Numa iniciativa organizada e levada a cabo pela Associação Nacional de Gerontologia Social, em colaboração com a APOIARTE – Casa do Artista, a Universidade Rey Juan Carlos e a Associação Internacional de Universidades da Terceira Idade (AIUTA), o projeto RADAR foi convidado a participar neste encontro, com o objetivo de partilhar modelos de “boas práticas”.
O encontro, que decorreu entre os dias 13 e 17 de maio, teve como tema “Envelhecer com Arte ou a Arte de Envelhecer“, e a presença do RADAR esteve integrada no painel “Ética no Envelhecimento”, moderado pelo professor doutor Cristóvão Margarido. Durante esse painel, Hugo Gaspar, diretor de núcleo da Unidade de Missão da Santa Casa, fez uma apresentação intitulada “Projeto RADAR: Abordagens colaborativas ao isolamento social e solidão não desejada”, na qual este projeto foi explicado e mostrado numa abordagem socioecológica, incidindo em três níveis: na colaboração interorganizacional, na rede de radares comunitários e no envolvimento e participação dos cidadãos.
Para cada uma destas vertentes foram apresentados em detalhe todos os resultados obtidos e exemplificada a multiplicidade de atividades que o projeto desenvolve, destacando sempre os parceiros com que trabalha diariamente. Hugo Gaspar salientou, aliás, este facto: “o RADAR é apresentado desde a primeira hora como uma parceria colaborativa. Trabalhamos diariamente para que esta seja uma realidade. O Projeto Radar não é apenas da Santa Casa, mas de todos os parceiros que dele fazem parte. É, acima de tudo, da cidade de Lisboa”.
O dia do terceiro aniversário do Centro Intergeracional Ferreira Borges (CIFB) começou bem cedo com a colaboração da Irmandade de S. Roque, que celebrou a eucaristia com adoração a Maria perante dezenas de utentes, familiares e pessoas da comunidade, que celebraram o momento com grande emoção.
O programa da tarde iniciou-se na sala do 1.º andar do Centro, onde os presentes assistiram a uma demonstração de “Danças Sociais”; aulas que habitualmente ocorrem às quintas-feiras no CIFB e que são dinamizadas pelo professor João, do Ginásio Club de Portugal.
Após a demonstração das danças, o Grupo Teatro Tom Maior, dinamizado e ensaiado pela atriz Maria Lalande, representou um poema de Jorge de Sena, “Qual é a Cor da Liberdade?”.
Depois das apresentações efetuadas pelos utentes, seguiu-se um desafio lançado a todos os presentes por Isabel Araújo, diretora do CIFB, que os convidou a darem o seu testemunho sobre a sua experiência, pessoal ou coletiva, do impacto que o Centro tem nas suas vidas e na comunidade. O tom de informalidade e a relação de proximidade entre os utentes e os parceiros presentes, são o reflexo do que diariamente se vive e constrói neste projeto comum de valorização de aprendizagens ao longo da vida.
Simultaneamente, foi inaugurada a exposição “3 anos de memórias CIFB” , que apresenta uma coletânea de memórias através de fotografias, trabalhos manuais e exposições colaborativas, que destacam alguns dos momentos de uma caminhada que tem sido construída em conjunto com vários parceiros, como a Junta de Freguesia de Campo de Ourique (JFCO), a PSP, a Casa Fernando Pessoa, a Associação Cultural Embuscada, a 55 +, a Associação Cabelos Brancos, o Colégio dos Salesianos, a Ajuda de Mãe, a atriz Maria Lalande, o CampoVivo, entre muitos outros.
As festividades continuaram pelo bairro de Campo de Ourique numa atividade aberta a toda a comunidade, a “Caminhada Cultural por Campo de Ourique”, que contou com o apoio da JFCO, do projeto RADAR e da PSP. Esta iniciativa revelou-se um sucesso, a avaliar pelos sorrisos nos rostos dos 40 participantes.
A caminhada terminou de regresso ao CIFB, onde os esperava um pequeno “banquete” preparado por alguns utentes que habitualmente dinamizam o atelier de culinária do Centro, o “Cantinho dos Sabores”.
O Centro Intergeracional Ferreira Borges (CIFB) foi inaugurado a 14 de maio de 2021, contemplando a reinstalação da Residência Assistida Carlos da Maia e do Centro de Dia Santo Condestável.
Foram criadas as condições para implementar o que é preconizado pelo Modelo InterAge, considerando, também, as premissas contidas no Programa “Lisboa, Cidade de Todas as Idades”, nomeadamente no eixo estratégico da Vida Autónoma.
O objetivo, plenamente atingido, era oferecer uma resposta pioneira e diferenciadora, efetivando-se como uma alternativa abrangente e multifacetada aos vários segmentos da população do território.
Quem passa na Travessa Lázaro Leitão, ali mais para os lados da zona oriental de Lisboa, e se depara com o palacete rosa, agora pálido de esbatido pelo tempo, não imagina os milagres que ali acontecem todos os dias e as vidas que se mudam naquele lugar. É assim desde 1962.
Isabel Pargana, diretora do Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, descreve a génese do equipamento: “nasceu com o objetivo de assegurar a reabilitação de pessoas com cegueira ou baixa visão. Na altura, contou com o apoio de um crítico americano, que esteve durante 18 meses em Portugal, e que permitiu dar formação e organizar o funcionamento do centro”.
Atualmente, o CRNSA providencia duas grandes respostas: o programa de realização de adultos e o programa de estimulação sensorial na primeira infância. O primeiro abrange pessoas maiores de 16 anos, vindas de qualquer ponto do país, PALOP ou ilhas, e que, dependendo do sítio onde vivem, podem ser internos ou externos. O segundo concentra-se em crianças entre os 0 e os 6 anos que, por circunstâncias diversas, têm alguma limitação visual que decorre de outras comorbilidades, questões oncológicas, de síndrome ou neurológicas, mas que interferem com a capacidade visual e, de forma muito direta e muito impactante, no seu desenvolvimento global.
A superação
O tempo de reabilitação das pessoas que chegam ao Centro varia muito, pois depende do projeto de vida, das motivações e dos interesses de cada uma.
Isabel Pargana já assistiu a um pouco de tudo, mas relembra um dos casos que mais a marcaram nos últimos tempos: “uma senhora que foi admitida em setembro [de 2023]. No primeiro dia, entrou aqui com um chapéu que tapava a face até ao nariz e uns óculos escuros que não permitiam ver absolutamente nada. Assim que subiu a escadaria principal do edifício, sentou-se no banco da entrada e disse ‘eu vou desistir, eu não aguento’. O que sucedeu? Termina o seu programa de reabilitação agora no dia 30 de maio, vai começar uma formação profissional, iniciou um processo social de habitação e pediu o seu certificado de habilitações para fazer o RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências). Ou seja, tomou conta da sua vida e transformou-se do ponto de vista físico. Nunca mais a vimos usar o chapéu, deixou de usar os óculos e passou a cuidar da sua imagem de uma forma absolutamente espetacular, porque a autoestima e a autoconfiança que foi ganhando ao longo deste percurso permitiram-lhe renascer”.
Quem nunca pensou em desistir foi Nuno Ribeiro, 49 anos, ex-utente. Já tinha um glaucoma, quando uma cirurgia de implante de uma válvula malsucedida o levou ao CRNSA. Chegou a 20 de setembro de 2021 (com 46 anos) e ficou até fevereiro do ano seguinte.
“Nunca! Desde que aqui entrei que vinha muito focado. E era para sair [reabilitado], demorasse o tempo que demorasse. Não queria que os meus familiares e amigos olhassem para mim como um coitadinho, mas como alguém que conseguiu dar a volta e que faz a sua vida normal. Nunca pensei em desistir. Nunca essa palavra me passou pela cabeça”. Nuno Ribeiro é taxativo. E acrescenta: “É engraçado que quando passamos pelas coisas, há uma força cá dentro que se revela maior do que pensávamos e achávamos que tínhamos”.
“O meu objetivo era ficar o mais autónomo possível para voltar a trabalhar, fazer a minha vida normal, para as pessoas da minha família não estarem preocupadas comigo. Eu não queria ficar em casa, queria ser útil à sociedade e fazer aquilo que gosto, manter a cabeça ocupada. Eu só não via… De resto, tenho uma boa cabeça, penso bem, gosto de fazer contas, gosto de fazer o que faço. Tenho dois bracinhos e não queria depender de ninguém”, relembra Nuno.
Durante uns meses, o CRNSA foi a sua primeira casa, porque só ia àquela que passou a ser a sua segunda casa ao fim de semana. Não tendo sido um choque, foi um processo de habituação custoso, sobretudo por estar longe da mulher Susana, de quem nunca tinha estado afastado tanto tempo.
“Só queria que chegasse o fim de semana para estarmos juntos. Mas eu tinha de estar aqui para fazer as coisas bem, para que a Susana pudesse voltar a fazer a sua vida sem preocupações comigo, para que eu pudesse voltar a fazer as coisas que fazia, como ajudar a arrumar a casa e ir para o trabalho. No fundo, as coisas habituais que um casal normal faz”.
A reabilitação do Nuno foi um processo que correu muito bem. Tão bem que, quando deixou o Centro, voltou para o mesmo sítio onde trabalhava – um banco, na área financeira – e foi integrado na mesma equipa em que estava antes.
“A integração foi muito boa, [os meus colegas] acolheram-me bem e viram-me como um deles desde o princípio. Nunca fui visto como um coitadinho. Coitadinho? Não! Viram-me, sim, como uma pessoa útil e sempre disponível para ajudar os colegas como estava antes”.
Depois da fase de internamento no CRNSA, e na grande parte das reabilitações, a última parte do processo já decorre numa perspetiva mais externa, ou seja, é preciso conhecer os trajetos a percorrer para se chegar a casa, os transportes a apanhar, as armadilhas e os obstáculos escondidos que podem dificultar o quotidiano dos pacientes.
“Não me desliguei da recuperação abruptamente, não foi um cortar repentino, mas sim progressivo, até para nós não apanharmos um grande choque. Tive de fazer essa recuperação no meu dia a dia, para depois voltar a fazer a vida que faço atualmente. Hoje em dia apanho o comboio tranquilo, apanho o autocarro nas horas de ponta. Às vezes é complicado entrar nos transportes, as pessoas vão lá no seu mundo a olhar para o ‘dia de ontem’, para os telemóveis, dão encontrões ou tropeçam aqui na minha parceira de trabalho”, explica o ex-utente do CRNSA entre risos: “é que agora nunca vou sozinho, ando sempre aqui com a minha bengalita”.
Venha conhecer o trabalho ímpar do Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos no seu open day, no dia 27 de maio, a partir das 10h00.
O Dia Internacional do Enfermeiro, comemorado a 12 de maio, data do aniversário de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna, foi assinalado na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com o seminário “Cuidar em Casa, uma resposta de proximidade pela voz dos enfermeiros”, na Sala de Extrações.
A propósito do tema definido este ano pelo Conselho Internacional de Enfermeiros, “Os nossos enfermeiros, o nosso futuro – o poder económico dos cuidados”, foram debatidas as questões relacionadas com o adiamento da institucionalização do doente e os benefícios que tal traz para “o próprio, para a sociedade e, também, na parte financeira”, segundo Manuela Marques, enfermeira diretora da Direção de Saúde da Misericórdia de Lisboa.
Manuela Marques lembra que essa institucionalização “desenraíza a pessoa, com prejuízos psicológicos e isolamento em relação à família”, acarretando igualmente custos ao Estado, pelo que “os cuidados em casa são uma área a explorar e a melhorar”.
“Existe um grupo de trabalho na Santa Casa, com a Ação Social e a Saúde, que está a estudar a forma de melhorar a integração entre estas duas áreas. O nosso apoio domiciliário de saúde está concentrado em dois polos: oriental e ocidental. Nas freguesias há um núcleo com médico e enfermeiro, que também pode ter nutricionista, e que faz a ponte com a Ação Social”, explica.
Segundo a enfermeira diretora, a interligação entre as duas áreas já é feita, mas não atuam propriamente como uma equipa única e é aí que há trabalho a fazer, até porque, recorda, “a Organização Mundial de Saúde diz que a integração dos cuidados contribui não só para melhorar a qualidade dos cuidados, mas também a relação custo-efetividade dos mesmos”.
Assim, na primeira metade do seminário foi feita uma caracterização dos cerca de 1700 utentes que o serviço cobre na cidade de Lisboa com cuidados médicos, de enfermagem, nutrição e outros, abordando as suas faixas etárias, patologias, tipos de cuidados prestados (curativos e preventivos) e ainda o ensino aos cuidadores.
Já na segunda parte do seminário realizou-se uma mesa redonda sobre “O papel do enfermeiro especialista na equipa multidisciplinar, em contexto domiciliário”, visando as áreas de reabilitação, saúde mental e cuidados paliativos, as três onde os profissionais da Santa Casa atuam diariamente em casa dos utentes.
Esta agenda sociocultural maio/junho é reveladora de toda a riqueza das atividades que são desenvolvidas nos centros intergeracionais da Santa Casa. É um veículo de divulgação e de abertura dos equipamentos à cidade, em que a diversidade das atividades propostas age como o motor para sair de casa e estar num espaço seguro e de convívio, proporcionando memórias inesquecíveis.
Este programa, desenvolvido nos centros de dia e noutros equipamentos da Misericórdia de Lisboa, assenta na filosofia de que todas as pessoas, novos e velhos, dispõem de múltiplos recursos para partilhar, fomentando a sabedoria e a troca de conhecimentos.
Em face desta premissa, os encontros intergeracionais abrem as portas aos vizinhos, ao bairro, aos parceiros e à comunidade em geral, enriquecendo as relações e combatendo estereótipos relativamente à idade.
O Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, que promove a reabilitação de pessoas com cegueira ou baixa visão, vai celebrar 62 anos de existência no próximo dia 27 de maio.
Nos últimos tempos, o Centro tem-se dedicado a promover ações de sensibilização e de informação, tanto internas como externas, no sentido de “contribuir para uma sociedade mais inclusiva”. A descrição é de Isabel Pargana, diretora do equipamento que, neste contexto, decidiu, com a sua equipa, promover o Open Day do CRNSA no dia do seu aniversário.
“A intenção é permitir às pessoas da comunidade e às pessoas do mundo académico e do mundo empresarial, virem passar o dia connosco, conhecer-nos e ter a oportunidade de perceber o que é o dia a dia das pessoas com deficiência visual, contribuindo, dessa forma, para uma sociedade onde esta diversidade deve ser considerada e deve ser respeitada no seu todo”.
Assim, no dia 27 de maio, entre as 10h00 e as 17h00, pode dirigir-se ao Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, na Travessa Recolhimento Lázaro Leitão 19, em Lisboa, e passar um dia, no mínimo, diferente. Poderá conhecer a história do centro e do edifício, vivenciar o dia a ida da pessoa com deficiência visual através de atividades práticas, explorar perceções e curiosidades sobre a deficiência visual, de forma lúdica e pedagógica, conversar com utentes e profissionais, partilhando experiências e, claro, conhecer o trabalho de reabilitação promovido no Centro.
O CRNSA dispõe, atualmente, de duas grandes respostas: a primeira, centrada no programa de realização para pessoas maiores de 16 anos, vindas de qualquer ponto do país, PALOP e ilhas; e a segunda, que consiste num programa de estimulação sensorial na primeira infância para crianças dos 0 ao 6 anos que, por circunstâncias diversas, têm alguma limitação visual.
Juntos por uma boa causa. Cerca de uma centena de pessoas reuniu-se esta terça-feira no Largo Trindade Coelho, em frente à sede da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para formar um laço humano, assinalando o final do mês internacional da prevenção dos maus-tratos na infância.
Ao som do hino desta causa, “Serei o que me deres… que seja amor”, e incentivados e organizados pelo cantor e funcionário da Misericórdia Ruben Matay, cerca de 100 utentes e colaboradores da instituição, muitos deles vestidos de azul, formaram o símbolo desta campanha internacional. Participaram utentes da Obra Social do Pousal, do projeto RADAR e do Centro de Dia São Boaventura, bem como crianças e respetivas famílias do Centro de Acolhimento Infantil Vítor Manuel. A iniciativa foi também assinalada nos equipamentos Parque Infantil de Santa Catarina e Principezinho, nos quais as crianças formaram, elas próprias, laços humanos mais pequenos.
Ficam, assim, encerradas as iniciativas que assinalaram mais um mês internacional da prevenção dos maus-tratos na infância, ao qual a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para quem a proteção das crianças é uma das principais prioridades, voltou a associar-se. Recorde-se que o laço azul foi adotado como símbolo máximo desta causa há 35 anos, nos Estados Unidos da América quando, no estado da Virgínia, Bonnie Finney viu o seu neto Michael, de apenas três anos, ser vítima de maus-tratos fatais por parte da mãe e do namorado desta. Em consequência, esta avó atou um laço azul à antena do seu automóvel, escolhendo a cor para atuar como lembrança permanente das lesões da criança e iniciando assim uma campanha de sensibilização para prevenir os maus-tratos na infância, que rapidamente galgou fronteiras e ganhou impacto internacional.
O projeto RADAR realizou, esta sexta-feira, 19 de abril, no Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro, no Lumiar, as suas segundas jornadas, dedicadas às freguesias da zona norte de Lisboa – Carnide, Lumiar, Santa Clara, Olivais e Parque das Nações.
Com “sala cheia”, representantes das várias organizações parceiras do projeto tiveram a oportunidade de partilhar ideias, perspetivar o futuro e consolidar todo o trabalho desenvolvido nos últimos anos.
A sessão de abertura ficou a cargo do administrador de Ação Social da Santa Casa, Sérgio Cintra, da vereadora dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, Sofia Athayde, do comissário da Polícia de Segurança Pública, José Morais, da diretora clínica dos Cuidados de Saúde Primários da Unidade de Local de Saúde Santa Maria, Eunice Carrapiço e da diretora adjunta do Instituto de Segurança Social, Sandra Marcelino.
O resto do dia foi dedicado a várias mesas redondas e conversas informais, nas quais participaram representantes dos vários parceiros estratégicos do projeto, que refletiram sobre o trabalho desenvolvido pelo RADAR em Lisboa e a importância do mesmo para combater o isolamento social da população mais idosa da cidade.
Esta é a mensagem forte que todos os anos se repete em abril, mês internacional da prevenção dos maus-tratos na infância, ao qual a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para quem a proteção das crianças é uma das principais prioridades, se volta a associar.
No âmbito desta campanha de sensibilização estão previstas diversas ações, que envolvem diferentes equipamentos da Santa Casa, que culminarão, à semelhança dos anos anteriores, numa iniciativa simbólica, que consiste na formação de um laço humano gigante com crianças e colaboradores da instituição, no dia 30 de abril, às 11h, no Largo Trindade Coelho.
Abril será, assim, um mês de especiais afetos, devidamente assinalados num calendário elaborado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, o qual será divulgado em várias respostas da Misericórdia de Lisboa. Além destas iniciativas, a Santa Casa mudou temporariamente a sua cor institucional no site e nas redes sociais para azul, sensibilizando os leitores para esta temática.
A história do laço azul
Símbolo máximo da luta pela prevenção dos maus-tratos na infância, o laço azul ganhou este significado há 35 anos, nos Estados Unidos da América. No estado da Virgínia, Bonnie Finney viu o seu neto Michael, de apenas três anos, ser vítima de maus-tratos fatais por parte da mãe e do namorado desta. Em consequência, esta avó atou um laço azul à antena do seu automóvel, escolhendo a cor para atuar como lembrança permanente das lesões da criança e iniciando assim uma campanha de sensibilização para prevenir os maus-tratos na infância.
A iniciativa ganhou ênfase, ultrapassou fronteiras e é hoje assinalada em diversos países, no sentido de alertar para a necessidade de defesa de, precisamente, quem menos tem capacidade para se defender: as crianças.
Os Centros de Acolhimento Infantil (CAI) do Vale Fundão celebraram ontem os 50 anos desde a sua fundação, numa tarde animada entre colaboradores, pais, crianças e convidados. O evento teve lugar no Salão de Festas do Vale Fundão e contou com a presença de Sérgio Cintra, administrador com o pelouro da Ação Social na Misericórdia de Lisboa.
“Quando o Estado português, há mais de 50 anos, decidiu iniciar os processos de autoconstrução, a Misericórdia foi desafiada a encontrar respostas para a área de infância e juventude. Em 1973, era provedor António Maria de Mendonça Lino Neto, a proposta foi à Mesa e foi autorizada a instalação destes dois centros”, começou por recordar o administrador, sublinhando “a capacidade de todas as equipas pedagógicas da Misericórdia, mas também dos provedores e das Mesas da Santa Casa, que nunca desistiram destas instalações” ao longo dos últimos 50 anos.
Afirmando-se como marvilense, Sérgio Cintra deixou depois um desejo à plateia: “Mais importante do que o que fizemos, é aquilo que queremos construir. Todos estes meninos têm de ter mais capacidade de construir sonhos do que tiveram os pais deles ou os avós”.
Música, sabores e memórias
As celebrações dos 50 anos dos CAI Vale Fundão tiveram direito a dois momentos musicais, com a atuação do grupo Latomania, composto por jovens do Centro Social Comunitário do Bairro da Flamenga e liderado pelo animador e cantor Ruben Matay, e uma pequena sessão de fados, além dos tradicionais parabéns com direito ao respetivo bolo de aniversário.
Pelo palco passaram ainda duas mesas redondas com memórias destas cinco décadas, patentes igualmente numa exposição sobre a história dos CAI Vale Fundão, além de uma mostra de sabores de empreendedores locais na sala anexa do Salão de Festas.
Criados na década de 70, os Centros de Acolhimento Infantil têm atualmente mais de 200 crianças, entre os três meses e os três anos de idade: 135 no CAI Vale Fundão I e 78 no CAI Vale Fundão II.