolamento social e solidão não desejada da população com mais de 65 anos na cidade de Lisboa.

Dedicadas à atuação na parte sul da cidade, nestas Jornadas ficou evidente a vontade de todos de dar seguimento ao projeto, neste que é um ano de avaliação do trabalho iniciado em 2019. Efetivamente, entre os intervenientes nas Jornadas foi unânime a intenção de prosseguir o trabalho já desenvolvido e que tantos milhares de pessoas tem ajudado, com a perspetiva de evolução para um autêntico radar social da cidade de Lisboa que integre a própria cidadania como mais um parceiro fundamental no seu desígnio.

A sessão de abertura, conduzida por Mário Rui André, diretor da Unidade de Missão Santa Casa “Lisboa, Cidade Com Vida para Todas as Idades”, contou com as participações de Ângela Guerra, administradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, além de Maria Luísa Aldim, vereadora do Desenvolvimento Social da Câmara Municipal de Lisboa, Ana Sofia de Oliveira Branco, diretora adjunta do Centro Distrital de Lisboa do Instituto da Segurança Social, Luís Manuel André Elias, Superintendente do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública, e Alexandre Rodrigues, comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa. Também Rui Garcês, administrador da Misericórdia de Lisboa, assistiu à sessão.

Para Ângela Guerra, “a Santa Casa tem e terá sempre um papel fundamental no RADAR”, sendo que este projeto só foi possível graças à articulação em rede entre todas a entidades. A administradora da Misericórdia de Lisboa destacou o exemplo da plataforma colaborativa entre as 30 organizações, “uma coisa rara a nível mundial”, e expressou o desejo de que estas Jornadas tenham sido “o primeiro passo na avaliação do projeto, rumo à renovação do compromisso e à concretização do Radar Social da cidade de Lisboa”.

“O Radar Social da cidade de Lisboa só será possível existir e desempenhar a sua função se estiver assente na colaboração entre os parceiros-chave da cidade de Lisboa. Nenhuma das nossas organizações poderá, só por si, assumir a gestão e operacionalização deste instrumento. Só através da colaboração entre parceiros é que conseguimos chegar próximo das pessoas, sem comprometer o sentimento de insegurança, conhecer as suas necessidades e vulnerabilidades, reforçando a sua confiança, partilhar informação, conhecimento e recursos, alavancando a nossa capacidade de responder às vulnerabilidades sociais da cidade, e promover comunidades solidárias e de ajuda mútua, sem descurar a responsabilidade das nossas organizações”, referiu a administradora da Santa Casa.

Por tudo isto, Ângela Guerra concluiu que 2026 “é, assim, o ano crucial para que possamos renovar o compromisso de passarmos a ter o Radar Social da Cidade de Lisboa”.

“Façamos a nossa reflexão. Discutamos o que tivermos a discutir, no sentido de melhorar o instrumento. Vamos partilha experiências, pontos fortes, pontos fracos e oportunidades, e que no final deste ano estejamos preparados para renovar o compromisso com a cidade”, terminou.

Por seu lado, Maria Luísa Aldim, vereadora da Câmara de Lisboa, lembrou que “este é o momento para que todos possam falar de forma aberta, transparente e com ideias para construir uma Lisboa preparada para a longevidade”, na qual “envelhecer não signifique afastar-se da cidade, mas continuar a ser parte ativa da mesma”.

Por fim, Ana Sofia Branco sublinhou o papel da “colaboração estreita entre o poder central e local, instituições sociais, comunidades e cidadãos” no combate ao isolamento social, ao passo que os representantes da PSP e dos Sapadores Bombeiros de Lisboa explicaram as suas atuações no apoio a esta população.

Os trabalhos prosseguiram com uma apresentação de resultados do Projeto RADAR, por Mário Rui André, na qual o diretor da Unidade de Missão Santa Casa “Lisboa, Cidade Com Vida para Todas as Idades” demonstrou alguns números elucidativos do trabalho realizado ao longo destes anos de projeto:

  • Mais de 41 mil pessoas 65+ inscritas na plataforma
  • Cerca de 5300 radares comunitários
  • 31 organizações-chave envolvidas
  • 364 focal points no território
  • Quase 27 mil chamadas telefónicas para as pessoas inscritas
  • 884 ações de rua

Posteriormente, e após um período de conversas informais sobre a atuação de diversos intervenientes no dia a dia do RADAR, houve lugar à realização de uma mesa redonda com representantes das juntas de freguesia, moderada por Paula Guimarães.

Coube, de resto, à empreendedora social fazer as notais finais das Jornadas, afirmando, com exemplos práticos, que “o RADAR é um dos poucos instrumentos em Portugal que está a efetivar algumas das tendências, nomeadamente teóricas, sobre a intervenção no envelhecimento”.

“Estou a falar do Plano Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável, estou a falar da Estratégia Europeia dos Cuidados e estou a falar do mais recente, que ainda não foi publicado, Estatuto para a Pessoa Idosa. Portanto, o RADAR não é apenas um projeto, do ponto de vista teórico, interessante, mas também um efetivador das tendências portuguesas e europeias em matéria de intervenção integrada no envelhecimento”, concluiu Paula Guimarães.

5.ª edição das Jornadas RADAR reforçam a resposta comunitária ao isolamento sénior

As 5.ªs Jornadas promovidas pelo Projeto RADAR realizam-se no próximo dia 9 de fevereiro, a partir das 13h30, na Sala de Extrações da Misericórdia de Lisboa. O encontro pretende ser um momento de partilha de experiências, reflexão e convívio entre os diferentes intervenientes do projeto e todos os que trabalham ou se interessam pela área do isolamento social e da solidão não desejada.

Dedicadas ao território Sul da cidade de Lisboa, abrangendo as freguesias da Estrela, Misericórdia, Santa Maria Maior, Santo António e São Vicente, estas jornadas reúnem parceiros institucionais, radares comunitários, cidadãos e especialistas e académicos, reforçando a resposta comunitária ao isolamento sénior.

A sessão de abertura será presidida por Ângela Guerra, administradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e contará com as intervenções de Maria Luísa Aldim, vereadora do Desenvolvimento Social da Câmara Municipal de Lisboa, Luís Manuel André Elias, superintendente do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública, e Sandra Marcelino, diretora adjunta do Centro Distrital de Lisboa do Instituto da Segurança Social, I.P..

Ao longo da tarde, será apresentado um ponto de situação do Projeto RADAR, com enfoque no território Sul da cidade, por Mário Rui André, diretor da Unidade de Missão Santa Casa Lisboa, Cidade de Todas as Idades, que destacará o trabalho desenvolvido no terreno e o papel da rede comunitária na prevenção do isolamento e da solidão não desejada.

O programa inclui ainda o momento “Conversas Rápidas”, um espaço de partilha de experiências locais, com representantes das cinco juntas de freguesia envolvidas, num painel moderado pela empreendedora social Paula Guimarães. Participam Luís Almeida Mendes (Estrela), Carla Almeida (Misericórdia), Maria João Correia (Santa Maria Maior), Filipa Veiga (Santo António) e André Biveti (São Vicente) e encerra com notas finais de Paula Guimarães.

Consulte o programa completo e junte-se a este momento de partilha e reflexão. A participação é aberta mediante inscrição prévia.

Projeto RADAR

O Projeto RADAR visa identificar a população com 65 ou mais anos residente na cidade de Lisboa, tendo em conta as suas expetativas, privações e potencialidades, com vista à construção de sistemas de base comunitária de coesão social.

Integrado no programa Lisboa, Cidade COM VIDA Para Todas as Idades, o RADAR assenta num conceito pioneiro em Portugal, baseado no trabalho em rede, envolvendo parceiros, famílias, vizinhança, comércio local, farmácias e entidades com responsabilidade social, contribuindo para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas sénior que desejam continuar a viver na sua comunidade.

RADAR continua a identificar pessoas vulneráveis e a combater o isolamento social dos mais velhos

É mais um dia de trabalho de rua para as mediadoras de proximidade do Projeto RADAR. Hoje vão percorrer algumas artérias da freguesia de São Domingos de Benfica, juntamente com uma responsável da Junta local e um agente da Polícia de Segurança Pública. Todos juntos fazem parte deste projeto, criado em 2019, que tenta identificar e acompanhar pessoas com mais de 65 anos em situação vulnerável na cidade de Lisboa, combatendo o isolamento social e a solidão não desejada.

Na lista de tarefas que cada mediadora leva consigo está o mapa da cobertura prevista no dia de hoje e nele tanto surgem moradas ainda não abrangidas pela teia do RADAR, como nomes de pessoas já inscritas na plataforma, sem esquecer os estabelecimentos comerciais/associativos que funcionam – ou podem vir a funcionar – como radares comunitários.

Catarina Mendes, uma das mediadoras, apresenta-se à entrada da porta de um casal idoso, ambos para lá dos 90 anos: “Somos do Projeto RADAR, da Santa Casa, Junta de Freguesia, PSP, Câmara Municipal de Lisboa e serviços de saúde, e estamos a fazer o registo de todos os moradores com estas idades para ficarem na nossa plataforma, no caso de precisarem de algum apoio”.

Os olhares iniciais de desconfiança desvanecem-se e o morador idoso aceita inscrever-se, respondendo a um pequeno inquérito sobre as suas condições de vida, apoio de familiares, questões de saúde… Esta abertura só é possível, muitas vezes, pela tranquilizadora presença da PSP.

“Sem a nossa presença as pessoas ficam mais receosas e algumas até fecham logo a porta. Até porque é essa a nossa recomendação quando falamos com eles: na dúvida, não abram a porta para não serem alvos de burlas ou outras coisas. Neste caso basta verem-nos e ficam mais descansados”, resume o agente Luís Pereira.

O trabalho continua: tocar à campainha, subir escadarias, muitas vezes em prédios antigos sem elevador, e conquistar a confiança das pessoas, oferecendo a possibilidade de ajuda de todo o tipo, desde a entrega de refeições, acompanhamento em consultas ou a simples presença de um voluntário para fazer companhia.

Todavia, do outro lado há, por vezes, momentos de resistência. Frases como “Até estou com receio de me quererem fazer tão bem!” ou “O que ganha a Santa Casa com isto?” são compreendidas pelos mediadores de proximidade, que tentam, no entanto, dar a volta à situação recorrendo à calma, transparência e simpatia.

Segue-se uma farmácia, esta já em sincronia com o projeto. Funciona como radar comunitário, reportando eventuais situações que cheguem ao conhecimento de quem está ao balcão. Hoje, felizmente, não há situações graves a reportar, mas são transmitidas informações úteis aos mediadores, particularmente sobre uma idosa inscrita na plataforma que não tem atendido o telefone. Afinal está bem e até aparece no momento certo para confraternizar com a equipa.

Um ano decisivo

2026 será um ano crítico para o Projeto RADAR. Este foi o ano definido desde o início para o término do projeto, sendo que será feita uma avaliação com todas as entidades envolvidas e dali poderão sair novidades para o futuro.

“O protocolo termina este ano e vamos avaliar o projeto nas suas diferentes dimensões, muito em particular, na dimensão da parceria colaborativa, porque só assim o RADAR faz sentido e tem viabilidade. Nenhuma das organizações que o compõem pode, por si só, garantir a sua operação. Só a Misericórdia, só a Câmara, só a PSP, só a Gebalis, só as Juntas de Freguesia, só as unidades de saúde, por si, não conseguiam pôr este projeto de pé”, aponta Mário Rui André, diretor da Unidade de Missão Santa Casa “Lisboa, Cidade Com Vida para Todas as Idades”.

As 32 entidades envolvidas no projeto definirão o futuro, no qual Mário Rui André vê o RADAR a ser expandido a outras populações vulneráveis, além dos 65+. Para tal, é fundamental construir uma consciência coletiva, porque “o RADAR não consegue chegar a todo o lado”.

“Sem cidadãos atentos e despertos para esta problemática não será possível. Essa cidadania ativa é, talvez, o último grande desafio que o Projeto RADAR deve ter e o mais difícil a médio e longo prazo. O nosso sonho é que um dia qualquer cidadão de Lisboa, de qualquer idade, saiba o que é o Projeto RADAR e como pode dar o seu contributo”, explica.

Resultados positivos

Com a “consciência de que ainda há muito para fazer”, Mário Rui André lembra que a plataforma do RADAR tem já 45 mil pessoas inscritas e que “os objetivos foram atingidos”.

“Tornámos o projeto num instrumento da cidade, assente na parceria colaborativa. A plataforma é uma realidade e permite partilhar informação e recursos, tendo hoje 365 utilizadores/pontos focais. Criámos uma rede de cerca de 5 mil radares comunitários, que são os nossos olhos e ouvidos na cidade. Criámos uma linha de contacto que telefona regularmente às pessoas inscritas. Foi criado o voluntariado RADAR, que garante já 35% dessas mesmas chamadas…”, enumera o diretor.

Ao encontro da vulnerabilidade

Com mais umas Jornadas RADAR e o 1.º Encontro Lisboa Com Vida no horizonte, o projeto ainda tem muito para dar este ano, até porque a cidade tem evoluído e os problemas sociais evoluem com ela, o que obriga as 32 entidades envolvidas a adaptarem-se. Nomeadamente, a Santa Casa.

“A própria Misericórdia começa a ter consciência de que o RADAR pode ser um instrumento proativo de intervenção social. Ou seja, não ficar à espera que as pessoas venham aos serviços, mas que a própria dinâmica da cidade e dos parceiros vá ao encontro da vulnerabilidade na cidade. O que, no fundo, sempre foi apanágio da Santa Casa! É esse o seu desígnio. Se virmos a história e tentarmos perceber onde é que a Misericórdia fez a diferença, foi nisso mesmo: estar lá! Estar onde estão os mais vulneráveis, sejam eles quem forem”, conclui Mário Rui André.

Saiba mais sobre o Projeto RADAR.

KORALE promove webinar que destaca boas práticas europeias no combate à solidão não desejada

A sessão decorre online, via Microsoft Teams, entre as 14h30 e 15h30 (hora de Lisboa), e integra-se no âmbito do Projeto KORALE, cofinanciado pelo programa Interreg Europe da União Europeia.

Durante o webinar serão apresentados três projetos de referência:

  • Sempre Acompanhados – Programa comunitário da Fundação “la Caixa”, desenvolvido em Lisboa pelo Centro Social Paroquial de Campo Grande, que promove relações de proximidade entre pessoas idosas e voluntários formados, contribuindo para reduzir o isolamento e fortalecer o sentimento de pertença.
  • Programa Apoio 65+ – Idosos em Segurança – Iniciativa da Polícia de Segurança Pública que reforça a segurança, a tranquilidade e a prevenção de situações de risco entre a população sénior, através de policiamento comunitário e ações de sensibilização.
  • Local Volunteer Matching – Plataforma belga que mobiliza mais de 200 mil cidadãos e 12 mil associações em 80 cidades, facilitando o voluntariado local e promovendo o bem-estar e o envolvimento comunitário.

A sessão contará com a participação de:

  • Mário Rui André, Coordenador do Programa Lisboa, Cidade Com Vida para Todas as Idades (moderador);
  • Margarida Quinhones, Coordenadora do Programa Sempre Acompanhados;
  • Inês Lemos, Comissária da Polícia de Segurança Pública;
  • Bart Wolput, Diretor do projeto Giveaday.

O webinar será realizado em inglês. O formulário de inscrição está disponível neste endereço, após a qual os participantes recebem por e-mail o link de acesso.

A Comunidade de Prática KORALE | Lisboa Com Vida continua, assim, a promover a partilha de conhecimento e a colaboração entre entidades europeias, reforçando o compromisso com uma cidade mais conectada, solidária e atenta às necessidades das pessoas mais vulneráveis.

Seis anos de radar comunitário, 40 a tomar conta do bairro

É só seguir o aroma a fruta fresca, algures na Rua General Taborda, em Campolide, para encontrar a pequena mercearia de Isabel Batista. Ali instalada há 40 anos, assinalados com direito a festa no passado mês de janeiro, funciona desde 2019 como um radar comunitário. Alimenta, assim, o corpo e a alma daqueles que diariamente lidam com o isolamento e a solidão não desejada.

“Infelizmente está a perder-se, mas o pequeno comércio ainda vai tendo muito isso. É a parte psicológica das pessoas saírem e conversarem. Vamos conversando um bocadinho e por vezes basta um abraço. Nem é preciso dizer nada, é só sentir o carinho e a proximidade. É muito importante”, assinala Isabel.

Natural de Ferreira do Zêzere, chegou à capital com apenas 17 anos e rapidamente abraçou Campolide como o seu bairro de coração. Hoje conhece boa parte da comunidade sénior ali residente, apesar da evolução da cidade.

“Antes da pandemia existia muita gente de alguma idade com algumas necessidades. Muita coisa tem vindo a mudar e as pessoas foram partindo, mas ainda há muitas que vivem sozinhas”, explica a comerciante, acompanhada por Inês Gonçalves, mediadora de proximidade do Projeto Radar.

“É um pouco o retrato da cidade. Ainda há muito para fazer”, refere Inês.

Não é raro ver Isabel, que também participa noutros projetos de auxílio à comunidade, a ir levar medicamentos ou ir buscar o pão do dia a quem não o consegue fazer. Mas mais importante do que isso é o facto de servir de companhia a quem passa horas sozinho.

“Às vezes não é tanto a comida. É o acompanhar, o estar, os dias serem mais pequenos… Tenho um lema de vida: quando deixarmos de ser um ‘nós’ e passarmos a ser um ‘eu’, isto não valerá a pena. Todos os dias dou o meu melhor, mas tenho consciência de que o meu melhor não é tudo o que o outro precisa, é o que nós podemos dar”, assume a dona da mercearia.

Por seu lado, Inês Gonçalves avalia de forma muito positiva a contribuição da mercearia de Isabel como radar comunitário.

“Tem-se portado muito bem, fossem todos assim, tão atentos e disponíveis! A Dona Isabel tem sido uma referência e tem-nos ajudado muito a conhecer algumas situações. Ainda hoje de manhã passámos por cá para lhe dizer bom dia e aproveitámos para perguntar por algumas pessoas que não temos visto, nem têm atendido o telefone”, revela a mediadora.

Mesmo passados 40 anos, o amor de Isabel pelos vizinhos mais velhos não tem forma de esmorecer. E assim continuará enquanto puder: “Vim para cá muito novinha e aqui acabei de me criar. São a minha família de coração”.

RADAR promove ação de rua nas freguesias de São Vicente e Lumiar

O projeto RADAR realizou na terça-feira (20) na freguesia de São Vicente, em Lisboa, uma ação de rua com o apoio da PSP, que contou com a presença de Ângela Guerra, administradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com o pelouro da Unidade de Missão “Programa Lisboa, Cidade Com Vida Para Todas as Idades”, e de Mário Rui André, coordenador desta Unidade, que acompanharam a equipa da SCML no seu trabalho porta-a-porta junto dos residentes deste bairro, para averiguar das suas necessidades diárias e condições sociais e de saúde.

Este tipo de ações, que chegam todas as semanas até aos maiores de 65 anos da cidade de Lisboa, têm como objetivo dar a conhecer o projeto às pessoas mais idosas destas freguesias (bem como os meios à sua disposição), e chamar à atenção da comunidade local para a problemática do isolamento desta camada da população, sensibilizando os moradores a estarem atentos à dinâmica diária das pessoas com mais idade que conhecem ou vivem perto de si e, caso detetem alguma alteração no seu dia-a-dia, comportamento, aparência ou a sua ausência, entrem em contacto com os Radares Comunitários já identificados (voluntários, vizinhos e comércio local).

Depois de São Vicente seguiu-se a visita à freguesia do Lumiar, mais concretamente à zona da Universidade da Terceira Idade do Lumiar (UTIL), onde se encontrava uma Unidade Móvel do RADAR que, em parceria colaborativa com a farmácia Holon, estava a realizar rastreios de saúde à população idosa.

O projeto RADAR é uma das dimensões da operacionalização do “Programa Lisboa, Cidade Com Vida Para Todas as Idades”, baseado num conceito pioneiro em Portugal, que tem como prioridade a promoção de bairros mais solidários, comunicativos e atentos à população 65+ em situação de risco de isolamento e de solidão não desejada.

Identificando a população da cidade de Lisboa com mais de 65 anos, este projeto conta com diversos parceiros institucionais e estende-se por centenas de radares comunitários, seja através do comércio local (farmácias, cafés, papelarias, etc), seja através da própria comunidade, que atua de forma integrada para contribuir para o bem-estar e melhoria da qualidade de vida da população sénior.

O que esperar do Projeto RADAR cinco anos após o seu início?

O RADAR, inserido numa das ações assumidas pela Santa Casa no âmbito do Programa “Lisboa Cidade de Todas as Idades”, nasceu no dia 1 de janeiro de 2019 enquanto instrumento para conhecer melhor a realidade das pessoas em situação de solidão e isolamento social do concelho de Lisboa. Desde então, alcançou cerca de 37 000 pessoas 65+.

Este trabalho exaustivo e resiliente só foi possível graças à parceria colaborativa que envolve  as entidades organizacionais com responsabilidade na área da longevidade e envelhecimento na cidade – Santa Casa, Município, Administração Regional de Saúde, Instituto de Segurança Social, GEBALIS, Polícia de Segurança Pública, as 24 juntas de freguesia e a Rede Social de Lisboa –, assim como mais de 4500 estabelecimentos comerciais, designados de Radares Comunitários, e que se constituem como os “olhos e os ouvidos da cidade” sobre esta realidade social.

Aqui chegado, o Projeto RADAR quer iniciar uma ponderação construtiva conjunta sobre o que já foi alcançado e o que será necessário para a sua consolidação enquanto instrumento de sinalização, recolha de informação e partilha de recursos. Para tal, irão decorrer as 1. as Jornadas envolvendo todas as partes interessadas – organizações parceiras, Radares Comunitários, cidadãos, voluntários e especialistas/académicos – no sentido de partilhar experiências, refletir sobre as práticas e reforçar as relações entre todos os envolvidos neste desígnio.

Este primeiro encontro terá lugar no Auditório 1 da Universidade Lusíada, em Lisboa, e abrange as freguesias de Belém, Ajuda, Alcântara e Campo de Ourique, territórios de influência do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Ocidental.

Pode consultar o programa completo aqui.

“Momentos do Cuidador” ofereceu mimos e informação no Beato

Cuidar de quem cuida. Foi em torno desta premissa que a Associação de Moradores Viver Melhor no Beato acolheu, na passada sexta-feira, 17 de março, a iniciativa “Momentos do Cuidador”.

O objetivo foi promover ações de sensibilização junto de quem tem pessoas a seu cargo de forma a melhorar a vida quer de cuidadores, quer das pessoas por eles cuidadas. Amandine Bouillet, coordenadora da Associação de Moradores, apresentou o projeto.

“Há muito tempo que se fala dos cuidadores em si, mas quem são os cuidadores? Criámos então este primeiro encontro com uma dinâmica para chamar os cuidadores e podermos depois fazer projetos com estas pessoas: um cafezinho dos cuidadores de forma mais regular, outro tipo de eventos, e até o apoio em casa, porque estão aqui muitos mediadores que podem fazê-lo para que as pessoas se sintam menos isoladas”, referiu.

Ainda segundo aquela responsável, o mais importante é que os cuidadores se valorizem.

“As próprias pessoas normalizam o que fazem, mas têm um grande peso psicológico e físico e muitas vezes nem se apercebem”, alertou.

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Junta de Freguesia do Beato, Médicos do Mundo, Fundação Aga Khan Portugal, Gebalis, Associação de Moradores Viver Melhor no Beato e Exército de Salvação foram as entidades presentes no evento. Representantes de cada uma destas instituições estiveram à conversa com os cuidadores, numa tarde animada que incluiu um lanche, por entre tertúlias com elementos do Núcleo de Gestão e Produtos de Apoio e do Grupo de Autoajuda do Centro de Educação, Formação e Certificação da Santa Casa.

Os cuidadores tiveram ainda direito a pequenos mimos, como massagens de relaxamento.

Projeto-piloto

A iniciativa “Momentos do Cuidador” poderá agora ser replicada noutras freguesias do concelho de Lisboa. Teresa Gonçalves, do projeto RADAR, explicou que a intenção foi alargar este evento-piloto “a toda a comunidade, porque, de hoje para amanhã, todos podemos ser cuidadores”.

Além disso, realçou o papel da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que ali marcou presença de forma informativa.

“Enquanto Santa Casa mostramos que existem ajudas técnicas que podem facilitar os cuidados no dia a dia. Por exemplo, há muitas pessoas que não sabem que existe um lava-cabeças para dar banho à pessoa na cama. Temos aqui uma colega a demonstrar o que existe e como é que as pessoas podem aceder”, acrescentou.

Refira-se, por fim, que no exterior das instalações esteve uma unidade móvel dinamizada pela Associação Diabéticos de Portugal que realizou rastreios aos interessados.

Programa Lisboa Cidade de Todas as Idades: agora ainda mais perto da população sénior

Continuando o seu objetivo de apoiar, ajudar e identificar a população mais velha de Lisboa, o programa Lisboa Cidade de Todas as Idades, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, conta agora com mais um “aliado” nesta missão.

A mais recente unidade móvel utilizada pelas equipas do projeto RADAR pretende ser um equipamento de proximidade e de apoio aos parceiros e radares comunitários que compõem o projeto. Se por um lado permite uma maior rapidez e comodidade na atuação diária destas equipas junto dos idosos das várias freguesias de Lisboa, por outro lado facilita o desenvolvimento de um trabalho integrado e em rede.

Mário Rui André, coordenador da Unidade de Missão Santa Casa, considera que, para o RADAR, “será um importante meio de promoção da relação entre os mediadores de proximidade e os radares comunitários, pois serão estes que acabarão por ser envolvidos nas atividades de prevenção e promoção da saúde que venham a realizar-se na unidade móvel”. Frisa ainda que este equipamento “facilitará o trabalho de rua que está a ser desenvolvido pelos mediadores de proximidade no sentido em que para além de promover a aproximação aos radares comunitários, também facilitará a sua aproximação às pessoas 65+, informando-as e sensibilizando-as sobre a importância de aderirem ao projeto”.

Sendo uma resposta itinerante, a unidade móvel do programa Lisboa Cidade de Todas as Idades é, simultaneamente, um espaço de proximidade com a população de Lisboa e um meio de promoção de maior interação entre os vários parceiros do programa e as comunidades locais. Com este novo veículo de difusão da missão do programa, as equipas do RADAR preveem realizar várias iniciativas conjuntas que podem ir desde ações de rua até à presença em eventos, feiras sociais ou de saúde, ou noutros contextos enquadrados no âmbito do programa.

Unidade Móvel RADAR

Para o coordenador da Unidade de Missão é importante reconhecer que esta nova valência “não é um fim em si, mas um meio facilitador da atividade dos mediadores de proximidade junto dos radares comunitários e da população”, salvaguardando que “as ações de prevenção e promoção da saúde a desenvolver na unidade móvel são muito abrangentes, dependendo do radar comunitário que for envolvido”.

Exemplo disso são as ações de sensibilização e rastreios de saúde que decorreram nos dias 4 e 6 de outubro, na freguesia das Avenidas Novas, e no dia 18 de outubro, na Junta de Freguesia de Carnide, onde a unidade móvel foi palco de rastreios cardiovasculares gratuitos à população sénior de Avenidas Novas e rastreios à diabetes tipo 2, no caso da população da freguesia de Carnide. A primeira ação foi promovida em conjunto com o radar comunitário do mês de outubro, a Farmácia Prates e Mota. A segunda foi dinamizada em parceria com a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.

Até final do mês de outubro, a unidade móvel do programa Lisboa Cidade de Todas as Idades vai estar no dia 19, no Inatel, na freguesia de Alvalade, para promover uma caminhada inserida, ainda, nas celebrações do mês do idoso. Já na sexta-feira, dia 21, vai estar estacionada na rua do Alvito, na freguesia de Alcântara, com a finalidade de realizar rastreios da tensão arterial, glicemia e colesterol, juntamente com a Farmácia Calvário, radar comunitário.

Tertúlia Café RADAR. O lugar onde a população sénior pode conviver e partilhar experiências

Catarina Fernandes e Inês Gonçalves, mediadoras do Projeto RADAR, vão preparando o cenário de mais uma edição da Tertúlia Café RADAR, uma iniciativa que tem como objetivo convidar a população sénior a sair de casa. A sessão de julho decorreu na Associação de Amigos e Idosos (AAI), na freguesia do Parque das Nações. A AAI é um Radar Comunitário fundamental, já que é um ponto de encontro para os fregueses do bairro.

O facto de esta dinâmica ocorrer num estabelecimento que se constitui como Radar Comunitário significa uma mais-valia, já que estreita relações e promove bairros mais solidários, comunicativos e atentos à população +65 em situação de risco de isolamento e de solidão não desejada.

Henrique foi o primeiro a chegar. Enquanto a sessão não começa, vai contando histórias do alto dos seus 87 anos. Ao longe vê Helena, a vizinha com quem “já não falava há muito tempo”. A Tertúlia Café RADAR também é isso: um lugar de reencontros. Pela tarde fora, Helena e Henrique vão recuperando memórias da juventude e enaltecendo a pertinência da desta iniciativa para “aproximar os vizinhos”. Hoje, o tema da Tertúlia Café RADAR é mesmo esse: as relações de vizinhança.

Em cada Tertúlia Café RADAR o objetivo passa por colocar os seniores a discutirem temas que sejam do interesse dos fregueses. Na primeira sessão, que decorreu em maio, na Pastelaria Zurique, na freguesia do Areeiro, durante quase duas horas as mediadoras do Projeto RADAR e os seniores convidados contaram histórias que aludiam ao tema “Onde é que estava no 25 de abril?”. Ao longo da conversa surgiram debates sobre várias temáticas como os valores da liberdade e humanidade, o impacto da descolonização no país e o regresso dos retornados, e o direito ao voto universal para as mulheres conseguido nas primeiras eleições pós-25 de abril.

A Tertúlia Café RADAR é uma iniciativa organizada em parceria com as juntas de freguesia, parceiro fundamental de atuação na cidade de Lisboa. A próxima tertúlia está agendada para o início de setembro, na freguesia de Benfica.

Idosos conversam com equipa do Projeto RADAR

Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas