Talvez por isso, Diana não se canse de elogiar os que trabalham no Alcoitão, recordando sempre o humanismo e a dedicação dos profissionais, assim como muitos e muitos episódios que hoje, tal como então, lhe enchem o coração: “Recordo o carinho com que me acolheram, não só a mim, como à minha família. Os meus filhos, na altura com 9 e 7 anos, iam visitar-me todos os finais de tarde e, apesar das circunstâncias, divertíamo-nos muito a jogar Boccia com os restantes utentes”, relembra.
Acima de tudo, Diana destaca “a gratidão e os amigos” que leva para a vida, assim como as muitas pessoas que “renascem graças ao Centro de Reabilitação de Alcoitão”. As lembranças não têm fim e surgem ainda mais fortes nesta altura, em que se assinala mais um aniversário (os emblemáticos 60 anos de existência) do CMRA.
“Quando partilho o meu testemunho pessoal de sobrevivente de AVC, o meu objetivo principal é passar uma mensagem de esperança. Vivi momentos muito difíceis, houve alturas em que pensei nunca mais recuperar a minha independência, mas graças ao programa de reabilitação multidisciplinar de que usufruí no Centro de Alcoitão, e também graças ao meu trabalho e força de vontade, sem esquecer o apoio incondicional do meu marido e nossos filhos, consegui fazer o ‘luto do AVC’! Um dos lemas da PT.AVC é precisamente “Com o AVC a vida não termina, quando muito adequa-se!”, refere Diana Wong Ramos.
Decorrida mais de uma década desde que esteve internada no CMRA, muito mudou na vida de Diana. Fundadora da Associação Portugal AVC, desde 2017 que organiza as sessões mensais daquela entidade no Alcoitão, como aquela que ocorreu em fevereiro passado e na qual esteve presente a contar a “sua história”. Por lá já passaram centenas de pessoas, que partilham sentimentos, experiências, dúvidas e dor relacionadas com a doença, e com quem mantém um contacto próximo. A importância destes encontros é inegável, sobretudo para quem está a aprender a viver ou a recuperar de um AVC.
“O Acidente Vascular Cerebral é a principal causa de morte e invalidez no nosso país, e quando uma doença impactante como esta nos bate à porta, é impossível não repensarmos prioridades… Na altura [em 2011] não havia nenhuma associação à qual pudéssemos recorrer para retirar dúvidas, encontrar informação prática e foi com esse intuito que, juntamente com outros sobreviventes de AVC – e também alguns profissionais de saúde que se quiseram juntar – formámos a PT.AVC-União de Sobreviventes, Familiares e Amigos”, explica Diana, admitindo que, durante o seu internamento, gostaria de ter usufruído destes convívios entre pares.
“No entanto, também não escondo o orgulho que sinto por poder proporcionar estes momentos aos sobreviventes de AVC – e também seus familiares – que vou conhecendo no Centro de Reabilitação de Alcoitão”, acrescenta.
Casos como o de Diana Wong Ramos repetem-se no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, com mais ou menos sucesso. As histórias de quem lá está ou por quem já lá passou são infinitas. E ainda que cada história seja uma história, todas diferentes e com finais distintos, alguns pormenores são comuns a quase todas as pessoas que “renasceram” em Alcoitão: a gratidão de quem lá esteve, o humanismo de quem lá trabalha e os amigos adquiridos nesses momentos difíceis, os quais permanecem na “segunda vida”.