logotipo da santa casa da misericórdia de lisboa

Dia Mundial do Serviço Social exige solidariedade reforçada entre gerações

“Reforçar a solidariedade entre gerações para um bem-estar duradouro” é o tema em destaque nas comemorações deste ano do Dia Mundial do Serviço Social, as quais alertam para dois princípios-base: a ligação e a troca entre gerações, com o primeiro a defender a união entre as gerações através da interação, apoio e entreajuda, e com a troca a referir-se ao que novos e velhos dão e recebem uns dos outros.

Na Misericórdia de Lisboa, a solidariedade entre gerações há muito que é uma realidade bem conhecida dos mais de 500 assistentes sociais da instituição, com o Centro de Recursos Intergeracional da Aldeia de Santa Isabel ou o Centro Intergeracional Ferreira Borges a constituírem dois dos muitos equipamentos da Santa Casa a promover a solidariedade, o contacto e a proximidade entre as gerações.

O Dia Mundial do Serviço Social, efeméride que se assinala anualmente desde 2007, representa o compromisso desta profissão e dos seus profissionais, para que o mundo seja a “casa” de todos e onde os cidadãos podem ser parte ativa da comunidade.

Esta é uma celebração de uma profissão que intervém na realidade social há mais de um século e, em Portugal, há mais de 80 anos.

Duas pessoas abraçam-se

Mais de uma centena de Assistentes Sociais integra a Misericórdia de Lisboa, trabalhando com o objetivo de transformar o mundo numa casa onde todos têm lugar.

Quais os desafios que se avizinham para o Serviço Social?

Numa Europa ensombrada por uma guerra, com o envelhecimento generalizado da população a progredir de forma preocupante e com os vários Estados-Membros da União Europeia a desenvolverem-se a diferentes velocidades, são vários os desafios que se vislumbram no horizonte para as sociedades e, inevitavelmente, para os Assistentes Sociais.

“Continuamos, como há 100 anos, a questionar como é que nesta sociedade globalizada se assegura para todos o reconhecimento da sua dignidade humana e de justiça social, preservando sistemas de proteção social sustentáveis para todos”, analisa Susana Ferreira, assistente social  da Direção de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade (DIDIP), considerando ser “vital” encontrar mecanismos de solidariedade entre gerações e países, conjugando ambiente, pessoas e governança.

“Um dos desafios é o ´serviço social verde`, isto é, a abordagem ambiental como quadro de intervenção dos assistentes sociais, face a um futuro que se avizinha de crise ambiental e social global, evidenciando-se a interseção entre desigualdades, vulnerabilidade e injustiça ambiental, num quadro de escassez de recursos”, acrescenta.

“O Assistente Social é um profissional orientado para dar respostas às necessidades humanas, tanto no contexto da família, como nos grupos, na comunidade e em sociedade, que aplica um conhecimento científico – empírico, teórico, metodológico e reflexivo – para a promoção do desenvolvimento integral, relacionando as políticas sociais com os contextos reais e concretos da sociedade atual”.

Susana Ferreira
Assistente Social da DIDIP

A Santa Casa e o Serviço Social

Com 526 anos de existência, a intervenção da Santa Casa na Área Metropolitana de Lisboa há muito que ultrapassou os cuidados sociais e de saúde, com a sua atuação a ser alargada para muitos outros domínios.

Atualmente, a instituição atua de forma integrada e preventiva junto de famílias e comunidades, desde a creche, à educação formal e informal, à inserção social e profissional, passando pelos cuidados de saúde e o acompanhamento no envelhecimento. Nascimento, infância, envelhecimento e morte constituem as várias fases da vida do ser humano que são acompanhadas pela Santa Casa, que continua a privilegiar a humanidade e a proximidade na sua atuação.

Café Memória regressa para continuar a fazer diferença

A sessão de regresso reuniu 20 participantes, entre habituais, estreantes e voluntários, tendo como tema “Quando as Memórias se Cruzam”. A conversa focou-se no início da pandemia de covid-19, assinalando os cinco anos do primeiro confinamento em Portugal. O evento proporcionou a partilha de experiências e emoções vividas naquela altura.

Criado em 2014, este projeto nunca perdeu a sua missão, adaptando-se mesmo durante a pandemia com um formato online para evitar o isolamento dos participantes. O impacto tem sido notável: entre 2014 e janeiro de 2023, mais de 11 mil pessoas participaram nas sessões, presencial ou virtualmente.

Maria João Diniz, psicóloga da Unidade de Missão da SCML/LCTI, destaca a importância deste espaço de encontro, onde pessoas com dificuldades cognitivas, familiares e interessados podem partilhar experiências e aprender mais sobre temas relevantes. “Com sessões que alternam entre estimulação e treino cognitivo, bem como palestras de especialistas, o Café Memória tem-se afirmado como um projeto essencial na comunidade.”

O regresso do Café Memória representa um reforço na luta contra o isolamento e o estigma das doenças neurodegenerativas, reafirmando o compromisso com a qualidade de vida de quem enfrenta dificuldades cognitivas e dos seus cuidadores.

As próximas sessões já têm datas marcadas: 9 de abril, 14 de maio e 11 de junho. A participação é gratuita e não requer inscrição prévia, garantindo que qualquer pessoa interessada pode beneficiar deste espaço de acolhimento e partilha.

Para mais informações, os interessados podem dirigir-se ao espaço CLIC-LX (Rua Nova da Trindade, n.º 15, Lisboa) ou contactar a equipa do Café Memória Chiado.

 

mão de senhora num post-it que diz gratidão

Café Memória Chiado regressa com o tema “Quando as Memórias se Cruzam”

Esta iniciativa destina-se a pessoas com problemas de memória ou demência, aos seus familiares e cuidadores, bem como a todos os interessados nestas temáticas. O Café Memória Chiado oferece um ambiente acolhedor, reservado e seguro, onde os participantes encontram suporte mútuo e apoio emocional, facilitando a interação entre pares.

As sessões variam entre palestras com especialistas convidados e momentos de estimulação cognitiva, desenvolvidos pela equipa multidisciplinar do Café Memória, composta por Maria João Diniz, psicóloga da Unidade de Missão Santa Casa, Guida Amorim, enfermeira e coordenadora da Direção de Saúde Santa Casa e ainda Sónia Mascarenhas, especialista de Serviço Social.

Durante os encontros, os participantes têm acesso a informação atual e útil sobre questões relacionadas com a memória e demência, além de poderem participar em atividades lúdicas e estimulantes, sempre com o apoio de profissionais qualificados nas áreas da saúde e ação social.

A iniciativa tem demonstrado um impacto significativo na comunidade. De 2014 a janeiro de 2023, contabilizaram-se mais de 11 mil participações, seja em sessões presenciais ou virtuais, evidenciando a relevância e procura deste espaço de apoio e partilha.

A participação nas sessões é gratuita e não requer inscrição prévia. Após a sessão de reinício de 12 de março, o calendário das próximas sessões já está definido para 9 de abril, 14 de maio e 11 de junho.

Sobre o Café Memória Chiado

Uma iniciativa da Santa Casa que proporciona um espaço de encontro, partilha e apoio para pessoas com problemas de memória ou demência, seus familiares e cuidadores, contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida e para a sensibilização da comunidade para estas condições.

Morada: Espaço CLIC-LX | Rua Nova da Trindade, nº 15, Lisboa

Para mais informações, os interessados podem dirigir-se ao espaço CLIC-LX ou contactar a equipa do Café Memória Chiado.

Santa Casa inaugura novo centro de acolhimento para pessoas em situação de sem teto e requerentes de proteção internacional

O Centro de Alojamento Temporário da Saudade, destinado a acolher pessoas sinalizadas em situação de sem teto e requerentes de proteção internacional, com vista a promover o desenvolvimento de competências pessoais, sociais, educacionais e profissionais, foi inaugurado esta quarta-feira, 5 de março, na presença da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, do Provedor da Santa Casa, Paulo Sousa, do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, do patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, e de representantes de várias instituições da cidade.

Na sua intervenção, o Provedor começou por dizer que este é mais um momento importante da vida Misericórdia de Lisboa, salientando que este centro “é mais uma resposta essencial para a cidade de Lisboa e que reforça o compromisso secular da instituição, de apoiar os mais vulneráveis e desprotegidos”.

Depois da abertura do Centro de Alojamento Temporário do Grilo, no final do ano passado, que veio dar resposta à necessidade de providenciar alojamento temporário a pessoas que, embora recebam rendimentos, não conseguem aceder a habitação própria, esta nova Unidade, com 17 quartos, vem reforçar a capacidade instalada de alojamento temporário da instituição.

Para além do alojamento temporário de emergência, o centro disponibiliza um conjunto de serviços e valências básicas como a lavagem e tratamento de roupa, o provimento de pequeno-almoço, um banco de roupa, atividades pedagógicas, ocupacionais e de capacitação e ainda cuidados de saúde, em articulação com as Unidades de Saúde da Santa Casa e do Serviço Nacional de Saúde.

Paulo Sousa salientou que a problemática das pessoas em situação de sem abrigo e requerentes de asilo têm sido uma prioridade para a administração da Santa Casa, que tem desenvolvido respostas e planos que promovam “a capacitação, aquisição e desenvolvimento de competências para uma reintegração plena na sociedade”.

“Continuaremos a trabalhar diariamente com o objetivo de reforçar e ampliar as nossas respostas e rede de apoio territorial, apostando em medidas preventivas para uma sociedade mais justa e inclusiva”, frisou o Provedor.

Já Carlos Moedas identificou como prioritário que as instituições da cidade continuem “este trabalho de colaboração”, destacando o papel que a Santa Casa tem tido no apoio “aos que mais necessitam”.

“A Santa Casa é uma organização irmã da Câmara Municipal de Lisboa e é inspirador o trabalho que a Santa Casa tem feito na cidade”, destacou o autarca, complementando que é “crucial o investimento que a instituição tem feito nesta área de atuação”.

A identificação e encaminhamento para esta nova resposta da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) é feita pelas equipas técnicas da Unidade de Emergência e da Ação Social da SCML, pelos gestores de processo do Núcleo de Planeamento e Intervenção com Pessoas em Situação de Sem Abrigo e por outras entidades do concelho.

A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social acrescentou que “o trabalho de proximidade e colaborativo entre a Santa Casa e a Câmara Municipal de Lisboa, juntamente com o Estado é essencial para que respostas como esta possam ser uma realidade”. 

Maria do Rosário Palma Ramalho frisou ainda que “não basta apenas dar um teto. É importante, para além de garantir uma residência, ajudar as pessoas a reencontrar o seu projeto de vida”. 

Desta maneira, a Santa Casa passa agora a dispor de sete equipamentos de alojamento temporário e de emergência direcionados a públicos vulneráveis e com respostas sociais adaptadas às problemáticas das pessoas acolhidas. Exemplo disso são as unidades da Misericórdia de Lisboa destinadas a antigos reclusos, jovens com percursos de institucionalização, mulheres com filhos e pessoas com necessidade de acompanhamento terapêutico.

Já pode conhecer a agenda sociocultural para março e abril

Com o objetivo de promover a interação entre diferentes faixas etárias, fomentar a cultura e combater estereótipos relacionados com a idade, a iniciativa volta a oferecer um vasto leque de atividades durante os meses de março e abril.

Vários equipamentos sociais da Santa Casa prepararam uma programação diversificada, com atividades lúdico-recreativas, manuais e artísticas, intelectuais, de aprendizagem e até religiosas e espirituais. Entre as opções estão ateliers de pintura, clubes de leitura, formações de literacia digital e atividades de exercício físico.

A comunidade está convidada a participar e a conhecer de perto o dinamismo desses espaços, que se abrem para todos os públicos, reforçando um ambiente inclusivo e enriquecedor para todas as idades.

Conheça a programação completa aqui.

Utentes do Centro de São José contam histórias de circo que se confundem com histórias de vida

O espetáculo tem de continuar. Ilídio Quintiliano, um antigo utente do Centro de São José, infelizmente já desaparecido, trabalhou num circo durante 40 anos, numa das mais difíceis profissões do mundo: ser palhaço. As histórias das palhaçadas e de quem com elas se riu, com o que a memória permitiu e a imaginação complementou, ficaram registadas em manuscritos guardados por aquele equipamento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e agora voltaram à vida. Porque, nunca é demais repetir, o espetáculo tem mesmo de continuar.

Assim, um grupo de utentes do Centro desenvolveu o projeto Histórias de Circo, num processo de expressão dramática, com vários passos ao longo de um ano, que resultou numa pequena, mas representativa peça de teatro, agora apresentada noutros equipamentos da Misericórdia de Lisboa.

“Quisemos dar vida a estas histórias. Começámos por trabalhar com sessões de conto, depois fizemos máscaras de algumas personagens e, por fim, deu-se o processo de expressão dramática”, explica a monitora Liliana Fernandes, no camarim improvisado no Centro de Desenvolvimento Comunitário da Charneca, o palco de hoje.

Monitora Liliana Fernandes sorri

Monitora Liliana Fernandes coordena o projeto

Ao seu lado, além do monitor Diogo Ribeiro, tem seis utentes, todos já devidamente caracterizados e prontos a entrar em cena. A narradora, o apresentador, o palhaço, a bailarina, o mágico e o trapezista. São eles quem tem a missão de encarnar as histórias circenses deixadas por Ilídio Quintiliano.

Paulo Almeida é o trapezista, mas na vida real os seus trapézios foram outros. Nunca andou por estas artes, mas chegou bem a tempo.

“Nunca participei em teatros, esta é uma experiência única. Gosto do convívio. Assim que me convidaram aceitei logo, nem pus qualquer obstáculo, porque tinha a curiosidade de saber o que é pertencer a um grupo de teatro. Nem sabia a história, fui à descoberta! Represento um trapezista que já não executa a profissão há muito tempo, mas volta a tentar. E tem uma utilidade muito grande para a minha vida…”, deixa escapar Paulo, num tom repentinamente mais sério.

Paulo Almeida interpreta o papel de um trapezista que quer voltar aos palcos

Sem querer, Paulo Almeida chocou com uma personagem que tem, afinal, muito que ver consigo. E é a monitora Liliana quem dá a primeira pista: “É curioso, porque se adequa à própria história de vida do Paulo. Ele teve um problema de saúde e ficou retirado dos seus palcos da vida, da sua profissão. E isto trouxe-o de volta para a sua vida laboral”.

Paulo, tal como Santini, o nome da sua personagem, vai tentar o regresso ao seu trabalho de sempre. E se Santini o fará na peça de teatro dentro de minutos, Paulo vai fazê-lo já na próxima semana.

“Desde os 13 anos que trabalhei na construção civil. Estive 20 anos fora de Portugal, em Angola. Mas, infelizmente, derivado a doença, tive de voltar para Portugal para me tratar. E agora é o recomeço da vida, como o trapezista. Dá ânimo… Até me emociono…”, confessa Paulo Almeida, com uma lágrima a escorrer-lhe na face.

Paulo, juntamente com Ângelo, Nélson, Vanda, Inês e Máximo, dirigem-se então para o palco. É hora de subir o pano e começar o espetáculo. Senhoras e senhores, meninos e meninas, são Histórias de Circo. E de vida também.

A família como alicerce para o bem-estar social – Apresentação do Modelo de Intervenção Multissistémico com famílias

A Sala de Extrações da Misericórdia de Lisboa acolheu esta segunda-feira, 24 de fevereiro, a apresentação do estudo realizado a partir da tese de doutoramento de Lúcia Fortio, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, e as suas conclusões sobre a intervenção da Unidade de Intervenção Familiar (UIF) da Santa Casa no contexto das suas competências.

Esta exposição, agora conhecida, reflete sobre os conceitos da importância da família para a autonomia futura de crianças e jovens e na construção do indivíduo, tendo como base uma intervenção assente na multidisciplinaridade de competências e colaboração de todos os intervenientes nas várias etapas da vida da pessoa.

A sessão de abertura foi presidida pelo Provedor da Misericórdia de Lisboa, Paulo Sousa, que agradeceu o empenho de todos e congratulou os presentes não só pelo estudo agora revelado, mas também pelo projeto-piloto que a Direção de Infância, Juventude e Famílias está a desenvolver sobre bem-estar profissional.

“Para além da nossa intervenção normal no apoio às famílias, crianças e jovens, este projeto assume um aspeto muito relevante no contexto em que hoje vivemos. Idealizo que este projeto seja concretizado”, realçou Paulo Sousa.

O Estudo de Eficácia do Modelo de Intervenção Multissistémica da UIF contou com o envolvimento de todos os colaboradores da unidade, quer na recolha, quer na reflexão sobre os dados obtidos, com a finalidade de potenciar a vida familiar e desenvolver, implementar e estudar a eficácia do Modelo de Intervenção com famílias identificadas em risco.

Para o Provedor, ter a Santa Casa envolvida neste estudo demonstra que “todos queremos e podemos refletir, melhorar e até inovar nas respostas que damos às nossas populações” e, só assim, construir “uma sociedade mais justa e equilibrada para os desafios futuros.”

Paulo Sousa referiu ainda que a Santa Casa tem como uma das suas principais missões a proteção de crianças e jovens e, neste âmbito, a intervenção nas famílias deve ser norteada em três eixos fundamentais: “preservação familiar, reunificação familiar e parentalidade de risco.”

Já a diretora da UIF, Isabel Gomes, fez o diagnóstico da intervenção da unidade no último ano, durante o qual, através do trabalho diário desta equipa multidisciplinar, foram cessados 87% dos processos com remoção do risco e perigo.

Ainda nesta análise, 192 famílias foram identificadas, estando a ser acompanhadas pelo serviço mais de 300 crianças. No total, a UIF acompanha 751 famílias, com 3.027 pessoas a serem intervencionadas, entre elas 1.537 crianças.

A fechar a iniciativa decorreu um painel de discussão sobre o estudo de eficácia, no qual vários técnicos da UIF falaram da sua experiência pessoal enquanto colaboradores da unidade, apontando os desafios que se colocam nesta área de atuação da Misericórdia de Lisboa, mas também todo o trabalho que tem sido realizado em colaboração com outras entidades e organizações da cidade.

Envelhecer em comunidade e sem medo da solidão

Cuidadores Informais: A formação que apoia quem cuida

Todas as terças-feiras, quinzenalmente, há um grupo de pessoas que se reúne em torno de uma missão comum: aprender a cuidar melhor de quem amam. Poderiam ser dez, mas hoje são sete. Sete histórias, sete vidas tocadas pela difícil, mas nobre, tarefa de cuidar de um familiar que precisa de ajuda.

No Centro de Educação, Formação e Certificação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, há uma sala que se transforma num refúgio para aqueles que, muitas vezes, vivem entre a exaustão e a dedicação incondicional. Desde 2017, centenas de cuidadores informais passaram por estas sessões gratuitas, que lhes oferecem conhecimento, apoio e, sobretudo, a certeza de que não estão sozinhos.

Os temas são sempre diferentes. Aquele a que assistimos, por exemplo, foi dedicado aos cuidados na alimentação e hidratação. A formadora, a enfermeira Fernanda Simões, poderia estar a aproveitar um merecido dia de folga, mas opta por estar ali, como voluntária, doando seu tempo e experiência para ajudar quem ajuda. Com um sorriso tranquilo e munida da informação que preparou, propositadamente, para a sua sessão, Fernanda explica a importância de uma alimentação equilibrada, alerta para sinais de desidratação e responde a dúvidas que, muitas vezes, surgem na solidão de quem cuida.

formadora e formanda na formação de cuidadores

Os participantes ouvem, tomam notas, fazem perguntas. Partilham entre si angústias e pequenos triunfos, descobrindo que, apesar das dificuldades, há um caminho que pode ser percorrido com mais leveza quando se tem orientação e apoio. “Há mesmo pequenas coisas que podem fazer a diferença”, diz um dos participantes.

Para além das formações, há ainda os grupos de autoajuda, coordenados pela psicóloga Rosa Macedo, que acompanha este projeto desde o início. Aqui, o espaço é de escuta, de partilha e de amparo mútuo. Porque cuidar não é apenas um ato físico, mas também emocional, e quem cuida também precisa de ser cuidado.

A importância destas formações estende-se para além do conhecimento técnico. Os cuidadores informais enfrentam desafios diários que muitas vezes passam despercebidos para quem não está na sua posição. O isolamento, o cansaço físico e mental, a sobrecarga emocional – tudo isso faz parte da rotina de quem dedica a sua vida a outra pessoa. Sendo que existem todos os outros desafios do quotidiano que é preciso conciliar.

Estas sessões não são apenas um espaço de aprendizagem, mas também de fortalecimento e acolhimento. Os participantes encontram, uns nos outros, uma rede de suporte que os ajuda a continuar. 

Ao longo dos anos, muitos cuidadores que passaram por este espaço relataram como estas formações transformaram as suas vidas. Chegou a ser aplicado um questionário a alguns deles para avaliar as mudanças que viveram com aquilo que retiraram destas sessões. E os resultados foram impressionantes, desde “aprenderem a cuidar dos seus sem se esquecerem de si próprios” a “encontrarem pessoas que compreendem o que estão viver, e isso faz toda a diferença.” O agradecimento destes cuidadores por esta partilha de vivência foi, sem dúvida, o denominador comum.

participantes na sessão de formação de cuidadores informais

O Centro de Formação quer continuar a proporcionar, e cada vez mais, este apoio essencial. Porque sabe que, para muitos, estas sessões são a única oportunidade de aprender técnicas que melhoram a qualidade de vida dos seus familiares e, ao mesmo tempo, permitem que se sintam valorizados e reconhecidos pelo seu esforço diário.

Se cuidar de alguém faz parte da sua vida, saiba que não precisa de caminhar sozinho. Pode juntar-se a estas sessões, onde o conhecimento e o apoio se cruzam para tornar o desafio de cuidar mais humano e menos solitário. A cada terça-feira quinzenal, uma nova oportunidade de aprender, partilhar e fortalecer-se espera por si. Afinal, por trás de cada cuidador, há também um ser humano que merece ser cuidado.

Para mais informação, pode contactar o Centro de Educação, Formação e Certificação, Rua Conde de Ficalho, 4A e 4B, 1700-114 Lisboa, ou através do número +351 218 413 010.

Zona Oriental de Lisboa em análise nas 4as Jornadas RADAR

A 4.ª edição das Jornadas RADAR aconteceram esta segunda-feira, 17 de fevereiro, no Auditório dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, e reuniram de dezenas de pessoas para refletir, partilhar ideias, perspetivar o futuro e consolidar o trabalho desenvolvido nos últimos anos, no combate ao isolamento e solidão não desejada da população sénior na cidade, em particular nesta zona da cidade.

O evento contou com várias intervenções e conversas informais, tendo sido uma oportunidade para reforçar laços, partilhar experiências e refletir sobre o que foi feito e o que poderá ser melhorado para consolidar o projeto RADAR como um instrumento fulcral, para aproximar as pessoas mais velhas às dinâmicas comunitárias, prevenindo o isolamento social e solidão indesejada.

Na sessão de abertura Ângela Guerra, administradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, destacou a importância do trabalho colaborativo entre todas as entidades inseridas no projeto, para apoiar a população mais vulnerável. Durante a sua intervenção, Ângela Guerra sublinhou que “o Projeto RADAR é essencial para garantir que ninguém fique para trás, especialmente as pessoas mais velhas”, reforçando o papel da Santa Casa na implementação e desenvolvimento de projetos que promovem a inclusão social.

A responsável focou ainda a importância de este ser “um projeto de proximidade” que diariamente “vai de porta em porta, averiguar as necessidades das pessoas”.

“Esta é uma das missões que a Santa Casa tem que faz todo o sentido fortalecer e acarinhar. Todos os dias conseguimos identificar mais pessoas, angariar mais Radares Comunitários e desenvolver o projeto sempre numa base colaborativa. O paradigma alterou-se e é necessário conhecer as pessoas nos seus territórios para que possamos convergir os apoios necessários com as verdadeiras necessidades das pessoas”, enalteceu Ângela Guerra.

Mário Rui André, Coordenador do projeto RADAR, apresentou os principais resultados do Projeto nas cinco freguesias em foco, onde se encontram integradas cerca de 8.572 pessoas 65+ (cerca de 22% do total) e cerca de 1200 Radares comunitários (23% do total), constituindo uma verdadeira rede local de atenção e apoio às pessoas com maior vulnerabilidade. 

Durante o ano passado foram realizadas 150 ações de rua e 24 ações de Unidade Móvel. Destaque ainda para integração de mais de 1000 novas pessoas +65 na plataforma e para a realização de quase 4100 contactos telefónicos, que representam quase um quarto do valor total das chamadas realizadas no ano de 2024.

Os dados agora apresentados para a Zona Oriental de Lisboa representam um trabalho de aproximação quer aos residentes com 65 ou mais anos nos territórios das cinco freguesias, quer aos estabelecimentos de comércio local, que se constituem como radares comunitários e desempenham um papel crucial na sinalização de situações de risco, de isolamento e solidão não desejada para uma agilização de uma intervenção ajustada a cada contexto. 

Depois de uma breve pausa os trabalhos foram retomados e os representantes das juntas de freguesia do Areeiro, Arroios, Beato, Penha de França e Marvila, participaram numa Mesa Redonda onde partilharam as suas experiências locais, reafirmando o compromisso de continuar a apoiar as iniciativas do RADAR nas suas comunidades.

No encerramento das Jornadas, Paulo Machado, professor do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna apresentou as notas finais do encontro e reforçou a importância do RADAR no combate ao isolamento social e solidão indesejada nas pessoas +65.

As jornadas RADAR proporcionaram um espaço de debate sobre os desafios da longevidade onde são abordados temas como o envelhecimento, a solidão, a acessibilidade a serviços essenciais e a necessidade de estratégias inovadoras para um acompanhamento eficaz das situações de risco.

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Diversas especialidades médicas e cirúrgicas

Programas de saúde

Unidades da rede nacional

Unidades que integram a rede de cobertura de equipamentos da Santa Casa na cidade de Lisboa

Prestação de apoio psicológico e psicoterapêutico

Aluguer de frações habitacionais, não habitacionais e para jovens

Bens entregues à instituição direcionados para as boas causas

Programação e atividades Cultura Santa Casa

Incubação, mentoria e open calls

Anúncios de emprego da Santa Casa

Empregabilidade ao serviço das pessoas com deficiência

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Linha de apoios financeiros a projetos de impacto social.

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas

Jogos sociais do Estado e bolsas de educação

Ensino superior e formação profissional

Projetos de empreendedorismo e inovação social

Recuperação de património social e histórico das Misericórdias

Investimento na investigação nas áreas das biociências

Prémios nas áreas da ação social e saúde

Voluntariado nas áreas da ação social, saúde e cultura

Locais únicos e diferenciados de épocas e tipologias muito variadas

Ambiente, bem-estar interno e comunidade

Ofertas de emprego

Contactos gerais e moradas