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É amplamente reconhecido o trabalho que o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) realiza diariamente, promovendo a autonomia e o bem-estar dos seus utentes e respondendo aos diversos desafios que os levam a recorrer a este equipamento de saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Mas nem sempre o corpo humano é capaz de recuperar por si só: há momentos em que só com a ajuda de elementos exteriores é possível recuperar alguma função do organismo. E é aqui que entra a Unidade de Ortoprotesia do CMRA, um autêntico laboratório que devolve esperança e sorrisos, assente no trabalho de técnicos especializados e baseado em muita paciência, rigor e humanidade.
Os ortoprotésicos de Alcoitão – assim se chamam os profissionais da ortoprotesia – desenvolvem próteses e ortóteses. A diferença entre os dois conceitos é simples, mas nem sempre do conhecimento geral:
- Prótese: substitui um membro que está ausente do corpo.
- Ortótese: substitui ou compensa uma função que está ausente ou diminuída.
Estivemos no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão e conhecemos dois utentes que foram acompanhados pela Unidade de Ortoprotesia. Catarina e José chegaram com necessidades distintas: ela após uma lesão em que perdeu o controlo dos membros inferiores; ele depois de uma amputação causada por uma bactéria.
Chegaram ambos em cadeira de rodas. E ambos conseguiram voltar a andar. Conheça por dentro o trabalho deste autêntico laboratório de esperança em Alcoitão:
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa volta a marcar presença no Hospital da Bonecada, que arranca esta sexta-feira, 24 de abril, na Praça Central do Centro Comercial Colombo. A iniciativa, que este ano vai na sua 25.ª edição, é um projeto da Associação de Estudantes da NOVA Medical School desenhado para afastar o medo das crianças relacionado com os cuidados de saúde.
Assim, através de simulações de tratamentos e exames aos bonecos que as crianças levam, os mais pequenos vão perdendo o chamado Síndrome da Bata Branca, além de poderem ser, eles próprios, médicos por um dia, numa lógica didática, pedagógica e muito divertida.
Com várias valências de saúde na sua organização, a Santa Casa não poderia deixar de marcar presença nesta nova edição, para a qual preparou a Oficina da Saúde, juntando o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, o Hospital Ortopédico de Sant’Ana e a Unidade W+ – Saúde Mental. Além disso, à semelhança de anos anteriores, o evento terá a visita de crianças utentes de equipamentos da Misericórdia de Lisboa.
A 25.ª edição do Hospital da Bonecada decorre de 24 de abril a 5 de maio e pode ser visitada das 10h00 às 21h00 (última entrada às 20h30). A entrada é gratuita e destina-se a crianças dos três aos 10 anos.
Uma segunda vida depois do Alcoitão…
Uma dor de cabeça intensa. Falta de força nas mãos. Pequenos sinais do corpo que indicavam que algo não estava bem. E não estava. Naquele dia 26 de junho de 2011, uma trombose venosa cerebral atirou Diana Wong Ramos para a cama de um hospital, primeiro no São José, depois no Hospital Fernando da Fonseca e, por fim, para o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, o equipamento da Misericórdia de Lisboa que é carinhosamente apelidado de CMRA.
Foi no Alcoitão que permaneceu longos meses. Sem mexer os braços e as pernas, com sequelas no rosto, com ajuda para fazer quase tudo, desde o mais pequeno e corriqueiro gesto do quotidiano, como limpar uma lágrima. Olhando para trás, para aqueles longínquos tempos, não restam dúvidas de que o período em que permaneceu no CMRA foi um tempo de combate e de aprendizagem, de fragilidade intercalada com força, de desânimo versus luta.
“Acredito que, havendo empatia, fica mais fácil! Nunca, em nenhum momento, os profissionais do Alcoitão me fizeram sentir um ‘caso perdido’ ”, sublinha Diana, nesta viagem ao passado.
Desde então, muito mudou na vida desta ex-jornalista de uma conhecida e antiga revista cor-de-rosa, a Nova Gente. Na sua segunda vida, nesta nova oportunidade que lhe foi oferecida, Diana tornou-se um dos rostos nacionais mais conhecido dos sobreviventes de AVC, fazendo parte do grupo de coordenadores nacionais para a divulgação e implementação do Plano de Ação para o AVC na Europa 2018-2030. Enquanto “dá a cara” pelas vítimas de AVC e partilha a sua experiência, espera contribuir para que os cidadãos possam detetar precocemente os sinais da doença. Uma doença que é a principal causa de morte e incapacidade em Portugal, com cerca de 70 casos novos por dia, que faz encher as camas do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão.
O Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão assinala hoje, dia 20 de abril, 60 anos desde que recebeu o primeiro utente. Erguido com o auxílio das receitas do Totobola, o centro tem sabido adaptar-se às necessidades dos milhares de doentes que por ali passam
Talvez por isso, Diana não se canse de elogiar os que trabalham no Alcoitão, recordando sempre o humanismo e a dedicação dos profissionais, assim como muitos e muitos episódios que hoje, tal como então, lhe enchem o coração: “Recordo o carinho com que me acolheram, não só a mim, como à minha família. Os meus filhos, na altura com 9 e 7 anos, iam visitar-me todos os finais de tarde e, apesar das circunstâncias, divertíamo-nos muito a jogar Boccia com os restantes utentes”, relembra.
Acima de tudo, Diana destaca “a gratidão e os amigos” que leva para a vida, assim como as muitas pessoas que “renascem graças ao Centro de Reabilitação de Alcoitão”. As lembranças não têm fim e surgem ainda mais fortes nesta altura, em que se assinala mais um aniversário (os emblemáticos 60 anos de existência) do CMRA.
“Quando partilho o meu testemunho pessoal de sobrevivente de AVC, o meu objetivo principal é passar uma mensagem de esperança. Vivi momentos muito difíceis, houve alturas em que pensei nunca mais recuperar a minha independência, mas graças ao programa de reabilitação multidisciplinar de que usufruí no Centro de Alcoitão, e também graças ao meu trabalho e força de vontade, sem esquecer o apoio incondicional do meu marido e nossos filhos, consegui fazer o ‘luto do AVC’! Um dos lemas da PT.AVC é precisamente “Com o AVC a vida não termina, quando muito adequa-se!”, refere Diana Wong Ramos.
Decorrida mais de uma década desde que esteve internada no CMRA, muito mudou na vida de Diana. Fundadora da Associação Portugal AVC, desde 2017 que organiza as sessões mensais daquela entidade no Alcoitão, como aquela que ocorreu em fevereiro passado e na qual esteve presente a contar a “sua história”. Por lá já passaram centenas de pessoas, que partilham sentimentos, experiências, dúvidas e dor relacionadas com a doença, e com quem mantém um contacto próximo. A importância destes encontros é inegável, sobretudo para quem está a aprender a viver ou a recuperar de um AVC.
“O Acidente Vascular Cerebral é a principal causa de morte e invalidez no nosso país, e quando uma doença impactante como esta nos bate à porta, é impossível não repensarmos prioridades… Na altura [em 2011] não havia nenhuma associação à qual pudéssemos recorrer para retirar dúvidas, encontrar informação prática e foi com esse intuito que, juntamente com outros sobreviventes de AVC – e também alguns profissionais de saúde que se quiseram juntar – formámos a PT.AVC-União de Sobreviventes, Familiares e Amigos”, explica Diana, admitindo que, durante o seu internamento, gostaria de ter usufruído destes convívios entre pares.
“No entanto, também não escondo o orgulho que sinto por poder proporcionar estes momentos aos sobreviventes de AVC – e também seus familiares – que vou conhecendo no Centro de Reabilitação de Alcoitão”, acrescenta.
Casos como o de Diana Wong Ramos repetem-se no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, com mais ou menos sucesso. As histórias de quem lá está ou por quem já lá passou são infinitas. E ainda que cada história seja uma história, todas diferentes e com finais distintos, alguns pormenores são comuns a quase todas as pessoas que “renasceram” em Alcoitão: a gratidão de quem lá esteve, o humanismo de quem lá trabalha e os amigos adquiridos nesses momentos difíceis, os quais permanecem na “segunda vida”.
Impacto dos AVC´s em Portugal:
- Aproximadamente 25 a 30 mil internamentos anuais;
- Cerca de 35% a 41% dos sobreviventes ficam dependentes de terceiros para atividades básicas;
- Existe um risco elevado de recorrência, tornando a prevenção (estilo de vida, medicação, etc.) essencial após o primeiro evento.
Santa Casa e Cruz Vermelha Portuguesa firmam parceria para reforçar cuidados de saúde e benefícios culturais
Na ocasião estiveram presentes o Provedor da Santa Casa, Paulo Sousa, a Vice‑Provedora, Rita Prates, o Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, António Saraiva, assim como representantes das duas entidades e do município, nomeadamente do Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, e de Manuela Filipe, Presidente da Cruz Vermelha da Costa do Estoril. O Protocolo foi assinado por Rita Prates e António Saraiva.
Na sua intervenção, o Provedor da Santa Casa destacou que esta parceria “resulta de uma convergência natural entre duas instituições históricas, profundamente enraizadas na sociedade portuguesa, que partilham valores comuns como a solidariedade, a proximidade e o compromisso permanente com a promoção da dignidade humana”. Paulo Sousa sublinhou ainda que, ao integrar a CVP na rede de cuidados e serviços da Santa Casa, se reforça “o acesso a cuidados de saúde, à reabilitação, ao bem‑estar e também à dimensão cultural, reconhecendo que a qualidade de vida das pessoas é indissociável de uma abordagem integrada e humana”.
O acordo integra a SCML na Rede Nacional de Assistência Médica e Bem‑Estar da CVP, permitindo que os titulares do Cartão de Saúde beneficiem de condições especiais em consultas, atos médicos, exames, terapias, internamento e programas de reabilitação. A SCML compromete‑se a prestar cuidados de saúde “em condições especiais de acesso aos seus produtos e/ou serviços, cobrando os valores definidos nas tabelas de preços”. Entre as unidades abrangidas encontram‑se o Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão, o Hospital Ortopédico de Sant’Ana, a Clínica Oriental de Chelas, a Residência Raquel Ribeiro e várias unidades de cuidados continuados.
Para além da área clínica, o Protocolo estende‑se ao domínio cultural e patrimonial. Os beneficiários do Cartão de Saúde CVP passam a usufruir de descontos nas entradas dos museus da Santa Casa, bem como de condições especiais no aluguer de espaços interiores, salões e pavilhões da instituição. O documento especifica que a SCML disponibiliza “regalias adicionais, designadamente condições especiais de acesso e a aplicação de descontos na entrada nos museus […] bem como descontos no aluguer de espaços interiores, salões e pavilhões”.
A CVP compromete‑se a divulgar a parceria junto dos seus beneficiários e a encaminhar utentes para as unidades da Santa Casa, assegurando a identificação através do Cartão de Saúde. O acordo prevê ainda mecanismos de acompanhamento, incluindo uma comissão conjunta responsável por monitorizar a execução, analisar inquéritos de satisfação e propor melhorias.
O Protocolo entra em vigor na data da assinatura e renova‑se automaticamente, reforçando uma cooperação institucional assente numa visão comum de solidariedade, proximidade e promoção do bem‑estar.
(Fotos cedidas gentilmente pela Câmara Municipal de Cascais).
Atualmente com 37 voluntários, o HOSA – Hospital Ortopédico de Sant’Ana, um dos mais emblemáticos equipamentos de Saúde da Misericórdia de Lisboa, pretende alargar a sua bolsa de voluntariado. Para este efeito, a Santa Casa, através da sua Unidade de Sustentabilidade e Responsabilidade Social, lançou a campanha “Faz parte!”.
Cuidar faz parte do ser humano desde sempre, particularmente em situações de especial vulnerabilidade como é o meio hospitalar. É a partir desta premissa que este equipamento do Centro Hospitalar da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, situado na Parede, pretende recrutar novos voluntários, bastando para isso terem mais de 16 anos e completarem a sua inscrição através do formulário, escolhendo “Campanha HOSA” no campo “área de interesse”.
Acolhimento de utentes, encaminhamento nas consultas externas e apoio no internamento são algumas das tarefas que estão reservadas aos futuros novos voluntários do HOSA que desejem contribuir com uma parte do seu tempo para ajudar o próximo. Porque cuidar faz parte de nós e nós também podemos fazer parte!
Saiba mais e inscreva-se para ser voluntário:
A área da Saúde é um dos pilares da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e está perfeitamente alinhada com os valores intrínsecos da missão da Instituição.
Através de um conjunto alargado de respostas, e graças a um conjunto de profissionais qualificados e experientes, a Misericórdia de Lisboa disponibiliza cuidados de saúde primários, seja em ambulatório ou ao domicílio, e cuidados continuados, bem como diversas especialidades médicas e cirúrgicas, num registo de excelência, humanidade e proximidade com os utentes.
Neste Dia Mundial da Saúde, conheça o universo completo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa nesta área.
ESSAlcoitão anuncia Open Days 2026
Entre as 09h00 e as 13h00, nas instalações da ESSAlcoitão, os participantes terão a oportunidade de visitar as instalações, explorar os cursos de Fisioterapia, Terapia da Fala e Terapia Ocupacional, e conversar diretamente com docentes e estudantes, esclarecendo dúvidas sobre planos de estudo, saídas profissionais e condições de acesso.
A participação é gratuita.
Os Open Days constituem uma ação estratégica de promoção institucional, permitindo aos visitantes conhecer de perto a dinâmica académica da ESSAlcoitão e o trabalho desenvolvido nas áreas da saúde e reabilitação.
As inscrições já se encontram abertas e podem ser realizadas através do formulário oficial disponibilizado online.
Dia Nacional do Doente com AVC: prevenção e sinais de alerta fazem a diferença
Assinala-se esta terça-feira, 31 de março, o Dia Nacional do Doente com Acidente Vascular Cerebral e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa associa-se a esta data, no sentido de informar e ajudar a prevenir estes episódios, que constituem a principal causa de morte em Portugal.
Um AVC ocorre quando é interrompido o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro, resultando na morte de células cerebrais por falta de oxigénio. Pode ter origem no bloqueio de um vaso sanguíneo (AVC isquémico) ou na rutura de uma artéria (AVC hemorrágico).
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, referentes a 2024, morreram, nesse ano, mais de 9 mil pessoas em Portugal com um AVC, representando 7,6% do total de óbitos, apesar da diminuição de 1,9% face ao ano anterior.
Assim, é fundamental apostar na prevenção, que passa, entre outros, por adotar um estilo de vida saudável, fazer uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico e ter atenção a outras patologias que podem favorecer o aparecimento de AVC, como a diabetes e a hipertensão.
Sinais de alerta (os 3F)
Todos podemos ser vítimas ou presenciar um acidente vascular cerebral e uma resposta célere pode fazer toda a diferença. Assim, é crucial memorizar os sinais de alerta condensados na regra dos 3F:
- Face (assimetria da face; boca a pender para um dos lados)
- Força (perda de força repentina nos membros, num dos braços ou pernas)
- Fala (dificuldade ou incapacidade de se expressa; discurso arrastado)
No caso de algum destes sintomas, ligue imediatamente para o 112, indicando a suspeita de um AVC.
Utentes do Pousal operados no Hospital de Sant’Ana no Dia Mundial da Saúde Oral
Um grupo de utentes da Obra Social do Pousal, com perturbações do neurodesenvolvimento, foi submetido a intervenções cirúrgicas em bloco operatório no Hospital Ortopédico de Sant’Ana, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Oral.
As cirurgias resultam da articulação com a Unidade de Saúde Santa Casa Ocidental, onde estes utentes são acompanhados regularmente, garantindo continuidade de cuidados e resposta adequada a situações de maior complexidade clínica.
As intervenções foram realizadas por André Brandão de Almeida, administrador da Santa Casa com o pelouro da Saúde, que mantém atividade clínica de forma pontual, tendo neste caso assinalado o Dia Mundial da Saúde Oral com a realização destas cirurgias. Os procedimentos contaram com a presença do médico dentista Luís Gomes Peres, que segue os utentes na USSC Ocidental, e de alunos finalistas da Egas Moniz School of Health and Science, em contexto de observação.
“A saúde oral continua a ser uma das áreas onde as desigualdades são mais silenciosas. Estes doentes não podem depender da exceção ou da boa vontade, precisam de respostas estruturadas, seguras e consistentes. É isso que estamos a construir: um modelo que garante acesso real a quem mais precisa”, sublinha André Brandão de Almeida.
Esta iniciativa integra-se numa estratégia mais ampla da Santa Casa, que inclui circuitos dedicados para utentes com necessidades especiais, assegurando acesso a cuidados diferenciados em ambiente hospitalar sempre que necessário.